Continua a saga sobre a presença de javalis na zona urbana da cidade de Abrantes, nomeadamente no perímetro do hospital, com relatos e registos em vídeo por parte dos automobilistas que se cruzam com a espécie em plenas avenidas. A autarquia continua a procurar soluções para “mitigar” o problema cuja resolução é “complexa”, e que depende em primeira instância do ICNF, organismo com competência nesta matéria. A Câmara de Abrantes conta avançar com limpeza e desmatação de terrenos para afugentar os animais da zona urbana, estando ainda a fazer contactos quanto aos terrenos privados.
Em reunião de Câmara Municipal desta terça-feira, dia 17 de outubro, surgiu mais um alerta sobre o avistamento de javalis e invasão da via pública pelos animais na zona urbana da cidade de Abrantes, com Vasco Damas, vereador do ALTERNATIVAcom, a referir-se ao facto de o problema se manter apesar do “show off na apresentação de soluções que saiu em tudo o que era comunicação social”.
“O problema mantém-se e manter-se-á enquanto não for resolvido na sua origem”, alertou.

O vereador sugeriu que “enquanto não há condições técnicas e financeiras para se proceder à limpeza dos vales onde os animais se abrigam em segurança, perguntamos se não pedem as regras do bom senso que se sinalize este problema para alertar os abrantinos mais distraídos e todos aqueles que nos visitam para evitar que este problema possa atingir proporções ainda maiores”.
Perante este “alerta e sugestão” do vereador da oposição, e questionado pela comunicação social à margem da reunião de executivo camarário, Manuel Jorge Valamatos (PS), presidente da Câmara de Abrantes, referiu que o Gabinete de Proteção Civil reuniu com o ICNF, que é quem “tutela a gestão de espécies invasoras, do domínio do abate, do equilíbrio de espécies”.
Salientou o trabalho que “tem vindo a ser feito entre a autarquia, o ICNF e a Associação de Caçadores de Alferrarede Velha”, destacando ainda o “trabalho extraordinário de colaboração neste processo” desta associação.
Frisando que que a Associação de Caçadores “nunca terá autorização para, em espaço urbano, no meio da cidade, poder dar tiros”, o presidente notou que a autarquia está “a providenciar ações de limpeza de terrenos” que são propriedade municipal.

Por outro lado, evidenciou a dificuldade que se prende com a existência de terrenos privados em que “não há lei nenhuma que obrigue à limpeza e desmatação de todos esses terrenos”, sendo este um entrave ao processo, e estando a ser feitos contactos com proprietários.
A limpeza e desmatação é uma das medidas a implementar pela autarquia, no sentido de “criar piores condições para o habitat dos javalis” e por isso afastá-los das zonas urbanas e residenciais.
Reconhecendo que “é uma situação complexa”, o autarca sublinhou “estão a ser desenvolvidas ações para mitigar este problema dos crescentes avistamentos e invasão da zona urbana por javalis” em união de esforços entre a Câmara Municipal e a Associação de Caçadores de Alferrarede.
Ainda assim, Manuel Jorge Valamatos sublinhou que “este não é um assunto exclusivo de Abrantes, é de toda a região e do país, e até mesmo no estrangeiro [acontece]. Há muitos motivos para esta proliferação da espécie e entrada dos animais em zonas urbanas, também o comportamento humano tem permitido o avanço destas espécies e agora temos um problema entre mãos”, sinalizou.
“Tem que haver regras e normas que são orientações do ICNF, que é quem dá licença para batidas dos javalis. São precisos selos que são atribuídos às associações de caçadores para autorizar o abate dos javalis. Nem sequer a Câmara Municipal poderia desencadear qualquer processo sobre isso. São pessoas devidamente licenciadas e habilitadas para estas ações que o podem fazer”, notou.
“É um trabalho complexo, difícil e há várias situações que nos preocupam, estão sinalizadas, o ICNF tem a informação”, reiterou.

Na zona do hospital de Abrantes são frequentes os avistamentos, além da circulação nas redes sociais de registos em vídeo e fotografias da presença dos javalis nos separadores e zonas ajardinadas na avenida e zona residencial, e recentemente o próprio presidente do Centro Hospitalar do Médio Tejo reportou ao ICNF o facto de os animais se aproximaram do perímetro da unidade hospitalar de Abrantes, deu conta o presidente de Câmara.
O autarca indicou ainda que esta situação também exige “bom senso” da população e de quem circula nestas áreas sinalizadas e onde frequentemente se avistam os animais em causa.
“Estamos com o ICNF e em particular com a Associação de Caçadores de Alferrarede a tentar construir uma estratégia capaz de mitigar o problema”, afirma o edil, sobre um problema complexo que se arrasta e que continua sem solução à vista, com crescente proliferação de javalis na cidade.
Refira-se que o problema da proliferação excessiva de javalis tem causado preocupações em zonas urbanas, com avistamentos e frequência comum desta espécie à qual a presença humana parece não incomodar.
Também nas zonas rurais e de cultivos agrícolas se tem revelado um problema, com as associações de caçadores a entrarem em ação para tentar corrigir densidades e minorar os estragos e prejuízos que os javalis têm causado a grandes produtores de milho, mas também aos proprietários de pequenas hortas cuja produção se destina a consumo próprio.

No Canadá têm um programa de esterilização dos machos dominantes para reduzir a reprodutividade.
Os javalis tem que ser abatidos ou vão para outro lugar fazer estragos e o pam não venha com outras ideias pois eles são uma peste