Ora comumente ouvimos ou lemos, quase todos os dias alguém dizer que tem orgulho em ter conseguido isto ou aquilo, ou pertencer a algo. Desde quando é que o orgulho é associado a algo de bom? Uma pessoa orgulhosa é um modelo de pessoa que devemos seguir?
Acho que de alguma forma se confunde o orgulho com o prestígio, com o privilégio ou até mesmo com o sentimento de gratidão. Se fosse apenas uma mera confusão na utilização da palavra eu não nem se quer estaria a escrever sobre o assunto, o problema é que, hoje em dia, existe mesmo um culto ao orgulho.
É um dos problemas em darmos mais ouvidos a jogadores de futebol do que aqueles que supostamente estão empenhados em resolver os problemas do país, o que acontece na prática é que os jogadores de futebol foram treinados para isso mesmo, jogar futebol e não para nos oferecer grandes reflexões ou quais os princípios de vida que deveremos seguir, a par que quem se predispôs a resolver os “problemas do país” anda quase sempre no anonimato e só lhes são voltados os holofotes ou dada voz de antena quando está na altura de este por a cabeça na guilhotina.
O que quero com isto dizer é que no caso de um jogador de futebol, este para ter algum destaque teve de fazer bem o seu trabalho, no caso de um político este teve de não o fazer, mas só que há uma grande diferença entre estes dois intervenientes, é que no caso do jogador de futebol quer este faça bem ou mal o seu trabalho não perdemos nem ganhamos nada com isso. No caso do político ou de quem gere as principais instituições deste país não é bem assim, o que está em jogo é muito mais do que um mero sentimento de orgulho, estas entidades é que deveriam ser constantemente acompanhadas, estes sim precisam da nossa avaliação para ver se realmente são competentes para desempenhar as suas funções, estes é que são “escolhidos” por nós através do nosso voto, e não um jogador de futebol.
O orgulho surge, inevitavelmente, associado à vaidade, por conseguinte, o traço dos políticos de hoje em dia são os engravatados e bem-falantes, no entanto, temos um país que de ano para ano, repetidamente, arde todos os verões, há cheias nos invernos, é rios poluídos, é fuga de dinheiros públicos, é portugueses a terem de emigrar, enfim alguma coisa aqui está a funcionar mal, e à grande.
No entanto sempre surge aquele ou outro evento para dizermos que somos os maiores, para estimular o nosso orgulho. Portanto, façam um favor a vocês próprios, nas próximas eleições e nas seguintes, evitem votar nos engravatados que fazem as coisas para inglês ver, votem nos que têm as mangas arregaçadas. Votem no prestígio em detrimento do orgulho.
