Na fronteira com Alcanena, a freguesia da Zibreira tem uma zona industrial com potencial mas que carece de ser explorada Foto: mediotejo.net

*texto atualizado às 19h19 de 3 de julho de 2021

Os Censos de 2011 contabilizaram na freguesia de Zibreira, em Torres Novas, 1028 pessoas. Na confluência da A1 com a A23, a freguesia está no centro de tudo, possui praticamente todos os equipamentos sociais e detém um potencial industrial à espera de ser explorado. A empresa Renova é o maior empregador local e dinamizador do próprio território. Mas a freguesia quer crescer e expandir-se, assim haja entusiasmo e algumas alterações às diretrizes de construção urbana. 

Na junta de freguesia de Zibreira há uma biblioteca à espera de ser explorada. O espólio de livros antigos aguarda um projeto que o torne eventualmente mais atrativo ao público. O presidente da junta, João Carlos Santos, constata que já pouco interesse há pelo facto das juntas de freguesia investirem neste tipo de oferta cultural. No entanto os livros estão ali, a aguardar quem queira descobrir alguma preciosidade esquecida.

Dinâmico e cheio de ideias, João Carlos Santos (PS) frisa com satisfação todas as potencialidades da sua freguesia.

Com data de fundação desconhecida, a Zibreira desconhece inclusive qual a origem do seu nome. “Sabe-se que é uma freguesia antiga, mas nem a data nem o ano de fundação”, admite o presidente, referindo que já houve esse esforço ao nível da autarquia, de tentativa de datação histórica, até para se celebrar a data a nível local, mas toda a história deste território administrativo está ainda por investigar e escrever. 

Sobre o nome há quem diga que vem de “Zimbros” ou de “Zebras”, mas são meras conjeturas. A nível nacional existem localidades com nomes semelhantes, como Zimbreira (Mação) e Zebreira (Idanha-a-Nova), mas não se sabe se haverá relação. É neste crise de identidade que navega a Zibreira, certa pelo menos de pertencer ao concelho de Torres Novas e albergar uma das principais empresas do território. 

João Carlos Santos destaca o potencial de exploração económico da sua freguesia, dotada de uma zona industrial Foto: mediotejo.net

Freguesia com cinco aldeias  – Zibreira, Bairro de São José, Almonda, Bairro de José Dias Simões e Videla – a Zibreira contava há uma década pouco mais de mil habitantes, mas o presidente assegura que houve crescimento da população jovem.

A autarquia está localizada junto ao nó da A1 com a A23, a cinco minutos de Torres Novas, 20 minutos de Santarém e uma hora de Lisboa. É uma zona pacata, rodeada de amplos espaços verdes, atravessada pelo rio Almonda, cujo nascente aqui se situa. “É ótimo para quem gosta da natureza”, reflete.

A freguesia tem centro de saúde com médico de família e enfermeiro, uma mais valia nestas terras do interior. A escola básica é comum com a freguesia do Pedrógão e situa-se naquela freguesia, o Centro Escolar de Serra de Aire. A Zibreira tem porém um centro de solidariedade social, com lar, centro de dia e apoio domiciliário. “Tem um pouco de tudo e está perto de tudo”, frisa o presidente.

É por isso com orgulho que João Carlos Santos fala do projeto do espaço multiusos que está a ser construído na escola básica desativada e que vai ser dotado de cozinha, churrasqueira e bar. Um investimento de 70 mil euros, com apoio da Câmara Municipal. O objetivo, conforme explica, é devolver a vida cultural à freguesia que se foi perdendo com os anos, sobretudo devido à falta de população. 

Neste momento, constata, a freguesia só tem uma associação, que é a Associação de Caçadores. Os ranchos que existiam noutros tempos acabaram por ser desativados. As próprias festas populares também morreram, tendo a comissão de festas, em parceria com a junta, reativado o arraial de verão em 2019, em honra de São Sebastião, que neste momento ainda não regressou devido à crise sanitária. A vida associativa foi desaparecendo devido à falta de pessoas e de iniciativa e a aposta da junta nos eventos culturais quer sobretudo trazer de volta esse espírito coletivo. 

