Azeredo Lopes numa visita ao Regimento de Apoio Militar de Emergência. Foto: mediotejo.net

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, afirmou esta segunda-feira, dia 18, que “o governo fez o que devia ser feito” no caso do alegado roubo de armamento militar nos Paióis Nacionais de Tancos. A declaração surgiu em resposta às questões colocadas pelas diversas bancadas políticas no debate de atualidade da Assembleia da República solicitado pelo PSD e o CDS-PP, que deixou os deputados pouco esclarecidos.

O Secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, esteve presente na sessão em que Azeredo Lopes regressou ao Parlamento depois de ter respondido à Comissão de Defesa Nacional no dia sete de julho. O ministro foi criticado por diversos deputados por apenas terem conhecimento dos factos ocorridos em Tancos no final do passado mês de junho, assim como de outros posteriores, através dos meios de comunicação social.

As declarações na entrevista que o ministro deu ao Diário de Notícias e à TSF a 10 de setembro na qual referiu que “No limite, pode não ter havido furto nenhum” também foram apontadas como geradoras de confusão num processo que muitos apontam como sendo confuso e recheado de contradições. A intervenção mais forte foi a da bancada do CDS-PP que voltou a exigir a demissão de Azeredo Lopes.

O Ministro da Defesa respondeu a todos que “é ao Ministério Público que compete exercer a ação penal” e não ao Ministério da Defesa, tendo deixado muitas perguntas sem resposta ao salientar que o inquérito se encontra em segredo de justiça. Azeredo Lopes defendeu “que o governo fez o que devia ser feito e fez num tempo muito curto”, referindo a ação do exército em colaboração com a Polícia Judiciária da qual resultou a instauração de três processos disciplinares.

Entre as medidas tomadas até à data foi indicado o “investimento imediato nos paióis e paiolins”, exemplificando com o realizado no Campo Militar de Santa Margarida, que vai receber parte do material militar até agora guardado nos paióis de Tancos. O “plano de esvaziamento” das infraestruturas localizadas no concelho de Vila Nova da Barquinha decorre, segundo o ministro, desde o passado dia 14 de setembro, envolvendo a GNR e a PSP.

Azeredo Lopes falou, igualmente, sobre os três despachos emitidos entretanto. No primeiro terá solicitado ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Pina Monteiro, para priorizar a segurança e no segundo à Inspeção Geral de Defesa Nacional para realizar auditorias à segurança. O terceiro prende-se com sistemas de informação, infraestruturas e recursos humanos, não tendo avançado muitos pormenores por se tratarem de dados sob sigilo.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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