Morreu Maria Hermínia Lopes Correia, conhecida como Maria Arminda e ainda mais conhecida por “Bruxa do Pego”. Maria Arminda morreu em casa, aos 88 anos, esta terça-feira, 12 de novembro. O corpo de Maria Arminda está em câmara ardente na Casa Mortuária no Pego, com as exéquias religiosas a decorrerem às 15h30 desta quarta-feira, na Igreja Paroquial do Pego, após o que irá a sepultar no cemitério da aldeia.
Definia-se como “uma católica que gosta de ajudar os outros”. Foram 72 anos em que esteve de portas abertas, a receber quem a sua ajuda procurava. Arminda afirmava ter “um dom” que a ultrapassa e que tinha dificuldade em explicar, sobretudo a quem não acredita no mundo espiritual.
“Uma notícia triste para a Freguesia, uma notícia triste para mim porque era amiga da D. Arminda, uma noticia triste para todos. Porque a D. Arminda para além de ser uma pessoa que ajudava todas as pessoas de quem gostava, aquelas que mais dificuldades tinham e a porta estava sempre aberta”, lamentou a presidente da Junta de Freguesia do Pego, Maria Florinda Salgueiro, em declarações ao nosso jornal.
Para a autarca a “triste” notícia estende-se mesmo além fronteiras “porque muitos emigrantes vinham visitar a D. Arminda e pedir ajuda. Pelo menos na altura do verão, durante as férias, ela tinha sempre a casa cheia”.
Maria Hermínia Correia “era uma pessoa com um coração grande. Para além de ser amável e acolher bem as pessoas, era incapaz de dizer não a alguém que lhe fosse bater à porta. O nosso Pego está muito triste”, reforçou.
Conta que integra “um grupo de pessoas que vai a Fátima a pé” e Arminda, como era tratada por todos os pegachos, “tem casa no Entroncamento e essa casa estava sempre aberta para nós”.
A presidente afirma que “sempre acreditou no dom” de Arminda até porque teve um “episódio” em nome próprio. “Perguntou-me se a minha filha queria ser enfermeira e disse-lhe que não. Mas ela afirmou que a minha filha estava rodeada de batas brancas e essa frase ficou comigo porque, tenho cá a minha filha, mas ela já esteve duas vezes rodeada de batas brancas. Que a D. Arminda vá em paz e que nos ilumine a todos”.
Nos eventos da Freguesia, nomeadamente nas Festas do Pego, Arminda “sempre nos apoiou. Ela ia com o coração cheio fazer compras para dar para as Festas”.
Arminda morreu em casa, “estava um bocadinho debilitada mas continuava a fazer as suas coisas. Já não atendia tanta gente, mas continuava. Claro, são 88 anos mas ainda era a D. Arminda. Estive com ela há pouco tempo e conversámos bem”, assegurou.
ÁUDIO | BIA SALGUEIRO, PRESIDENTE JF PEGO:
Mãe de 10 filhos, não passou para eles qualquer misticismo ou esoterismo. O que tinha em seu poder, dizia, é uma herança que não se transmite, nasceu com ela e que agora desapareceu com ela.
Nascida a 1 de julho de 1936 na aldeia do Pego, filha de carvoeiros, contava que o pai e uma tia “também tinham condão”. Maria Arminda ganhou consciência da sua diferença muito cedo: teve a sua primeira “visão” aos três anos e meio.
Aos oito anos foi trabalhar para casa de familiares lavradores, em Vale de Feto, onde hoje está situada a Central Termoelétrica do Pego. Casou muito jovem, aos 15 anos, com aquele que viria a ser o seu primeiro marido.
Sem saber ler nem escrever – não frequentou a escola devido à pobreza da família – interpretava o que dizia receber de Deus e criou dezenas de orações em função do mal de cada um.
No seu processo de “ajuda” recorria a rezas, mezinhas, orações, ervas, lamparinas de “luz sagrada” e suplementos alimentares – afirmava ter um certificado e “licença” de ervanária desde os 16 anos.
Afirmava-se católica, ia à missa regularmente, acreditava na aparição da Nossa Senhora na Cova de Iria, e era presença assídua em Fátima desde 1942, quando testemunhou um “episódio” com a irmã Lúcia. No espaço onde dava consultas ainda abundam imagens de Maria, de Jesus Cristo e dos mais variados santos. Em cima da mesa tinha sempre um crucifixo.
As cerimónias fúnebres da vidente decorrem no Pego mas a data do funeral ainda não é conhecida.
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