Depois de cinco meses afastada fisicamente do meu local de trabalho, para gozo da minha licença de maternidade, voltei à azafama do dia-a-dia. Agora acrescida do corre-corre para amamentar o meu pimpolho e voltar para dar o meu contributo a esta comunidade. Já quase me tinha esquecido, no meio das fraldas, das injustiças, do stress, da frustração, da indignação, da luta, das conquistas e do gosto por poder fazer diferente. Tenho a sorte de ter uma equipa de trabalho e diretiva, que tanto me trava nalguns impulsos, como me dá força para não desistir. É tão mais fácil criticar, mas não fazer nada, falar do que não sabemos, especular… outros lá estão para cumprir prazos e correr para encontrar mais uma solução para mais um caso de sexta-feira à tarde.
Por outro lado, tenho-me deparado com a contemplação daquilo que é um esforço de equipa para que o “comboio” não pare. Para que as noticias na comunicação social não interfiram com as decisões, que não coloquem em causa o trabalho feito, que criem a dúvida sobre a capacidade ou que um desabafo de alguém menos informado nos demova da nossa missão. É fácil fazer o exercício de não nos deixarmos levar? Não é. Mas por isso continuo a acreditar que temos mais é de fazer a nossa parte, tal como o colibri.
Enquanto fui e voltei, não surgiram “alterações” à legislação, que concedam aos pais outros direitos. Direitos de estar e cuidar dos filhos. Direitos aos filhos de não querem estar com os pais quando estes os maltrataram. Direitos às crianças para viverem numa sociedade que não as julgue, pelos seus comportamentos sem saberem nada da sua história. Direitos aos profissionais para darem um murro na mesa.
Continuam as “insistências” sociais para que as coisas pudessem ser de outra forma, e uma vítima não seja humilhada em tribunal, que não seja obrigada a contactar com o agressor, que uma pessoa não tenha de mendigar um direito social, que uma pessoa, não tenha de ser exposta porque outro alguém procura protagonismo.
Fui e voltei, e nada mudou.
