Tancos. Foto: DR

Entre os vários contributos da região do Médio Tejo para o Programa Nacional de Investimentos 2030, a Comunidade Intermunicipal (CIMT) defende, para o Aeródromo de Tancos, em primeira opção, uma utilização militar e, em segunda opção, uma abertura civil.

O socialista Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, tem sido um dos acérrimos defensores deste projeto.

Argumentos não faltam. De acordo com a ficha técnica do projeto, a que o mediotejo.net teve acesso, “as infraestruturas em Tancos com as pistas, a maior com 2.440m, necessitando de obras urgentes de conservação, com uma definição política objetiva será uma infraestrutura aeronáutica essencial para valorizar o interior, combatendo desigualdades entre litoral e interior, nomeadamente no Médio Tejo, Beiras e Alto Alentejo”.

Além disso, “permitirá a viabilização civil-militar, o uso para a Proteção Civil, e aproveitaria o potencial dos milhões de passageiros a Fátima, entre outros”.

Os autarcas do Médio Tejo, de acordo com a decisão tomada em Conselho Intermunicipal, defendem a criação de um aeroporto regional, através do aproveitamento da Ex Base Aérea de Tancos para abertura à aviação civil.

Tal “implicaria um custo de investimento não muito significativo face às características atuais desta infraestrutura” e “permitiria dar resposta adequada a atividades de turismo cultural, de lazer e religioso que há muito reclamam a melhoria do acesso à Região por via aérea”.

No enquadramento estratégico do projeto refere-se que “Tancos deve ser considerado, de forma séria, como um aeródromo de complementaridade ao aeroporto de Lisboa por diversos motivos”, tanto mais que “desde há largos anos se tem vindo a equacionar a pertinência de aproveitamento desta infraestrutura, conjugando funções militares e civis”.

Começa-se por realçar que a Ex Base Aérea de Tancos “é das maiores e mais bem apetrechadas bases aéreas do país e está subaproveitada, considerando a sua utilização apenas para fins militares”.

O aeródromo é considerado uma importante infraestrutura a rentabilizar face ao que já existe, tendo em conta “a sua posição geoestratégica com mobilidades únicas tanto ferroviárias (A1, A23, IC9, prox. A13)., como ferroviária (junto ao nó do Entroncamento) e proximidade às grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (através de vias de comunicação das mais importantes do país)”.

Daí poder considerar-se o funcionamento do aeródromo “para tráfego de passageiros, de mercadorias e de correio, podendo ainda funcionar como aeroporto de apoio ao Aeroporto de Lisboa (que se prevê poder estar saturado em 2018/2020)”.

Além disso, poderia funcionar como “a porta de entrada da região do Médio Tejo e assim ser uma infraestrutura descentralizadora para mitigar a desertificação do país e combater a litoralização”.

Desta forma, contribuiria para “fomentar o desenvolvimento económico e a coesão territorial, promovendo uma nova abordagem de aproveitamento e valorização dos recursos e das condições próprias do território enquanto fatores de desenvolvimento e competitividade”.

No campo militar, com o anunciado envolvimento da Força Aérea Portuguesa na Gestão dos meios aéreos de Combate a Incêndios, “seria ainda de potenciar a utilização da base em causa, como o principal ponto de estacionamento das referidas aeronaves, sobretudo as aeronaves pesadas de asa fixa”, refere-se na ficha técnica do projeto, na qual se acrescenta como argumentos a centralidade geográfica e a envolvente de grandes planos de água para abastecimento das referidas aeronaves.

Os autarcas do Médio Tejo defendem que, “para análise da viabilidade de criação de um aeroporto regional, será necessário realizar os necessários estudos técnicos, o que numa primeira fase passaria pela realização de estudos de caracterização, análise da área de influência/captação e funcionamento das cadeias logísticas (e comparação com a hipótese de aproveitamento da Base de Monte Real)”.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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