Apresentação do DECIR Abrantes 2022, no Campo de futebol em Carvalhal. Foto: CMA

Conforme o mediotejo.net já havia noticiado, em 2022 o DECIR conta com 11 kits de Primeira Intervenção contra incêndios a serem gerido pelas juntas de freguesia, contando com um apoio de 175 mil euros (um aumento de mais 15 mil euros que em 2021).

Dez das 13 juntas de freguesia do concelho de Abrantes integram este ano o dispositivo municipal de combate a incêndios rurais, colocando no terreno viaturas equipadas com ‘kits’ de primeira intervenção e rádios de comunicação.

Fazem parte as juntas de Freguesia de Abrantes e Alferrarede, Aldeia do Mato e Souto, Bemposta, Mouriscas, S. Facundo e Vale das Mós, Rio de Moinhos, Tramagal, Carvalhal, Fontes e Pego, sendo que as duas últimas integram pela primeira vez o Dispositivo Especial Contra Incêndios Rurais.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, João Caseiro Gomes, presidiu à sessão de apresentação do dispositivo, no campo de futebol em Carvalhal, uma freguesia que destacou estar também “muito ligada à questão dos incêndios florestais e rurais” e que se inclui nas freguesias prioritárias para limpeza de florestas, no âmbito das medidas de combate aos incêndios rurais, juntamente com Fontes, Martinchel e União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto.

Na mostra perfilada dos meios operacionais e veículos deste dispositivo, foi salientada a relevância do trabalho em rede e em consonância para a época que se avizinha.

Foto: mediotejo.net

João Gomes falou na importância do empenhamento de todos os meios que integram o Dispositivo Municipal uma vez que se aproxima uma época de fogos rurais, situação com a qual o concelho de Abrantes está familiarizada dadas as caraterísticas do território e riscos que estas acarretam.

ÁUDIO | João Caseiro Gomes, vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, no discurso de abertura da apresentação do DECIR 2022, no Carvalhal

“Todos os anos este é um processo complexo, e só conseguimos ter resultados com um trabalho conjunto, de todos os operacionais presentes. Esta temática dos incêndios rurais e as intervenções só podem ser solucionadas quando há trabalho de equipa efetivo no terreno”, sublinhou.

Integram este conjunto de meios do DECIR abrantino, para prevenção e combate a incêndios rurais em 2022, os Bombeiros Voluntários de Abrantes, Cruz Vermelha Portuguesa, Sapadores Florestais da Associação de Agricultores, Sapadores florestais da CIMT, Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), Polícia de Segurança Pública, UEPS e Guarda Nacional Republicana, Juntas de Freguesia e os seus 11 Kits de Primeira Intervenção.

Em relação ao ano anterior, houve um acréscimo de duas freguesias a integrar o DECIR, que são Fontes e Pego. João Caseiro Gomes deixou uma palavra especial à freguesia de Fontes que se empenhou em aderir a este dispositivo, enquanto “território importante no combate a incêndios, infelizmente tem sido flagelado nos últimos anos com os incêndios”.

Foto: mediotejo.net

Também estão envolvidas empresas privadas, caso da Navigator, ALTRI, Gestiverde, sendo certo que a Proteção Civil Municipal faz o levantamento e garante o acesso a outros mecanismos que permitam reforçar os meios existentes, com outro grupo operacional e entidades envolvidas, que disponibiliza máquinas de rastos, niveladoras, cisternas, tratores, e outros.

“Está no nosso plano de ação, devidamente aprovado, e esses meios são também importantes para conseguirmos dar resposta”, concluiu.

João Gomes voltou a agradecer a todos o envolvimento e presença, e deixou o desejo de que “não seja um ano de muita intervenção, porque seria bom sinal. Queria dizer que não teríamos incêndios e problemas no nosso território”.

“Devido às condições climáticas, infelizmente este tem sido um ano seco, não prevê que seja um cenário ideal para entrar nesta fase, mas esperamos que corra tudo bem. Tenho a certeza que, com o empenho de todos, o trabalho de todos, nós iremos conseguir fazer um bom trabalho e fazer com que as coisas corram melhor para todos, sobretudo a nível de meios humanos e pessoas, que é isso que nos importa. Muito obrigado a todos”, terminou o edil.

Foto: mediotejo.net

O Município de Abrantes investiu cerca de 175 mil euros para apoio direto às freguesias para que possam operacionalizar os Kits de Primeira Intervenção. “Achamos que é dinheiro muito bem empregue. Estamos a salvaguardar as nossas florestas, mas sobretudo, salvaguardar as nossas pessoas. Isso é que é importante. Criarmos as melhores condições para salvaguardar as nossas populações”, frisou o vice-presidente da Câmara de Abrantes.

O DECIR, que arrancou em 2019 com seis juntas de freguesia, engloba hoje onze carrinhas de dez das 13 freguesias do município de Abrantes e resulta num apoio financeiro de 15 mil euros por ‘kit’ de primeira intervenção, composto por maquinaria, mangueira e tanque com capacidade de 600 litros de água, formação específica a dois operacionais por carrinha e fatos de proteção individual.

No âmbito do DECIR 2022, na época que agora arranca, as carrinhas das freguesias, nos períodos de alerta laranja e vermelho, comprometem-se a estar pré posicionadas em Locais Estratégicos de Estacionamento (LEE), dentro do limite da freguesia e em horários também definidos previamente pelo comandante dos Bombeiros de Abrantes e pela Proteção Civil Municipal, estando ao dispor e permanente comunicação via rádio para atuar quando detetada ocorrência.

