Foi entregue o Prémio Municipal Maria de Lourdes Pintasilgo a Natália Margarido, responsável pela empresa Margarido & Margarido, a vencedora da 1ª edição da iniciativa. Foto: mediotejo.net

Abrantes voltou a trazer a debate e reflexão as iniciativas e projetos desenvolvidos nos setores da Ação Social e da Saúde, com a edição de 2023 das Jornadas organizadas pelo Município de Abrantes. Além de projetos de integração e inovação social de outros pontos do país, também foram apresentadas respostas criadas e implementadas no concelho de Abrantes que visam dar melhor qualidade de vida à comunidade. No primeiro dia das Jornadas Sociais e da Saúde foi ainda entregue o Prémio Municipal Maria de Lourdes Pintasilgo a Natália Margarido, da empresa Margarido & Margarido, vencedora da 1ª edição da iniciativa.

Durante a manhã de segunda-feira, dia 11 de dezembro, logo a abrir a semana, foram partilhados projetos de inovação social dinamizados em parcerias e com criatividade junto das comunidades locais, trabalhando para a qualidade de vida, promoção da saúde, prevenção de doenças mentais e combatendo o isolamento e solidão através de iniciativas desenhadas para um envelhecimento ativo.

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A abertura oficial coube a Raquel Olhicas, vereadora com os pelouros da Ação Social e Saúde na Câmara Municipal de Abrantes, que designou estas jornadas como um “fórum valiosíssimo para a construção de pontes entre o setor social e o setor da saúde, potenciando a colaboração interdisciplinar” com vista a encontrar “soluções mais abrangentes e sustentáveis” por via de sinergias que consigam “enfrentar os desafios complexos deste futuro presente”.

O primeiro painel foi moderado por Alexandra Neves, representante regional do programa Portugal Inovação Social e membro da direção do Centro Social Paroquial dos Pousos, tendo a responsável lembrado tratar-se de um programa do Portugal2030, em que se financiam respostas complementares de inovação social que o Estado apoia através do empreendedorismo social, colocando-o ao lado da política pública. O programa Portugal Inovação Social financia cerca de 700 projetos de inovação social de norte a sul do país.

Relevou, ainda, que é definido um problema social, sendo apresentada uma proposta diferenciadora por parte de instituições ou entidades, sendo que são medidos depois impactos e resultados, gerando mais qualidade de vida à comunidade com quem trabalham e para quem trabalham diretamente.

“Estes projetos têm na sua génese a replicabilidade. Para inspirarem os territórios, para que os projetos se possam tornar uma política pública pelo país”, notou.

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O primeiro caso apresentado foi o projeto BioAromas, promovido pelo Centro de Ciência Viva da Floresta de Proença-a-Nova, e lançado em 2020. Edite Fernandes, engenheira florestal e diretora do CCV da Floresta, explicou tratar-se de um Laboratório de Inovação e Integração Social (LIIS).

Este Laboratório nasceu na Escola Secundária de Proença-a-Nova, onde existe uma resposta de ocupação dos jovens com necessidades especiais até aos 18 anos. O problema social que este LIIS veio colmatar foi precisamente a ocupação destes jovens a partir dos 18 anos.

Os jovens participam neste projeto com a produção de plantas aromáticas e condimentares, desde a semente até à venda do produto na loja do CCV. Foi criada a marca É Capaz, com 16 infusões lançadas, tendo sido também adaptadas instalações e criados novos equipamentos para acolher os participantes deste projeto e permitir dinamizar a iniciativa de produção.

Apesar da pandemia o projeto foi executado com sucesso, e passaram 17 jovens pelo programa, ultrapassando a meta definida inicialmente na candidatura.

As infusões encontram-se à venda em supermercado e na loja do CCV, e ainda em loja do Mercado de Benfica. A embalagem contou com contributo dos jovens, pois desenharam cada planta.

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O projeto, que é conciliado com muitas outras atividades em que participam os jovens, mereceu prémio do BPI Capacitar, e futuramente, em janeiro, irá abrir a Cafetaria Officinalis, que representa a continuidade do projeto.

