Autarcas e descendentes do Conde de Atalaia. Foto: mediotejo.net

Quase 90 anos depois, a Pedra de Armas, que representa o brasão dos condes da Atalaia, a família Manoel, regressou à Igreja Matriz de Atalaia, no concelho de Vila Nova da Barquinha. A cerimónia oficial de entrega da peça escultórica, por parte da família ao Município, decorreu na própria igreja, na tarde de sábado, dia 14, perante largas dezenas de pessoas.

“É uma alegria muito grande voltar a reconstituir a história”, disse o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha ao mediotejo.net, no final da cerimónia. Visivelmente feliz, Fernando Freire, um autarca apaixonado pela história local, sublinhou que a peça regressa a Atalaia, depois de, em 2021, se ter recuperado o troço da coluna do antigo Pelourinho de Atalaia que estava no Convento de Cristo, em Tomar, e após as obras de recuperação da igreja de Atalaia, que orçaram em cerca de 370 mil euros, cofinanciados a 85% pelos fundos comunitários.

Palavras do Padre Ricardo Madeira

Por isso o autarca realça a “aposta numa política de recuperação do património”, que se traduz numa “alegria imensa” quando se consegue fazer regressar à origem peças que tinham desaparecido.

No caso da pedra de armas de D. José Manoel da Câmara (1686 – 1758), foi originalmente concebida para a Casa do Patriarca de Atalaia, mas em 1935, foi removida e instalada no portão principal da Quinta do Gaio, no Cartaxo.

Em dezembro de 2020 o Município de Vila Nova da Barquinha assinou um protocolo com familiares de D. José Manoel, segundo Cardeal Patriarca de Lisboa, com vista ao retorno da pedra de armas para Atalaia.

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire

Para já vai ficar colocada junto aos restos mortais dessa figura histórica que se encontra sepultada ao lado do altar da Igreja Matriz da localidade.

Nas suas intervenções, quer o Presidente da Câmara, quer o representante da família, Francisco d’Orey Manoel, destacaram o trabalho de restauro da peça executado por Vanessa Dinis.

Fernando Freire afirmou sentir-se “extremamente honrado” pelo ato que estava a presenciar de doação de uma importante peça da histórica do concelho.

Intervenção do representante da família, Francisco d’Orey Manoel

A iniciativa estava incluída no programa de animação cultural de Valorização daquela Igreja. Após a Missa celebrada pelo padre Ricardo Madeira, acompanhada pelo Serviço de Música Sacra da Igreja de São Roque, a comitiva visitou o Pelourinho de Atalaia – Centro Comunitário, a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz de Tancos,

O filho do Conde de Atalaia, que estava acompanhado pelos seus irmãos, Diogo e Bernardo, aproveitou a oportunidade para anunciar a doação de um quadro de grandes dimensões ao Museu Diocesano de Santarém. Trata-se de um retrato “de grande qualidade artística e técnica” de D. José Manoel.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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