Um açude similar ao açude Insuflável no rio Tejo, em Abrantes, pode vir a ser replicado a jusante, na zona de Praia do Ribatejo. Foto arquivo:: CMA

Manuel Valamatos, vereador da CM Abrantes, identificou, em declarações ao mediotejo.net, o baixo caudal e as questões de poluição do rio Tejo como entraves à execução do estudo de transponibilidade e avaliação da migração piscícola a ser levado a cabo desde setembro de 2016 no açude insuflável de Abrantes. Ainda assim o vereador espera que “melhores dias possam vir, permitindo que o estudo possa decorrer de forma o mais eficaz possível”, acrescentando que estes fatores externos não são “controláveis” e estão a atrasar o ciclo migratório dos peixes, dificultando a sua captura para rastreamento.

Bernardo Quintela e Pedro Raposo, professores das Universidades de Lisboa e de Évora, respetivamente, e especialistas em espécies piscícolas de água doce, foram escolhidos pela autarquia para a concretização de uma parceria para realização de um estudo da transponibilidade do açude, dos peixes da comunidade piscícola, “para se perceber os seus movimentos e a sua relação com o açude”, explicou Manuel Valamatos.

“Estão a ser chipados os peixes e vão continuar a sê-lo nesta altura, uma vez que a espécie que estamos a estudar de forma mais determinada é a lampreia, e estes peixes têm um período de migração e um ciclo específico, sei que neste momento se está a fazer trabalho de captura dos peixes para que possam ser chipados e depois devolvidos à água”, notou o vereador, lembrando que é no final do mês de fevereiro e início do mês de março que se verifica a época específica de migração dos peixes.

Porém, Manuel Valamatos disse ter recebido ainda informação de que se nota “atraso temporal neste estudo”, fazendo notar que “do ponto de vista técnico, por via dos baixos caudais do rio bem como as questões de poluição, e as temperaturas que não são as mais normais, de acordo com a informação, os peixes não estão a fazer a sua migração de forma normal”.

O grau de poluição e os baixos caudais do rio, “influenciam de alguma maneira a captura dos peixes”, pelo que se estão a levantar dificuldades relativamente à execução do estudo dentro da cronologia inicialmente prevista. Ainda assim, o vereador reconhece que “o açude, quando foi construído, não o foi a pensar seguramente neste níveis de caudal que o rio hoje apresenta”, ressalvou.

O autarca frisou que, do ponto de vista científico, “estão reunidas todas as condições para que se possa desenvolver [o estudo], esperemos é que o rio possa manifestar-se de melhor forma, e que as questões externas, caso das temperaturas, possam voltar à normalidade e que o estudo possa dar informações sobre aquilo que queremos melhorar, ou seja, informações concretas do ponto de vista cientifico para fazermos as alterações necessárias para não pôr em causa a vida dos peixes e da comunidade piscatória no nosso concelho”, terminou Manuel Valamatos.

Recorde-se que está a ser efetuado um estudo semelhante ao que fora implementado no Açude-Ponte de Coimbra, no rio Mondego.

Maria do Céu Albuquerque, autarca abrantina, já havia referido em sessão de executivo camarário que se pretende instalar um sistema de monitorização no ParqueTejo, que funcione à semelhança do sistema instalado em Coimbra, sendo “mais um fator de atração e distinção para podermos conhecer as espécies autóctones que constituem o acervo natural do nosso rio”.

Mais informou a autarca que, quanto à manutenção do açude, a CMA tem um plano para instalar um sistema contínuo de monitorização do açude, encontrando-se a autarquia à espera de uma proposta que permita, numa primeira fase, corrigir aquilo que aconteceu depois de o açude ter sido vandalizado e após se verificar um problema numa das comportas insufláveis.

Na altura, a presidente da câmara esperava que surgissem brevemente novidades quanto a este assunto, algo que ainda não foi tornado público.

Saiba mais sobre este estudo da transponibilidade do açude insuflável.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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