Foto: DR

A associação Zero defendeu hoje a concentração dos eucaliptos em zonas adaptadas às suas características, sem aumentar o total da área atual, e o cumprimento das metas obrigatórias dos planos de ordenamento, promovendo as espécies autótones.

No contributo da Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável para a revisão da legislação florestal estão listadas sete propostas que vão no sentido de impedir o aumento da área de eucalipto, minimizar os impactes sobre a biodiversidade e o solo, promover as espécies autótones e estabelecer prioridades na investigação científica neste setor.

“A área reservada ao eucalipto não pode aumentar mais”, realça uma informação da Zero, que aponta a criação de um ‘mercado imobiliário’, resultado de “compensações por aumento de área de eucaliptal em localizações mais favoráveis à espécie”.

A revisão do regime jurídico da arborização e rearborização deve garantir, segundo a Zero, a existência de quotas para o eucalipto, “um balanço zero que resulte da combinação entre a melhoria da produtividade dos povoamentos existentes e aumentos de área que sejam compensados pela renaturalização de espaços pouco produtivos” até agora ocupados pela espécie, favorecendo a plantação de autótones.

O objetivo é, explica, criar valor económico de longo prazo em propriedades de pequena dimensão do interior situadas em áreas classificadas e que possam ser renaturalizadas.

Também é apontada a salvaguardada da compartimentação da floresta em projetos de arborização com eucalipto ou pinheiro-bravo, para reduzir o risco de propagação de incêndio e promover a diversidade.

Os Planos Regionais de Ordenamento Florestal fazem parte da lista de propostas da Zero, com o pedido de que as suas metas, que estão suspensas, passem a ser obrigatórias, e articuladas com a informação do Inventário Florestal.

Para a Zero, deve ser contemplada a dispensa de autorização e de comunicação prévia das ações com espécies autótones para conservação, que não tenham por objetivo exclusivo a produção lenhosa, desde que respeitem as boas práticas.

Ainda para as espécies autótones, é pedida a discriminação positiva para aquelas de crescimento lento, de modo a corrigir as falhas de mercado, e benefícios fiscais para os proprietários que optarem por este tipo de plantas.

A investigação deve focar-se no controlo de espécies exóticas invasoras, na preparação do terreno e na gestão dos combustíveis nos povoamentos, visando nomeadamente a erosão e o armazenamento de dióxido de carbono, de modo a estudar técnicas com menor impacte sobre o solo, e sem perdas significativas ao nível da produção.

A atual Estratégia Nacional para as Florestas indica que a área total ocupada pelo eucalipto se manterá inalterada nos próximos anos, nos 850 mil hectares.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.