A longo prazo, adianta, pretende que fique anexo ao espaço multiusos um ringue, com balneários e um wc público. O terreno foi cedido pela empresa Renova, o maior empregador da freguesia e cuja importância no território é possível de constatar com alguma evidência: as próprias paragens de autocarro têm o logótipo da empresa.

João Carlos Santos fala do mega investimento de 70 milhões que vai ampliar a fábrica e criar novas dinâmicas na freguesia e mais postos de trabalho. “A Renova é uma mais valia em termos económicos e de apoio à junta de freguesia. Nunca nos dizem não”, afirma. 

Foi por isso com alguma tristeza que viu fugir a oportunidade de ter na freguesia também o centro logístico da Mercadona, empreendimento que acabou por optar por Almeirim. Na perspetiva do presidente, a escolha deveu-se aos elevados preços pedidos por metro quadrado dos terrenos, privados, da zona industrial da Zibreira.

“Julgo que a Câmara Municipal, os proprietários e a junta de freguesia têm que se reunir para acertar preços”, constatou, salientando que algumas das parcelas nem acessos têm. “Temos que dar o pulo”, defende, e tal só se consegue com consenso.

José Carlos coloca alguma expectativa na revisão do Plano Diretor Municipal. A junta pensa que eventualmente poderá ser criada uma nova zona industrial que abra novas perspetivas e com preços mais acessíveis. Tal permitiria alavancar de vez o território, há anos a aguardar por novos investimentos industriais, e fazer a Zibreira efetivamente crescer”. 

Na autarquia falta também zona urbana, que permita a edificação de novas moradias e, com tal, a fixação de casais jovens. É outro problema que este presidente espera ver resolvido com o novo PDM. “Almonda e Videla têm muito espaço de construção”, constata. 

Ao nível da junta de freguesia, frisa, neste momento o grande foco é o investimento cultural, através do espaço multiusos em construção e o futuro ringue anexo, com projeto já aprovado. “Quando a parte da cultura já tiver ritmo, vamos debruçar-nos sobre a praia fluvial”, antecipa.

João Carlos tem um plano para limpar a zona da azenha e criar na Zibreira uma praia fluvial digna desse nome, dando a conhecer a beleza do rio Almonda e das suas paisagens. A ideia, já exposta à população, está de momento em ‘banho-maria’ dada a prioridade, ao nível de investimento, na cultura, explica.

Mas o presidente destaca que poderia ser feito, desde já, muito mais pelo rio, cuja beleza das paisagens está escondida pela vegetação e falta de limpeza. “O rio é uma mais valia”, salienta, “podíamo-nos juntar todos para fazer uma limpeza e desassoreamento”.

Unindo-se as entidades em prol de um projeto comum, seria depois possível fazer atividades no rio, devolvendo-se “a vida”.

“Há paisagens lindas, de natureza pura”, constata, acreditando que os próprios proprietários privados aceitariam e beneficiariam com este esforço comum. 

Sobre a nascente do rio Almonda, nas traseiras da fábrica 1 da Renova e ainda no território da Zibreira, o autarca prefere não se pronunciar. Há sensibilidades diferentes e questões legais complexas, assim como diferentes projetos para aquela nascente rodeada de terrenos privados, da Renova e não só. 

A terminar o primeiro mandato, o presidente, que se vai recandidatar pelo PS a esta autarquia, refere que “gostaria que a minha freguesia caminhasse para o desenvolvimento”, não só industrial mas também humano.

“Criar as condições para que as pessoas se sintam bem na aldeia”, resume .

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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1 Comment

  1. As ideias são boas!
    Pena é, haver tanto alcoólico e tanto ladrão!
    Nessa terra só resulta, tabernas e locais de consumo de bebidas alcoólicas.
    Os investimentos não contemplam, por exemplo:
    Um bom supermercado, um restaurante, ruas limpas, erradicação de casas devolutas, uma caixa multibanco e essencialmente actividades culturais que não tenham relação com álcool.
    Ocupações para idosos, como em Alcanena, para onde se deslocam alguns idosos da Zibreira.
    Ocupações para jovens perdidos na sociedade Zibreirense, em que o álcool e as drogas, não sejam a sua rotina diária.
    Eu diria para finalizar, que: a oferta para jovens, menos jovens e idosos, resume-se ao consumo de álcool.

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