Neste ponto, Alexandra Neves destacou que, em Portugal, “empregar pessoas com deficiência continua a ser uma utopia”, entendendo que este tipo de projeto promove competências de empregabilidade, prevendo a integração dos jovens ou adaptando e criando negócios sociais sustentáveis que vão ao encontro das suas capacidades.

Da Santa Casa da Misericórdia de Pampilhosa da Serra chegou Flávia Brito, que apresentou o projeto Encurtar Distâncias, o qual coordena. Este é um projeto itinerante de combate ao isolamento social, destinado à população mais idosa.

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O objetivo passou, precisamente, por encurtar as distâncias entre as pessoas, não só geográficas e sociais como também emocionais, tendo como eixos o Ponto de Encontro, em que se capacitam os participantes para o uso das redes sociais e das novas tecnologias, tendo sido traçado o projeto antes da pandemia, mas “tendo arrancado durante a pandemia acabou por fazer ainda mais sentido”. “Acabámos por ser facilitadores do contacto dos nossos participantes com as famílias e conhecidos, uma vez que tinham de estar mais isolados”, explicou a coordenadora.

O outro eixo Move Mundos trabalha a parte cognitiva e a criatividade, e um terceiro eixo passava pelo Oficina da Pampi, onde foi criada uma boneca de trapos – a Pampi – “com base nas tradições e memórias dos seniores” sobre o concelho, levantando saberes e tradições locais.

Passando para a sub-região do Médio Tejo, a psicóloga Carolina Henriques, da Câmara Municipal de Ourém, trouxe o exemplo do projeto Ombro Amigo, uma iniciativa que serve de resposta à doença mental associada ao isolamento.

No caso de Ourém verificou-se “um aumento de situações de doença mental associado a taxa cada vez maior de desemprego, tanto em jovens que desistiam da escola e que não encontravam respostas em termos de trabalho, como pessoas de meia idade que deixavam de trabalhar e que estavam muito isoladas”.

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O objetivo passou por combater o isolamento, mas alargando aos jovens. Foram sinalizadas a este projeto 286 pessoas, com pedidos de apoio para pessoas isoladas e em situação de vulnerabilidade social e económica, tendo sido acompanhadas 165 pessoas ao longo do mesmo. Cerca de 140 pessoas desistiram, faleceram ou abandonaram e retomaram o projeto.

O trabalho no terreno passou em agosto de 2023 a ser promovido com apoio do Município de Ourém, por via de protocolo, contando com nove investidores sociais que impulsionaram a dinamização do projeto.

Entre as atividades consta o serviço domiciliário de proximidade, acompanhamento nas tarefas do dia-a-dia, dinamização de workshops por voluntários da comunidade, caminhadas, recolhas solidárias, etc.

Por último, tomou a palavra Inês Teixeira, adjunta de Comando dos Bombeiros de Peniche, socióloga com especialização em gerontologia social e bombeira voluntária desde 2008 na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Peniche, apresentando o projeto Escolinha dos Bombeiros da qual é coordenadora. Trata-se de uma iniciativa de combate ao insucesso escolar e abandono escolar precoce, mas também de promoção da cidadania ativa e responsabilidade social.

Em Peniche podem ingressar nos bombeiros crianças a partir dos 6 anos, com os infantes e cadetes, mas estes têm que entregar as suas avaliações para aferir o bom desempenho escolar, pretendendo-se incutir a preocupação e responsabilidade escolar constante.

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“Começámos por recolher as crianças na escola, após o horário escolar, onde promovíamos um pequeno momento de convívio com oferta do lanche, passando depois para sala de aula com acompanhamento ao estudo, elaboração dos trabalhos de casa, e no fim promoviam-se atividades e dinâmicas. Por fim, as crianças era levadas de volta a casa. Todo o tempo após o horário escolar os Bombeiros conseguiam preencher”, explicou Inês Teixeira.

Na sexta-feira eram apenas promovidas atividades relacionadas com os Bombeiros, com instruções adaptadas às suas idades. Dois técnicos acompanharam o processo de perto, tendo uma psicóloga feito intervenção com o grupo de crianças.

