Foto: mediotejo.net

“Oliveira do Mouchão, monumento vivo” é o nome da exposição que abriu portas ao público na sexta feira, dia 20 de janeiro, em Abrantes. Foi na Biblioteca Municipal António Botto que os visitantes tiveram a oportunidade de ficar a conhecer um pouco mais da história daquela que é considera a “árvore mais antiga da Península Ibérica”, com mais de 3.350 anos, e que situa na freguesia de Mouriscas.

A exposição resulta do livro Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo, uma edição municipal da autoria de Francisco Lopes (texto) e Paulo Alves (ilustrações). A mostra vai estar patente na Biblioteca Municipal António Botto até ao dia 1 de abril.

A sessão de inauguração contou com a presença do vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, que usou da palavra e falou de uma árvore que marca o passado e o futuro de Abrantes. “Quando falamos da oliveira do Mouchão falamos de futuro, falamos de uma árvore que tem 3000 e tal anos, mas falamos de futuro porque ela vai cá estar, se tudo correr bem mais 3000”, referiu.

A exposição que homenageia esta histórica árvore “já decorre de um trabalho longo que tem vindo a ser feito pela equipa da Biblioteca, pela equipa da cultura e pela equipa da comunicação, a quem muito se deve esta exposição que está aqui patente”, explicou Luís Dias.

O vereador realçou a importância deste monumento para o desenvolvimento do território e para a dinamização da atividade económica em Abrantes.

“É muito importante quando nós falamos de desenvolvimento rural que falemos destes monumentos e desta relação entre o património natural e o património cultural e tudo aquilo que a fileira do azeite (…) representa para a importância da atividade económica em Abrantes e em Portugal, mas sobretudo para aquilo que (…) é uma marca de Abrantes”, disse.

Luís Dias, vereador com o pelouro do desporto na Câmara Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net
ÁUDIO | Luís Dias, vereador na Câmara Municipal de Abrantes

Luís Dias destacou ainda a qualidade do trabalho realizado por Paulo Alves e Francisco Lopes, que o público vai poder visitar na Biblioteca António Botto até ao dia 1 de abril.

“Há todo aqui um trabalho de ilustração científica, do Paulo Alves que, de facto, é um ilustrador extraordinário, fez um trabalho maravilhoso sobre a oliveira do Mouchão e tudo aquilo que ela representa e com os textos do Francisco, que é um homem da casa (…), ele também tem feito muito para valorizar o nosso património cultural e natural”, notou.

Francisco Lopes é o autor do livro que deu origem à exposição. Na apresentação começou por agradecer à Câmara Municipal de Abrantes a oportunidade de poder fazer o livro e recitou o texto que acompanhou o convite da inauguração, onde deu conta do seu principal objetivo.

ÁUDIO | Texto lido por Francisco Lopes durante a inauguração da exposição

“A minha intenção quando escrevi o texto era senti-lo como meu e passá-lo para vocês, portanto, apropriarem-se dele. Mas mais do que apropriarem-se dele é a intenção do texto que se apropriem da oliveira do Mouchão como nosso símbolo, como algo, como digo no texto, superior a nós todos”, explicou o autor.

O presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, Pedro Matos, começou por dirigir um especial agradecimento à Dona Ermelinda Marques, que doou a oliveira do Mouchão à freguesia, tendo destacado a importância da mesma.

“É um símbolo das Mouriscas, é um símbolo traduzido em parte turística porque Mouriscas voltou a estar no mapa e é conhecida também já a nível mundial”, disse.

Pedro Matos, Presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas. Foto: mediotejo.net

Relativamente aos textos e às ilustrações que compõem a exposição, o presidente da freguesia de Mouriscas afirma que “são espetaculares e demonstram um pouco das nossas raízes mourisquenses. É uma árvore com alguma projeção, uma árvore do concelho de Abrantes, para todos do concelho. Por isso convido todos a visitar, quem não visitou ainda”, concluiu Pedro Matos.

ÁUDIO | Pedro Matos, Presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas

Ainda durante a tarde de sexta feira, Luís Dias acrescentou que se “trata de uma exposição conduzida, feita e idealizada pelos nossos serviços (…). Exta exposição foi feita não para ficar aqui, terá um cariz itinerante, ela sairá daqui, depois do término dela, (…) irá para Mouriscas e depois circulará pelas nossas escolas, por todas as entidades, freguesias, por todas as coletividades que entenderem que têm interesse em acolher esta exposição”, informou.

O vereador manifestou ainda o desejo de que o património material e imaterial abrantino continue a ser preservado. “De facto, como a oliveira do Mouchão cá está há mais de 33 séculos, oxalá que nós estejamos à altura de a preservar, dignificar e cada vez a tornar mais um símbolo nacional porque, de facto, é isto que ela é. A oliveira do Mouchão é uma árvore de Portugal, de Abrantes, de Mouriscas, mas é sobretudo uma árvore de todos nós e marca muito daquilo que é o nosso património e do nosso legado imaterial e material ao longo destes 33 séculos”, concluiu Luís Dias.

ÁUDIO | Luís Dias durante a inauguração da exposição que aconteceu na Biblioteca Municipal

O autor dos textos e que se manifesta um verdadeiro apaixonado por árvores explicou que a mostra permite contar a história da oliveira mourisquense. “É a história da árvore que está aí contada (…), numa linguagem transversal que ao mesmo tempo se adapta a crianças e a adultos, foi essa a tentativa pelo menos”, disse Francisco Lopes.

“O que eu gostava mesmo é que isto pudesse ser o pontapé de saída (…) para ver se a árvore de Portugal não é, outra vez, um eucalipto qualquer”, disse. “Acho que estamos aqui perante um símbolo maior (…) que foi o que me fez escrever este texto também. Na realidade, o texto foi um pouco num tom de indignação”, referiu relativamente ao texto por si lido.

“O que é que nos falta enquanto comunidade para fazermos uma vénia a um ser vivo que está aqui e votarmos, transformarmos isto numa referência a nível nacional ? Porque já vem cá gente de todo o mundo. Esta árvore é transcendental pela sua idade porque, antes de mais, transcende a nossa civilização”, concluiu o autor.

ÁUDIO | Francisco Lopes é o autor do livro Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo

A cerimónia de lançamento do livro decorreu a 28 de outubro de 2022, nas instalações da SIFAMECA, em Mouriscas. O mediotejo.net esteve presente na sessão, onde Francisco Lopes explicou as razões que o levaram a “querer escrever este livro”, nomeadamente a sua “quase veneração pelos seres vivos que são as árvores.

Livro “Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo”, que esteve na origem da exposição. Foto: mediotejo.net

As árvores são a base da vida na terra”, disse, lembrando o pensamento de alguns cientistas a propósito das alterações climáticas: “só as árvores nos poderão salvar”. “Está nas Mouriscas, no fim de uma rua, no começo do campo. É uma árvore que nos fala de transcendência, do tamanho da natureza. Quando olhamos bem para ela, sentimo-nos insignificantes”.

Foi desta forma que o escritor José Luís Peixoto falou sobre a Oliveira do Mouchão – com 3350 anos – e foi a frase escolhida por Francisco Lopes para iniciar o livro sobre uma árvore que faz parte do património abrantino.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

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