Foto: mediotejo.net

A manhã começou com luvas calçadas, vassouras na mão e lama para remover junto à ponte rodoviária que liga o Rossio ao Sul do Tejo às Barreiras do Tejo, em Abrantes. Pelas 09h30, eram seis os voluntários que se juntavam aos funcionários do município e da Junta de Freguesia já no terreno, numa ação de limpeza do Aquapolis Sul, fortemente afetado pelas recentes cheias do rio Tejo.

O cenário ainda evidencia os efeitos da subida das águas. Lama acumulada no passeio e na faixa de rodagem, infraestruturas danificadas, sinais de trânsito arrancados e equipamentos elétricos comprometidos compõem um retrato de destruição que obrigará a um esforço prolongado de recuperação.

“Os impactos foram sobretudo a nível aqui do Aquapolis das infraestruturas que ficaram bastante danificadas”, afirmou o presidente da Junta de Freguesia, Luís Valamatos, no local. Segundo o autarca, meia dúzia de habitações registaram entrada de água, mas foi possível minimizar prejuízos.

Foto: mediotejo.net

“Tivemos também meia dúzia de habitações com água, mas foi possível avisar as pessoas com tempo e penso que foi salvaguardada a maior parte dos bens, tudo aquilo que foi possível retirar ou levar para os pisos superiores.”

ÁUDIO | Luís Valamatos, presidente da Junta de Freguesia

Neste momento decorre ainda o levantamento dos danos nas habitações afetadas. “As pessoas têm procurado saber se vai haver apoios. Neste momento também ainda não sabemos se o Governo vai estender os apoios para a questão das cheias”, acrescentou.

A intervenção desta manhã centrou-se nas primeiras limpezas, em articulação com os serviços municipais. “Avançámos aqui para o Aquapolis Sul, para se começar a fazer estas primeiras limpezas, sobretudo a retirada desta lama dos passeios e da faixa de rodagem”, explicou Luís Valamatos.

Luís Valamatos. Foto: mediotejo.net

No entanto, a fase mais exigente estará ainda por vir. O autarca descreve uma “devastação enorme” no espaço ribeirinho. “Os passadiços estão bastante danificados, há sinais de trânsito arrancados, há o parque infantil… a parte elétrica também, há muitos postes caídos, caixas de ligação arrancadas.” O restaurante ali instalado, apontou, é uma das infraestruturas prioritárias. “Penso que a Câmara irá dar prioridade a esta infraestrutura, para que as pessoas possam reativar a sua atividade.”

O impacto financeiro será significativo. “Há um trabalho grande a nível de financiamento, a nível do valor que há que voltar a investir e também o trabalho que irá dar a repor todas estas infraestruturas”, reconheceu.

A mobilização desta ação partiu de um apelo lançado nas redes sociais por Miguel Costa, que assumiu a organização informal da iniciativa.

“Isto acabou por ser a vontade popular de auxiliar os serviços, porque ficámos todos devastados com as consequências que o rio causou aqui na margem sul do Tejo”, explicou ao nosso jornal.

Foto: mediotejo.net

O contacto entre o organizador e o presidente da Junta surgiu na véspera, para aferir a disponibilidade da comunidade. “Eu disse que sim, a boa fé das pessoas acho que se mantém e dá para reparar que temos aqui voluntários”, afirmou Miguel Costa. Ainda assim, admite que a adesão poderia ter sido maior.

“Não são aqueles que nós esperávamos, porque também calha durante a semana e as pessoas trabalham. Recebi inúmeras mensagens a pedir para reagendar para um fim de semana para ter mais adesão, mas não é possível”, lamentou.

ÁUDIO | Miguel Costa, dinamizador da ação

A ação deverá ocupar todo o dia e concentrar-se na zona ribeirinha de Rossio ao Sul do Tejo. “Há bastante lixo que temos de limpar e temos vontade. As pessoas que cá estão são poucas, mas as poucas fazem muito. É a solidariedade das pessoas”, sublinhou, agradecendo o apoio logístico.

“A Junta disponibilizou-nos material para podermos trabalhar. Nós trouxemos luvas e vontade para trabalhar”, declarou

Miguel Costa. Foto: mediotejo.net

Entre os voluntários estavam também jovens do Interact Club de Abrantes. Inês Santos, de 16 anos, e Júlia Lopes, de 14, aguardavam a chegada de mais colegas, embora reconhecessem que o período de interrupção letiva dificultou a mobilização, devido à ausência de vários membros.

“Não tinha muito para fazer em casa e aproveitei e vim limpar esta zona”, contou Júlia, enquanto ajudava na remoção da lama. Já Inês recorda que a vontade de agir já vinha de trás: “O Interact Club de Abrantes já queria fazer uma ação de limpeza por causa das cheias há algum tempo, desde que começaram os problemas e apareceu a oportunidade. Mesmo que o Interact não tivesse vindo, eu teria estado presente.”

Inês Santos à esquerda e Júlia Lopes à direita. Foto: mediotejo.net

Sobre o trabalho a realizar, a jovem mostra pragmatismo. “Não tenho a certeza, a iniciativa não é nossa. Mas nós vamos fazendo aquilo que nos é pedido, vamos procurando trabalho e até isto estar tudo limpo, estamos por aqui.”

Num gesto de solidariedade para com os participantes, o Restaurante Bota Feijão associou-se à ação, disponibilizando reforço alimentar aos voluntários da ação.

À medida que a manhã avançava, pás e vassouras limpavam o asfalto ainda húmido, num esforço coletivo que, embora simbólico face à dimensão dos estragos, marca o arranque de uma recuperação que se antevê longa.

Entre funcionários municipais e voluntários, a prioridade imediata é devolver condições mínimas de circulação e segurança ao espaço ribeirinho, um dos principais pontos de lazer, enquanto se aguardam respostas quanto aos apoios e ao financiamento necessários para reconstruir o que o Tejo levou.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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