O projeto da Escolinha de Bombeiros permitiu corrigir comportamentos e problemas disciplinares nas escolas, sendo que ao alterar-se o paradigma neste ponto, também existiram repercussões no sucesso escolar. “Começaram a viver as coisas de forma diferente. Começaram a perceber que têm responsabilidade, até pelo facto de terem uma farda, que lhes incutia essa responsabilidade de fazer e ser diferente”, notou.

Todas as participantes apresentaram perspetivas de futuro para os seus projetos, pretendendo expandir e alargar o público-alvo. Por outro lado, também foi frisada a importância da replicabilidade dos projetos de empreendedorismo social.

Foi demonstrada uma visão de continuidade, de crescimento e evolução, bem como expansão e réplica para outros concelhos do país, mas também vontade de retoma de projetos e de criar novos produtos e marcas para promover as iniciativas.

Na sessão, a vereadora Raquel Olhicas moderou o segundo e último painel do primeiro dia, onde foram apresentados projetos implementados em Abrantes, vistos como experiências inovadoras e que têm dado frutos junto da comunidade do concelho.

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“O nosso contexto socioeconómico tem algumas fragilidades. As necessidades são muitas. Os recursos muitas vezes são parcos. E temos de inovar, com criatividade, e realmente com inovação social”, introduziu Raquel Olhicas.

Começou por falar a psicomotricista Ana Santos, em representação da associação Human Coop CRL, cooperativa de solidariedade social sem fins lucrativos, criada em 2019, com sede em Rossio ao Sul do Tejo, que falou do projeto Aprender + com a Europa, apoiado pelo programa Erasmus+ KA1, por via da capacitação e contacto com respostas sociais inovadoras no estrangeiro e que podem ser replicadas ou adaptadas ao contexto local.

Não sendo “uma instituição típica”, o trabalho é feito na comunidade, junto da população sénior, onde é a Human Coop que parte ao encontro do público-alvo, contando com apoio de parceiros para tal, caso das juntas de freguesia, Câmara Municipal de Abrantes e associações.

Este projeto de curta duração, de 18 meses, ao abrigo do programa ERASMUS+ permite a participação por via de mobilidade em cursos de formação e jobshadowing nas áreas do envelhecimento ativo; promoção da saúde mental e prevenção de demências; intervenção nas demências; gestão de projetos. 

A Human Coop é considerada uma entidade de educação não formal, sendo por isso elegível para este programa, sendo que as atividades que promove enquadram-se neste padrão em que as pessoas desenvolvem competências a nível cognitivo, físico, emocionais, sociais, etc.

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Por via do conceito Academia da Mente, criado pela cooperativa, são dinamizadas atividades de dança sénior, estimulação cognitiva e atividades criativas, sendo desenvolvidas na comunidade, uma vez por semana e em grupo, com pessoas seniores e pessoas adultas com fragilidades, sendo que o objetivo passa por combater o isolamento social.

Procurando adquirir novos conhecimentos e criar novas práticas nestas temáticas, as técnicas têm procurado participar em diversos fóruns e conferências que permitem a capacitação e certificação de métodos pioneiros e ações inovadoras.

No futuro a Human Coop pretende disponibilizar consultas de acompanhamento, e por outro lado, Ana Santos deu conta de um “marco importante” em que, por via do Congresso Internacional de Dança Sénior de 2023, Portugal se tornou país membro, sendo uma das representantes da modalidade no Comité Internacional.

“Estamos a formar novos líderes de dança sénior em Portugal para podermos levar a mais pessoas porque é uma ferramenta extremamente importante de envelhecimento ativo. Trabalha a área física, cognitiva, emocional, social de uma forma que as pessoas não se apercebem”, frisou.

A Human Coop pretende ainda promover uma resposta mais específica na intervenção em caso de demência, dinamizando rastreios e despistando sinais, bem como efetuando diagnóstico.

De âmbito escolar, foi apresentada a associação Juventude Amiga, na voz do docente Abel Leite, um dos professores que integra a direção do projeto em causa, dinamizado na Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes.

