*Com David Belém Pereira/Fotografia
Correu-se este sábado, 3 de agosto, uma das etapas mais longas da 81ª edição da Volta a Portugal. Os 194,1 quilómetros a ligar Santarém a Castelo Branco, atravessando toda a região do Médio Tejo, o forte calor que se fazia sentir e a proximidade da etapa rainha da Serra da Estrela, condicionavam a prestação do pelotão.
Numa etapa com um final talhado para os sprinters, o plano B é sempre uma fuga de corredores menos bem posicionados na Geral. Foi o que veio a acontecer. Logo à saída de Santarém saltaram do pelotão Jayde Julius (Protouch) e Guillaume Almeida (BAI Sicasal Petro de Luanda) encetando uma fuga com cheirinho a África. O luso-francês defende uma equipa angolana e Julius é sul-africano.

A fuga começou a ganhar consistência com a complacência do pelotão e à passagem pela Chamusca já registava um avanço superior a doze minutos. A partir daí a Caja Rural-Seguros RGA e a Amore & Vita-Prodir, com candidatos à vitória na etapa, pegaram na perseguição e o tempo da fuga começou a cair. Na Meta Volante em Abrantes, ganha por Jayde Julius, cifrava-se em cerca de sete minutos.

A caminho de Mação o cenário alterou-se. Surgiram as primeiras dificuldades e o tempo da fuga estabilizou nos três minutos, já que havia interesse em controlar mas não em anular completamente a fuga.
Guillaume Almeida ia vencendo as Metas de Montanha em Penhascoso e Gavião. Na subida para o Gavião surgiu o primeiro sinal de alarme na equipa do Sporting/Tavira. Tiago Machado teve uma avaria, foi obrigado a trocar de montada e o grosso da equipa verde e branca foi obrigada a trabalho suplementar para recolocar o líder no pelotão.

Com a meta em Castelo Branco a aproximar-se rapidamente, Guillaume Almeida abdicou da fuga acusando o esforço dispendido. Seria o último a chegar, com mais de 21 minutos para o vencedor.
Jayde Julius persistiu na fuga sendo apanhado a apenas sete quilómetros da meta, depois das equipas com ambições à vitória na etapa se começarem a posicionar para uma veloz aproximação à meta.
Jogou melhor a equipa de Nuno Ribeiro, a W52-FC Porto, que levou Daniel Mestre nas melhores condições para vencer num vigoroso sprint ao fim de 5h11m37s de prova.

Cément Russo (Team Arkéa-Samsic) foi segundo e August Jensen (Israel Cycling Academy) fechou o pódio de uma jornada que deixou Gustavo César Veloso (W52-FC Porto) no topo da classificação geral, com vantagem ainda maior sobre os rivais, pois houve “cortes” de tempo, como seria de prever, numa chegada tão complicada e técnica como a de Castelo Branco.
Uma das “vítimas” foi o candidato à vitória na Volta Jóni Brandão. Na aproximação à meta, o ciclista da Efapel perdeu tempo num “corte”, finalizando a jornada na décima posição da Geral, a 23 segundos do camisola amarela depois duma penalização de dez segundos ditada pelo Colégio de Comissários por ter beneficiado de apoio irregular por parte do carro de apoio, na etapa anterior.
Gustavo César Veloso está, pois, no topo da geral. Tem três segundos de vantagem sobre Mikel Aristi (Euskadi Basque Country-Murias) e oito relativamente a Daniel Mestre (W52-FC Porto), que lhe sucedem na tabela.
A W52-FC Porto é ainda dona da camisola verde, através de Daniel Mestre, e comanda por equipas. Urko Berrade (Euskadi Basque Country-Murias) é o melhor jovem. O basco Peio Goikoetxea (Equipo Euskadi) teve a competência suficiente para manter o estatuto de melhor trepador.

Este domingo corre-se aquela que é considerada a etapa rainha. Com partida de Pampilhosa da Serra e chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre, promete sérias mexidas na classificação e talvez se comece a definir o futuro vencedor da “Grandíssima”.
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