O dia 23 de maio reafirmou-se como a data do maior encontro familiar da região e, provavelmente, do país, com milhares de elementos da família paraquedista a rumarem a Tancos no aniversário da unidade militar do Exército Português que guarda 62 anos de memórias. Pessoas de todas as idades, unidas pelo espírito da boina verde e do brevet, voltaram a encontrar-se no Regimento de Paraquedistas durante as comemorações que se fazem dos dois lados dos muros e debaixo do mesmo céu.
O Regimento de Paraquedistas comemorou o seu 62º aniversário esta quarta-feira e os muros da unidade militar do Exército Português sediada em Tancos, concelho de Vila Nova da Barquinha, voltaram a ter comemorações dos dois lados. A reunião familiar juntou militares e ex-militares que se encontram anualmente nesta data debaixo do mesmo céu para partilhar memórias entre si e o espírito paraquedista com as gerações mais novas.
Milhares de pessoas de todas as idades unidas pela boina verde e o brevet, independentemente das histórias e estórias contadas remontarem ao Batalhão de Caçadores Paraquedistas – primeira designação atribuída em 1956 – ou serem mais recentes. Abraços, muitos, fotos de grupo e sorrisos marcaram presença nos momentos oficiais e não oficiais que tornam o dia 23 de maio num dos mais esperados do calendário.

As atividades dentro dos muros tiveram ponto alto na cerimónia militar presidida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte, seguida por demonstrações de formação militar e saltos em paraquedas. As bancadas da Parada Alferes Paraquedista Mota da Costa não chegaram para o público que quis assistir a momentos simbólicos, como a homenagem aos mortos em combate, a imposição de grifos ou o desfile das tropas em parada.
Pouco depois, muitos seguiram para o terreno anexo ao Regimento de Paraquedistas conhecido como Pinhal do Batalhão de Instrução. Em plena hora de almoço, as merendas decididas com antecedência multiplicaram-se pelas mesas de piquenique.
Ao cabrito, queijo, pastéis de bacalhau, leitão, enchidos e outros sabores juntaram-se os do porco no espeto e das febras preparados na altura.

É entre uns e outros, acompanhados por uma bebida fresca ou um bom vinho regional, que as memórias da família paraquedista ganham mais força, muitas vezes juntando as mais duras dos tempos da guerra às mais agradáveis de encontros anteriores.
Todos têm algo para partilhar e aqueles que não estão presentes são recordados com emoção que alterna com o orgulho quando perguntamos “o que é ser paraquedista”.
Respostas variadas que têm em comum o espírito de unidade sentido no ar. O mesmo que une ex-militares nas suas memórias. O mesmo que une militares no ativo nas missões atuais. O mesmo que une ambos no maior encontro familiar da região e, provavelmente, do país, durante o dia em que o lema “que nunca por vencidos se conheçam” ecoa com mais força no Regimento de Paraquedistas.