O projeto pretende ajudar os alunos carenciados e respetivas famílias, sendo que o diretor de turma serve de intermediário e que dá a conhecer situações que necessitam de intervenção ou acompanhamento.

Resultou da disciplina de Área de Projeto, no 12º ano, em 2006, sendo que as áreas de intervenção são a comunidade escolar, os centros de dia, existindo parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, jardins de infância/escolas de 1º Ciclo (Escola de Chainça e Escola António Torrado) e famílias dos alunos, do 1º ciclo ao Secundário.

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São intervenientes os alunos do Secundário, envolvidos por via de atividades de voluntariado, de solidariedade social e cidadania ativa ao longo do ano.

Por outro lado, no apoio às famílias dos alunos carenciados são desenvolvidas campanhas de angariação de bens, nomeadamente no Natal, com recolha de alimentos que serão entregues na semana que antecede o Dia de Natal. “Não damos a conhecer os alunos carenciados nem as famílias, não temos uma caridade envergonhada, é por uma questão de respeito”, notou o docente.

Os alunos são parte ativa, inscrevendo-se todos os anos para participar na associação, sendo que este ano se atingiu o recorde com mais de 200 inscritos.

São promovidas atividades por forma a prosseguir com os objetivos, nomeadamente para aquisição dos materiais e bens alimentares que sejam necessários, com realização de feiras temáticas para angariar fundos, mas também com aceitação de donativos. A distribuição de comida, roupas e bens materiais, como mobiliário e eletrodomésticos, acontece ao longo do ano; já o voluntariado é promovido com os alunos do Secundário a apoiar os alunos dos jardins de infância e primeiro ciclo das escolas básicas do Agrupamento de Escolas nº2.

Além disso, há ligação a outras instituições e associações, sendo que, por exemplo, os alunos participam como voluntários no peditório anual da Liga Portuguesa contra o Cancro.

A caminhar para a última parte foi introduzido o projeto Yoloabt.com, de apoio aos migrantes no concelho de Abrantes, que resulta de candidatura em parceria com a Cruz Vermelha, enquanto entidade promotora, sendo que a Câmara Municipal de Abrantes é entidade gestora.

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O objetivo primordial passa por “diminuir as barreiras culturais existentes entre a comunidade maioritária e a minoritária e promover a efetiva e consolidada integração social e o aumento do exercício de cidadania por parte dos participantes, promovendo a consciencialização dos seus deveres enquanto cidadãos”.

O projeto vai intervir diretamente junto de 60 crianças e jovens e 120 pessoas adultas de forma indireta, cabendo à Cruz Vermelha trabalhar com estes cidadãos migrantes, incidindo nos principais problemas diagnosticados no Plano de Desenvolvimento Social e Diagnóstico Social), nomeadamente o desemprego entre jovens migrantes, desigualdades sociais e segregação cultural.

Atualmente conta com 38 inscritos, e têm sido dinamizadas atividades que desenvolvem competências pessoais e sociais das crianças tendo em conta um contexto de carência ou desamparo. As crianças e jovens têm sido encaminhadas pelos serviços de ação social da autarquia.

Em março do próximo ano será apresentado o primeiro relatório, sendo que o balanço até agora é positivo, crendo-se que irá dar cartas no futuro, conforme indicou a coordenadora do projeto, Inês Nunes.

A encerrar o painel foi apresentado como projeto de inovação social a Carrinha do Cidadão do Município de Abrantes, pela voz de Margarida Gomes, chefe de Divisão do Desenvolvimento Social.

Este projeto municipal de âmbito social foi criado em 2019, servindo para aproximar as pessoas aos serviços, aproximando os cidadãos mais isolados, permitindo que a autarquia vá ao encontro das pessoas que necessitam.

Resultante de uma proposta submetida ao Orçamento Participativo do Município de Abrantes, que inicialmente serviu as freguesias do norte do concelho, mais afastadas da cidade, o projeto acabou por ser expandido a todas as freguesias em 2020, com reforço dos serviços prestados à comunidade, conforme explicou Margarida Gomes.

