O momento de maior emoção, na entrada de touros na Chamusca. Foto: mediotejo.net

Dois anos depois, a tradição repetiu-se na Chamusca. Passada a pior fase da pandemia, milhares de pessoas vibraram nesta quinta feira de Ascensão, dia 26, com a entrada de touros, momento alto da semana da Ascensão que termina no domingo, dia 29 de maio.

Há quem chegue cedo à rua Direita de São Pedro para apanhar os melhores lugares onde apreciar o popular espetáculo taurino, ou não estivéssemos no “Coração do Ribatejo”.

Estacionadas nas laterais da rua, há carrinhas munidas de bancos e proteções onde se aglomeram dezenas de pessoas para assistir à entrada de touros.

De mão em mão passam copos de cerveja num dia em que os termómetros marcam 34 graus. “Se em Santarém estão 32ºC, na Chamusca estão 34ºC. No inverno é ao contrário, são sempre menos dois graus do que na capital do distrito”, afiança D. Maria, uma chamusquense que neste dia regressa de propósito à sua terra natal.

Duas horas antes, instalámo-nos numa das varandas viradas para a rua, num 1º andar protegido de eventuais investidas dos animais e com uma boa visibilidade para fotografias e filmagens. Pelas ruas corre um espírito de convívio e de alegria, os touros são apenas o pretexto para que muitos voltam a juntar-se.  Amigos que já não se viam há muito tempo trocam abraços, paga-se mais uma rodada de cerveja, tira-se mais uma selfie e põe-se a conversa em dia.

A contagem decrescente continua. O trânsito está caótico e lento a passar por entre a multidão que enche a rua.

Na estrada deslocam-se campinos, cabrestos, cavaleiros, elementos do rancho folclórico e algumas charretes que fazem parte da “encenação”.

Ouve-se um primeiro foguete a alertar para os preparativos e a expectativa aumenta. Já passava das 12h30 quando o trânsito foi cortado (depois de passar o autocarro Expresso, como sempre tem de acontecer), numa extensão de quase 2 km, situação que se prolonga por mais de meia hora até que os touros passem.

Aumenta o movimento de pessoas na rua. A agitação é cada vez maior. Há ansiedade no ar. Militares da GNR chamam a atenção para que as pessoas se resguardem. O jipe dos bombeiros anda para cima e para baixo para acudir a eventuais emergências. Tudo isto ao som de música popular que ecoa nas colunas de som.

Já passavam alguns minutos das 13 horas e um segundo foguete rebenta no ar a anunciar o início da entrada. “Os touros estão na rua”, anuncia em voz alta o speaker de serviço.

Os minutos que se seguem são difíceis de descrever, tal a intensidade com que são vividos. Ao longe já se ouvem os cascos dos cavalos e a sirene da viatura da GNR que vai à frente. A pouco e pouco, a multidão vai-se afastando do centro da estrada, com a aproximação dos campinos, touros e cabrestos. A emoção está ao rubro.

Dar uma palmada num dos touros à sua passagem é o desafio para os mais destemidos, por vezes arriscando em demasia. Há quem corra ao lado dos campinos para alcançar esse objetivo, numa experiência plena de adrenalina.

Cavaleiros, touros e cabrestos percorrem cerca de 1,5 km a uma velocidade entre os 30 a 40 km/h, até chegarem à centenária praça de touros, naquele que é o momento mais emblemático da Semana da Ascensão na Chamusca. É um espetáculo que dura pouco mais de três minutos, mas que perdura na memória de todos os que o vivenciam.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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