Ora comumente ouvimos ou lemos, quase todos os dias alguém dizer que tem orgulho em ter conseguido isto ou aquilo, ou pertencer a algo. Desde quando é que o orgulho é associado a algo de bom? Uma pessoa orgulhosa é um modelo de pessoa que devemos seguir?

Acho que de alguma forma se confunde o orgulho com o prestígio, com o privilégio ou até mesmo com o sentimento de gratidão. Se fosse apenas uma mera confusão na utilização da palavra eu não nem se quer estaria a escrever sobre o assunto, o problema é que, hoje em dia, existe mesmo um culto ao orgulho.

É um dos problemas em darmos mais ouvidos a jogadores de futebol do que aqueles que supostamente estão empenhados em resolver os problemas do país, o que acontece na prática é que os jogadores de futebol foram treinados para isso mesmo, jogar futebol e não para nos oferecer grandes reflexões ou quais os princípios de vida que deveremos seguir, a par que quem se predispôs a resolver os “problemas do país” anda quase sempre no anonimato e só lhes são voltados os holofotes ou dada voz de antena quando está na altura de este por a cabeça na guilhotina.

O que quero com isto dizer é que no caso de um jogador de futebol, este para ter algum destaque teve de fazer bem o seu trabalho, no caso de um político este teve de não o fazer, mas só que há uma grande diferença entre estes dois intervenientes, é que no caso do jogador de futebol quer este faça bem ou mal o seu trabalho não perdemos nem ganhamos nada com isso. No caso do político ou de quem gere as principais instituições deste país não é bem assim, o que está em jogo é muito mais do que um mero sentimento de orgulho, estas entidades é que deveriam ser constantemente acompanhadas, estes sim precisam da nossa avaliação para ver se realmente são competentes para desempenhar as suas funções, estes é que são “escolhidos” por nós através do nosso voto, e não um jogador de futebol.

O orgulho surge, inevitavelmente, associado à vaidade, por conseguinte, o traço dos políticos de hoje em dia são os engravatados e bem-falantes, no entanto, temos um país que de ano para ano, repetidamente, arde todos os verões, há cheias nos invernos, é rios poluídos, é fuga de dinheiros públicos, é portugueses a terem de emigrar, enfim alguma coisa aqui está a funcionar mal, e à grande.

No entanto sempre surge aquele ou outro evento para dizermos que somos os maiores, para estimular o nosso orgulho. Portanto, façam um favor a vocês próprios, nas próximas eleições e nas seguintes, evitem votar nos engravatados que fazem as coisas para inglês ver, votem nos que têm as mangas arregaçadas. Votem no prestígio em detrimento do orgulho.

Fernando Duarte

Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

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