“É algo que me deixa muito feliz por saber que este concelho não deixa a sua responsabilidade em termos de cidadania, ou seja, a sua participação cívica, por mãos alheias. Também é algo que já nos vamos habituando, porque nas diferentes eleições o Sardoal está sempre nos três primeiros no acesso às urnas de votação”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), destacando a vontade das pessoas em participar e exercer o seu dever de cidadania.
A taxa de abstenção nas eleições legislativas de domingo deverá situar-se nos 35,62%, a mais baixa em 30 anos, quando em outubro de 1995 ficou nos 33,70%. Estes valores não incluem ainda os eleitores residentes no estrangeiro, cuja participação e escolhas serão conhecidos a 28 de maio.
Miguel Borges salientou que o nível de participação dos 3.140 eleitores do Sardoal, com 3.540 habitantes, maioritariamente idosos e dispersos por quatro freguesias em meio rural, é a prova que, “apesar de ser um concelho envelhecido”, as pessoas “não deixam por mãos alheias aquilo que é a sua vontade de participar, o seu dever de cidadania, independentemente do partido onde votam” em cada eleição.
“Na verdade, as pessoas sentem esta vontade, sentem que é importante. E às vezes até, com algum sacrifício, se vê pessoas a deslocarem-se para as mesas de voto, articulando com as famílias, mas as pessoas não querem deixar de participar”, afirmou.
ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:
Com uma taxa de abstenção historicamente baixa em comparação com a taxa de participação nacional, já em 2024 o Sardoal foi também o concelho com a mais alta taxa de participação, com a abstenção a situar-se então nos 24,34%, contra os 33,77% em território nacional.
“É muito bom. Neste caso tivemos 26.95 % de abstenção, que são números que nos fazem recuar muitos anos atrás em termos de números globais do país. Aliás, o país todo respondeu em votação como há muito tempo não o fazia e é algo que me deixa muito satisfeito”, declarou o autarca, a cumprir o seu terceiro mandato.
Questionado pelos motivos para a elevada participação da população de Sardoal nos atos eleitorais, Miguel Borges apontou a “questões sociológicas”, à “liberdade e responsabilidade de poder escolher e ter palavra a dizer através do voto”, entre outras iniciativas de âmbito local.
“É claro que há, eventualmente, muitas razões para isso, mas, da nossa parte, naquilo que nos toca a nós é, na verdade, apoiarmos tudo o que são projetos de cidadania, investirmos na escola e na participação cívica dos jovens”, nomeadamente em contexto escolar.
O autarca destacou o “papel importante que tem o orçamento participativo”, que é geral, “mas também o orçamento participativo direcionado para a escola, fazendo os alunos pensar no seu concelho, pensar nas políticas”, envolvendo-os nas dinâmicas de conhecimento e atuação.
“Com muita frequência recebo alunos da escola, vou à escola, e falo da importância da política e das pessoas participarem, porque a política é uma coisa de enorme nobreza, em que muitas vezes é maltratada, mas é maltratada como é em muitas profissões. Por isso, é um investimento que tem sido feito também nos jovens para garantir que esta adesão às urnas continue”.
O autarca, que também coordena a Universidade Sénior de Sardoal, destacou ainda um conjunto de atividades que ali se desenvolvem para a população mais idosa, no âmbito da cidadania participativa.
“A Universidade Sénior tem disciplinas no âmbito da cidadania, da participação cívica, do Direito, onde estes assuntos são abordados, e julgo que todos estes fatores juntos criam esta sensibilização a uma população para realmente poder ir às urnas, não deixando por mãos alheias aquilo que é a sua vontade, a vontade de se exprimir nos destinos do país e nos destinos do concelho”, declarou.
Estes dados evidenciam a consistência do envolvimento cívico da população de Sardoal, que tem mantido uma participação eleitoral significativamente superior à média nacional ao longo dos anos
Nas eleições legislativas de 2025 votaram no concelho de Sardoal 2.322 dos 3.140 inscritos, com o nível de abstenção em cada uma das quatro freguesias a situar-se abaixo dos 30%.
A freguesia de Alcaravela destacou-se com a mais alta taxa de participação, atingindo 79,70%. Nesta freguesia, com 14 aldeias, votaram 534 dos 670 eleitores inscritos (abstenção de 20,30%).
Em Santiago de Montalegre registou-se uma participação de 70,26%, na freguesia do Sardoal de 72,52% e em Valhascos de 72,44%.
Para Miguel Borges, estes dados “evidenciam a consistência do envolvimento cívico da população” de Sardoal, que “tem mantido uma participação eleitoral significativamente superior à média nacional” ao longo dos anos.
O concelho com a menor abstenção foi Sardoal, com 26,95%, seguindo-se Vila do Rei (Castelo Branco), com 26,13%, Maia (Porto), com 26,63%, Vila Nova de Famalicão (Braga), com 27,63%, Barcelos (Braga), com 27,73%, Trofa (Porto), com 27,80%, Guimarães (Braga), com 27,92%, Arruda dos Vinhos (Lisboa), com 27,99%, Alcochete (Setúbal), com 28,10%, e Mação (Santarém), com 28,56%.
No Médio Tejo, destaque ainda para a participação eleitoral nos concelhos de Constância, que registou uma abstenção de 30,26%, Vila Nova da Barquinha, com 31.10%, e Ferreira do Zêzere, com 31.11%.
c/LUSA
