Menos de um mês separa-nos da data marcada para a divulgação pública da meu último estudo: “De Atégina a Maria; O sagrado feminino no território português”. Tem sido um processo conturbado por obra e graça dos efeitos, diretos e indiretos, da malfadada pandemia.
Para lá das maiores ou menores mais valias qualitativas associadas à mesma, é da mais elementar justiça salientar a importância de uma temática que se projeta no tempo até tempos históricos remotos e marca de desigualdade e estigmatização da mulher portuguesa e europeia e, através delas, muitas outras (próprias de outras culturas) que a universalização ocidental impôs.
Afinal, a história da assim chamada Sociedade Ocidental é também, em termos significativos, o esforço secular de superação da mulher do fosso social para onde o cristianismo a remeteu.
Mulher, cuja propensão para o transcendental lhe permitiu, contra tudo e contra todos, preservar no sagrado vivencial, bem como na religiosidade tradicional, herdeira de uma realidade metafísica ancestral bem mais propícia a uma importância feminina.
E até na religião oficial, imposta pela dimensão devocional, qualitativa e quantitativa, apesar de lhe continuarem a ser negadas as mais básicas funções sacerdotais.
Num percurso de resiliência épico e perseverante. E, quantas vezes, sofrido e doloroso.
Não obstante, influenciando crescentemente as vicissitudes cultuais de um Cristianismo que, apesar de particularmente misógino e pretensamente monoteísta, vê hoje elevada ao estatuto de divindade suprema um, inicialmente irrelevante, estereótipo maternal feminino.
Temática mais ou menos tabu, esta, irá contudo ser abordada sem constrangimentos a 26 de Junho, às 16 horas, na Casa do Campino, em Santarém.