Foto: mediotejo.net

Num concelho com uma área de 714 quilómetros quadrados, composto por uma vasta zona florestal e povoações muito dispersas por uma grande extensão, Paulo Ferreira, Coordenador Municipal de Proteção Civil, destacou a importância da atuação e aprontamento destes meios, nomeadamente a relevância do trabalho praticado pelos kits de Primeira Intervenção das juntas de freguesia, espalhados pelas várias localidades rurais.

Paulo Ferreira realçou o facto de o DECIR ter saído reforçado este ano com kits nas freguesias de Fontes e Pego, “duas áreas fundamentais com floresta, que estavam um pouco desfalcados de veículos ligeiros, que pela sua capacidade e caraterísticas, são muito rápidos e como estão na área da freguesia, poderão terminar com qualquer foco nascente logo no início”.

O Coordenador Municipal de Proteção Civil demonstrou preocupação com o concelho num todo, mas assumiu que as freguesias prioritárias têm especial atenção, na zona norte do concelho, onde “o relevo e a vegetação” são fatores que aumentam o risco de propagação do fogo e dificultam o combate.

Paulo Ferreira, Comandante Operacional Municipal do Município de Abrantes, cumprimenta uma das equipas de sapadores florestais do DECIR 2022. Foto: mediotejo.net

Há um reforço de meios preparado para vigilância nestas quatro freguesias com maior risco de incêndio, e está a ser implementado o programa Aldeia Segura Pessoas Seguras em localidades visadas, nomeadamente em Carril e Sobral Basto (Carvalhal), Maxial e Maxial de Além (Fontes) Brunheta, Ribeira da Brunheta e em Aldeia do Mato.

Nestes locais já foram nomeados os oficiais de segurança, responsáveis por gerir passo a passo a ativação do programa, estando também já colocada alguma sinalética. Depois, com convocatória de cada presidente de Junta, serão feitas sessões de esclarecimento às populações para explicar o que fazer “caso seja necessário evacuar a localidade”.

ÁUDIO | Paulo Ferreira, Coordenador Municipal de Proteção Civil e Comandante Operacional Municipal do Município de Abrantes

“Pretendemos com o DECIR e os kits das freguesias, mostrar à população que tem ali alguém que se preocupa também com as pessoas, e que estão ali no primeiro embate. Mas apesar de estarem na sua freguesia, as equipas dos kits de Primeira Intervenção ajudam sempre nas outras freguesias, sempre que necessário, e colaboram até em concelhos vizinhos, com localidades confinantes”, referiu o Comandante Operacional Municipal, falando no exemplo de Bemposta, que acorreu já a foco de incêndio no concelho de Chamusca, junto aos Foros de Arrão. “Não é só para os nossos, também ajudamos os de fora”, afirmou.

A atuação destes kits revela-se “fundamental” por permitir extinguir focos de incêndio logo à partida, impedindo que ganhem força e se propaguem pelo território. “Este ano já tivemos um foco de incêndio na zona de Fontes, e o kit da junta de freguesia de Aldeia do Mato e Souto que extinguiu logo o incêndio, nem foi preciso acionar os bombeiros. Claro que, se não existisse kit, pois possivelmente teríamos um incêndio com alguma dimensão”, admitiu.

Foto: mediotejo.net

O Serviço de Proteção Civil Municipal tem ainda um levantamento de parcerias com empresas privadas/civis que estão na disposição de emprestar veículos, máquinas, camiões, cisternas, tratores, um reforço extra que é inserido no Plano Operacional Municipal e que é acionado assim que necessário.

O DECIR está operacional e ativo desde a semana passada, mas os kits de Primeira Intervenção são colocados ao serviço quando é decretado alerta laranja ou vermelho pelo Comando Distrital, ficando todos os agentes integrados no dispositivo pré-posicionados e em alerta.

“Determinamos um local para ficarem em vigilância, ficam pré-posicionados, depois com o sistema de rádio montado no concelho, é fácil comunicar e informar de qualquer aviso ou foco nascente”, explicou.

Questionado sobre se este dispositivo poderá continuar a expandir-se, podendo incluir nomeadamente associações e coletividades, Paulo Ferreira referiu que há essa abertura e que “a Câmara está a tentar fazer um protocolo com as associações de caçadores, até porque temos algumas que já nos ajudam bastante nesta época dos incêndios e colaboram logo, prontamente, com os seus kits”, servindo este protocolo para dar alguma ajuda financeira para a operacionalização e manutenção dos seus kits.

Foto: mediotejo.net

“Felizmente as pessoas estão a aderir e colaborar, e estão a perceber que se trabalharmos todos, em conjunto, é muito mais fácil”, disse, mostrando-se confiante com o caminho de sucesso deste dispositivo municipal.

Outro fator que vê com otimismo é a adesão e preocupação dos proprietários à limpeza de terrenos no concelho, uma vez que foram identificados cerca de 80 após fiscalização com as autoridades.

“Nota-se que as pessoas estão mais preocupadas e o número de infrações detetadas este ano pela GNR foi muito inferior ao ano passado. Há preocupação em limpar e assim que enviamos notificação, os proprietários colaboram e limpam. Estão a aderir muito à limpeza dos terrenos”, admitiu, por fim.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 Comentário

  1. São zonas muito fustigadas pelos incêndios, sim deve-se investir na sua prevenção, por forma a proteger as florestas e meios rurais.

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