Este sábado, dia 8 de abril, às 18:30, decorre a inauguração da minha exposição “We are all family” na Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça.
O que é “We are all family”?
É o meu novo projeto, que espero poder continuar por muito tempo. Sublinha a importância de haver união entre homens de todas as nações e crenças, eliminando as fronteiras sociais e demonstrando claramente que somos todos da mesma família.
Estou cansado de ver imagens de mortes, violência, racismo, intolerância, guerra quando afinal somos todos “primos”. Não concordam?
Sim! É verdade! Há diferenças entre as diversas etnias e tribos ainda existentes na terra, sejam as cores, os traços físicos ou os costumes e crenças que fazem da humanidade um conjunto multifacetado de seres que se encaixam perfeitamente no ambiente em que vivem. Podemos encontrar animistas, muçulmanos, cristãos, politeístas, budistas, hindus e muito mais: Caçadores, comerciantes, pastores, guerreiros ou coletores que vivem no extremo norte ou nas selvas equatoriais. É possível que sejam polígamos, monógamos ou que tenham outros comportamentos familiares, que vivam praticamente nus, cobertos de peles animais ou de pinturas corporais, mas é certo que todos procuram o mesmo: paz, estabilidade, família, festa e alegria.
Um traço comum a todas as tribos que pesquisei é acreditarem num ser superior (Deus) ou num coletivo (panteão) sobretudo nos animistas africanos. Todos dispensam tempo e recursos para apaziguar e aproximar o seu Deus a eles próprios como indivíduos ou como grupo.
Como pintor vi que apesar das diferentes cores e nuances de cores de peles, afinal pintar humanos é sempre empolgante sobretudo a nível fisionómico. Os olhos podem ser mais estreitos ou o nariz mais largo, mas todos temos os mesmos elementos e estranhamente podemos encontrar lineamentos e costumes muitos similares entre tribos no norte América e no interior da Tailândia, ou entre os habitantes da Amazónia e os centros-africanos.
Usei várias técnicas: aguarela, grafite, sanguínea, acrílico, canetas lumocolor, lápis de cor aguarelável para também me aproximar mais da tez e texturas das várias etnias.
Vivi 20 anos em Alpiarça e amo a Casa dos Patudos, cofre de tantas belezas artísticas que aconselho a todos a visita. O seu curador é um homem de sabedoria e simpatia que transmite o legado de José Relvas da melhor maneira possível.
Por estas razões apresento este trabalho sobretudo com o intento de mostrar as “diferenças que acomunam” e que se nós realmente entendêssemos (e puséssemos em prática o respeito comum) teríamos mais paz e alegria.
Esperamos por um futuro melhor.