“É um gabinete de atendimento itinerante, que se desloca às várias freguesias do concelho, leva um apoio mais próximo e efetivo aos que não se podem deslocar aos serviços na comunidade. Os utentes são essencialmente idosos, pessoas com baixa escolaridade, com fracos recursos, e com mobilidade reduzida”, disse.

A Carrinha do Cidadão já realizou cerca de 3700 atendimentos, sendo considerado um “serviço de excelência”. Atualmente perfaz uma centena de atendimentos mensais em 44 lugares do concelho.

Entre os serviços prestados numa ótica de descentralização sobre rodas estão os Serviços Municipalizados e Câmara Municipal, Segurança Social Direta que engloba as pensões e complementos e a requisição de prestações; Finanças; IMT; candidaturas à Porta65; etc.

A carrinha tornou-se “uma companheira dos lugares distantes e isolados, onde quase ninguém passa”, sendo um “serviço em constante evolução”, que aproxima os municípes, autarquia e outros serviços, estando na mira o acréscimo de novas valências para o futuro.

No final da manhã decorreu a entrega do Prémio Municipal Maria de Lourdes Pintasilgo à empresa Margarido & Margarido. A autarquia já havia indicado que a empresa ganhou a primeira edição da iniciativa, tendo sido atribuído um prémio de 500,00€ e um certificado de mérito, reconhecendo a mesma como um dos melhores locais para trabalhar, conforme previsto no ponto 1 do art.º 7º do Regulamento.

O objetivo deste prémio é “distinguir as entidades públicas e/ou privadas, sediadas no concelho de Abrantes, que implementem boas práticas na integração de medidas na promoção da igualdade e conciliação das necessidades quotidianas dos/as seus/suas trabalhadores/as, com a atividade profissional, bem como a promoção do seu bem-estar físico e emocional”.

Trata-se de um prémio bienal e a primeira edição vigorou entre 2021-2022, período em que as empresas interessadas tiveram oportunidade de se candidatarem, identificando as suas boas práticas.

Refira-se que o Prémio foi criado pelo Município de Abrantes no âmbito do Plano Municipal para a Cidadania, Igualdade de Género e não Discriminação, sendo também uma homenagem a Maria de Lourdes Pintasilgo, nascida na cidade de Abrantes e que foi a primeira e única mulher, até ao momento, a ocupar o cargo de primeira-ministra em Portugal, sendo uma referência e inspiração no setor social.

Natália Margarido recebeu a distinção das mãos de Raquel Olhicas, vereadora da CM Abrantes, sendo que também apresentou as boas práticas reconhecidas neste prémio municipal, bem como o Plano para a Igualdade de Género da sua empresa.

Foto: mediotejo.net

A empresária falou da génese do negócio, com 81 anos de história, referenciando algumas políticas e iniciativas. Rompendo com o ciclo após duas gerações de homens ao comando da empresa, Natália Margarido assumiu a gerência da empresa familiar, ao ingressar em 2003, e assume que as questões da igualdade de género a preocupam.

“[Na empresa] somos cerca de 60% de mulheres contra 30% de homens. A chefia é maioritariamente feminina, 80% são mulheres”, mencionou.

Na Margarido & Margarido, a engenheira foi tentando implementar medidas das quais só se apercebeu há cerca de três anos, aquando a entrada de uma técnica de Recursos Humanos, formada em Psicologia, que colocou em papel o que já era desenvolvido neste âmbito da promoção da igualdade de género.

A estratégia da empresa incide em diversos eixos, que passam por promover a igualdade no acesso ao emprego, com processos de recrutamento e seleção justos, objetivos, quer para homens, quer para mulheres; promover a formação inicial e contínua que pretende contrariar barreiras estruturais à igualdade entre homens e mulheres, tendo sido desenvolvida uma newsletter interna ‘fora da caixa’, que chega por e-mail ou é impressa e fornecida aos trabalhadores, estando ainda disponível na capa do colaborador na sala de convívio, que todos podem consultar com informações da empresa e abordagem a diversos temas.

Existe ainda uma caixa de sugestões onde os colaboradores indicam aspetos a melhorar ou manifestam algo que gostariam de ver implementado.

