Imagem Ilustrativa. Foto: DR

Chama-se BARK o investimento de 70 milhões de euros projetado para o concelho de Vila Nova da Barquinha. O projeto de turismo de natureza foi apresentado pelo promotor na sessão da Assembleia Municipal de 15 de fevereiro de 2019. “Queremos criar uma aventura para qualquer visitante”, disse João Paulo Rodrigues, o investidor de 22 anos a quem coube apresentar as linhas mestras do que será este bioparque, recorrendo a uma projeção multimédia. Um ano depois da apresentação, o projeto segue os seus trâmites dentro do previsto, estando a decorrer estudo de impacto ambiental com considerações e sugestões da APA e da CCDRLVT.

O BARK – Bioparque da Barquinha nascerá a norte do centro empresarial de Vila Nova da Barquinha, na zona fronteiriça com o concelho de Tomar. O promotor destacou a localização do empreendimento, entre a A23 (com ligação a Espanha) e a A13, com a A1 a 15 minutos de distância, a estação ferroviária do Entroncamento a 5 minutos e a 15 minutos do Convento de Cristo, em Tomar. Além das acessibilidades e da centralidade estratégica, destacou ainda a envolvente florestal, considerando ser “o melhor local” onde o parque poderia implantar-se.

“Este será o primeiro bioparque do país, o segundo da Europa e o quinto do mundo a estar aberto durante a noite”, anunciou João Paulo Rodrigues que, aos 22 anos, é licenciado em biologia e está a frequentar a licenciatura em veterinária em Londres. Conceito diferente de um jardim zoológico, “um bioparque segue o conceito de imersão, onde se tenta recriar ao máximo o habitat natural dos animais, fazendo imergir o visitante nesse habitat e privilegiando ao máximo o bem-estar animal”, explica o investidor.

 

O BARK tem como preocupações principais a conservação e a reprodução de espécies em vias de extinção. O projeto prevê ter 260 espécies animais numa primeira fase, metade das quais em vias de extinção, com potencial para chegar às três mil espécies diferentes.

Os animais serão distribuídos por 43 hectares de terreno, dividido em quatro habitats representando quatro diferentes regiões mundiais: arquipélago indonésio, pantanal, Peneda-Gerês e savana africana.

O objetivo é “educar e sensibilizar os visitantes, e a população local, para encarar e viver com a natureza numa simbiose que esperamos perfeita”, disse João Paulo Rodrigues.

Está prevista a criação de 150 postos de trabalho diretos e aponta-se o dia 25 de março de 2021 como data de abertura.

O projeto contempla um hotel de quatro estrelas com 130 quartos, um restaurante com 300 lugares sentados, um anfiteatro com mil lugares, estacionamento para 397 lugares (390 ligeiros e sete autocarros), um centro pedagógico e uma clínica veterinária. A expectativa do promotor é a de receber 450 mil visitantes no primeiro ano.

Além de João Paulo Rodrigues, intervieram na sessão municipal o arquiteto Pedro Costa, do gabinete MODO, e o veterinário Pedro Melo. Vários elementos da vasta equipa envolvida no projeto estiveram também presentes.

Um pouco apreensivos, os autarcas locais lembraram a “pedra no sapato” que foi o projeto Galaxy Park, uma espécie de “Disneyland” projetado pelo grupo Impala para aquela zona e que nunca chegou a ser concretizado.

Apesar de tudo, os eleitos desejaram que o projeto se concretize com sucesso, uma vez que representa grandes mais-valias não só para o concelho, como para a região e para o país.

Em declarações ao mediotejo.net, o presidente do município de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freite (PS), disse que “o contexto geográfico de Vila Nova da Barquinha é favorecido pelo cruzamento de eixos principais de autoestradas (A1, A13 e A23) e caminhos-de-ferro (Nó do Entroncamento)”, o que “potencia este investimento privado na nossa região uma vez que a chegada ao Bio Parque far-se-á por via automóvel ou ferroviária”.

Segundo o autarca, “a acessibilidade com a equidistância na entrada de visitantes por três origens, Lisboa, Porto e Espanha, com o conforto e facilidade na deslocação, constitui uma enorme vantagem que poderá gerar uma mobilidade fácil para todos os visitantes. Por outro lado, possuímos um concelho com um modelo híbrido de povoamento, que integra realidades urbanas e rurais numa interação que deverá aprofundar os objetivos da revitalização económica e da sustentabilidade da vivência campestre”.

“Ora, este projeto assenta nos pilares da conservação, da educação, da investigação e a sua construção respeitará os princípios da arquitetura ecológica e dos recursos naturais preexistentes do local, com 37 hectares em espaço florestal. Aqui, animais e visitantes poderão partilhar a mesma área. As paisagens naturais serão recriadas o mais próximo do seu habitat natural que sofrerá intervenções minimalistas. Ficaremos com enormes espaços verdes, árvores e plantas. Todos os lugares estão cuidadosamente pensados para garantir o melhor para o visitante e para cada espécie animal”, destacou Freire.

O presidente da autarquia disse ainda que este projeto, de iniciativa privada e a edificar em terrenos do município, “contará com o apoio inequívoco do executivo municipal e permitirá dotar a região de uma forte componente turística, espaço para “visitar”, para além das ofertas já existentes e de relevo nacional e que são: o Convento de Cristo, o Castelo de Almourol e Fátima”.

“Certo estou que a concretização deste projeto será determinante para o desenvolvimento da região e do país, captando novos públicos ao interior, e gerando mais valias económicas bem como a criação de novos postos de trabalho”, notou.

Nascido em Lisboa, o investidor João Paulo Rodrigues revela que o seu destino académico foi traçado quando o seu pai, entretanto falecido, adquiriu a Quinta dos Plátanos no Pego, no concelho de Abrantes, onde mantém dezenas de animais. Foi um investimento a pensar no filho, que agora concretiza o projeto da sua vida.

*Notícia publicada em fevereiro de 2019, republicada em fevereiro de 2020

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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3 Comentários

  1. Para Março de 2021 já me parece um pouco apertado! Mas gostaria sim de ver uma passagem do projecto para a realidade!

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