Foto: Fernando Duarte

Provavelmente, a expressão mais ouvida acerca deste tema é “o segredo é a alma do negócio”. Embora não discorde, um fator não menos importante é haver quem compre, quem justifique a existência do negócio. Para mim, um dos problemas sérios que o nosso país enfrenta, e vai enfrentar com mais intensidade, é a falta de gente.

Na Faculdade, numa das disciplinas relacionadas com o planeamento regional e urbano, aprendemos que existem duas decisões a tomar relativamente ao funcionamento da economia de determinada região: intervir criando o incentivo para o desenvolvimento dos setores chave da região ou deixar o mercado funcionar livremente.

Não foi há muito tempo que houve uma febre do empreendedorismo, em que surgiu toda uma panóplia de programas televisivos, fundos, ajudas… e até houve lugar para a construção de parques industriais e tecnopólos por parte de diversas autarquias. Por alguma razão, em determinada altura, decidiu-se intervir no mercado. Aliás, esta decisão manteve-se até aos dias de hoje. Vejamos o exemplo do actual PRODER 2020.

Eu, a meu tempo, participei num concurso de projetos empresariais. O slogan era algo do género: “Não interessa o dinheiro mas sim a ideia.” Vou-me abster de dizer qual o concurso e a minha classificação, mas o resultado foi o fracasso prático no desenvolvimento da minha ideia.

Creio que o conceito de alguém ter uma determinada ideia inovadora, injectar-se capital e fornecer o apoio necessário é algo que funciona para um número mínimo de casos que nunca irão conseguir justificar nem o investimento feito nas estruturas e sistemas criados nem a ênfase política dada a este tema.

A esmagadora maioria dos casos falhou e vai continuar a falhar porque, apesar de algumas ideias serem mesmo muito boas, falta o “know-how” inerente ao ramo de atividade e os portadores e presumíveis líderes não têm a real noção das dificuldades que vão encontrar e como e a quem vão vender o que vão criar. Acho que aqui é que está uma das chaves desta problemática, ou seja, não se devia ter investido tanto em ajudar a desenvolver ideias (muitas delas dão em nada), mas devia-se ter investido, isso sim, em estruturas e gente que facilitasse a venda do que já existe e do melhor que sabemos fazer.

Vou dar o exemplo flagrante do azeite. Segundo a Organização Mundial da Saúde é a gordura mais saudável que se pode consumir, o seu consumo tem vindo a aumentar em praticamente todos os países e até dá a ideia que, se toda a gente em Portugal produzisse azeite, essa produção não iria chegar para fazer frente às necessidades. Vai ser uma questão de tempo até que haver países de outros continentes a cultivar a oliveira (se é que já não o estão a fazer).

Em todos os países em que estive havia azeite à venda em praticamente todos os locais de compra de bens alimentares, mas maior parte do azeite vendido nem sequer era português, era espanhol. Os espanhóis têm noção das necessidades existentes e o que fazem é misturar o azeite com óleo vegetal. Existem certas marcas de azeite espanhol que só têm 20% de azeite – e não estou a inventar ou especular, vem discriminado no próprio rótulo.

É de todo insensato pedir a quem sabe produzir azeite que também o saiba vender e foi basicamente o que se tentou fazer em Portugal, nos últimos anos. Ou seja, criaram-se condições para os teóricos desenvolvedores de ideias e negócios ficarem em escritórios ao invés de se investir na nossa essência e criar condições para a formação de vendedores, para saírem por aí a vender o que melhor sabemos fazer.


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Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

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