Foto: Margarido’s

Também a proteção da parentalidade é incentivada com divulgação dos instrumentos de apoio, mas também existe uma política de igualdade das condições de trabalho independentemente do género, com o princípio de salário igual para trabalho igual, além do equilíbrio promovido na ocupação de lugares estratégicos/postos de trabalho na empresa. O mesmo princípio de igualdade se aplica ao assegurar processo de avaliação “justo e objetivo”.

A Margarido & Margarido trabalha ainda o eixo da conciliação da vida profissional com a vida familiar e pessoal, em que se pretende garantir organização em função da produtividade mas também das necessidades de conciliação entre as várias dimensões da vida do trabalhador ou trabalhadora. Por fim, o plano aplica ainda medidas de prevenção e combate ao assédio no trabalho.

Além disso, têm sido dinamizadas atividades internas, com envolvimento dos colaboradores, nas mais diversas áreas e temáticas, com workshops e capacitação dos funcionários. Também existem protocolos e parcerias com serviços de saúde e bem-estar com a empresa a disponibilizar descontos no acesso. A empresa contém ainda um ginásio e aulas de ioga duas vezes por mês, promovendo o bem-estar psicossocial.

“A nossa psicóloga tem um papel fundamental para mobilizar e atender e dar conselhos aos trabalhadores”, indicou Natália Margarido.

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Para o futuro está previsto e a ser ponderado a dispensa das gestantes até ao limite máximo de cinco dias de calendário no período imediatamente anterior à data prevista para o parto, sem repercussão remuneratória e também um complemento do subsídio parental concedido pela Segurança Social, “que dá quatro meses, mas queremos fazer a diferença e dar esse valor para que as nossas colaboradoras consigam estar um pouco mais com os seus filhos, porque é extremamente importante. E eu, sendo mulher e mãe, sei o que é”, deslindou a empresária.

Frisando que há um longo caminho a percorrer na senda da igualdade de género, Raquel Olhicas sublinhou o facto de a empresa abrantina ser “familiarmente responsável”, salientando as “práticas de qualidade” que levaram a que fossem vencedores do Prémio Municipal Maria de Lourdes Pintasilgo, “um prémio simbólico, pecuniário”.

Natália Margarido agradeceu, ao receber o prémio monetário de 500 euros e o certificado de mérito, mas sublinhou que não se trata apenas de reconhecimento ou do valor do prémio, mas “pelo que as empresas podem fazer” tirando o exemplo.

“Não é só para nós este prémio; é para todas as empresas, para que todas melhorem e que acreditem e que ajudem os colaboradores que neste momento estão com condições completamente desajustadas”, concluiu, em jeito de apelo.

PROGRAMA

Terça-feira, dia 12 dezembro

09h00 – Abertura do Secretariado – Acolhimento dos/as participantes

09h30 – Sessão de Abertura

Manuel Jorge Valamatos – Presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Casimiro Ramos – Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo

10h00 – Painel I “Parto e Parentalidade – Experiências positivas em Abrantes”

Moderadora: Hermínia Barradas – Centro Hospitalar do Médio Tejo

“Papys e babys” – Paula Gil e Catarina Cardoso

Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes (UCC)

“Preparação para o nascimento e parentalidade – Método Gentlebirth” – Paula Carrilho

Maternidade do Centro Hospitalar de Abrantes

10h45 – Coffee Break

11h00 – Painel II “Caminhar com Dignidade”

Moderadora: Maria José Mota – ACES Médio Tejo

“Programa Mais Vida” – Luís Valente – Câmara Municipal de Abrantes

“Walk with a Doc” – Susana Silva – USF D. Francisco de Almeida de Abrantes

“A Realidade da Prestação de Cuidados da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos da Lezíria” (ECSCP) – Teresa Nogueira – ACES Lezíria

“Paliativos Intra-hospitalares” – Joana Cardoso – Centro Hospitalar do Médio Tejo – (EIHSCP)

12h30 – Sessão de Encerramento

Raquel Olhicas – Vereadora da Câmara Municipal de Abrantes (Ação Social e Saúde)

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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