A iniciativa Terra de Esperança, que pretende ajudar a reflorestar Portugal, passou no sábado, dia 6 de janeiro, pela freguesia de Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha.
Apesar da manhã estar fria, um grupo de mais de 100 voluntários plantaram 2.630 árvores de espécies autóctones, num terreno propriedade da Fundação Francisco Cruz, entre as localidades de Limeiras e Matos. Trata-se de uma área que ardeu em 2015 na sequência de um grande incêndio que afetou os concelhos de Constância, Abrantes, Tomar e Vila Nova da Barquinha, num total de 1580 hectares. Quase metade dessa área ardida pertence à freguesia de Praia do Ribatejo.
Daí a escolha desta zona para a ação de rearborização, conforme explica a engenheira Alexandra Carvalho, técnica florestal do Município. Refere que, com a reflorestação, pretende-se criar uma faixa de contenção, com espécies mais resistentes aos fogos.
Notável foi a adesão de voluntários, só comparável com a ação “Limpar Portugal” realizada em 2010, conforme realçaram os autarcas e responsáveis pela ação.
De Cascais veio um autocarro com cerca de 50 voluntários ligados à CADIn, uma instituição de apoio a crianças, jovens e adultos com problemas neurológicos.
Vera Santos, engenheira florestal da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA), explicou ao mediotejo.net que o projeto de reflorestação nasceu em 2002 mas este ano ganhou novo impulso com o apoio da Galp à iniciativa. Esta empresa ofereceu 500 mil árvores para serem plantadas em áreas que correspondem a mais de 600 campos de futebol.
Todos os anos a ANEFA realiza entre a 20 a 30 ações de reflorestação em vários pontos do país, mas este ano, tendo em conta o elevado número e grande dimensão dos fogos florestais, a iniciativa foi reforçada.
Após as boas-vindas do Presidente da Câmara, Fernando Freire, e das explicações da engenheira florestal da ANEFA, os mais de 100 voluntários munidos de enxadas e sacholas foram divididos em equipas e distribuídos pelas diversas áreas definidas para reflorestação.
Para esta ação houve a preocupação de escolher espécies autóctones e mais resistentes aos fogos florestais: medronheiros, sobreiros, carvalho-cerquinho, carvalho-negral, freixo e choupo-branco.
Em declarações ao mediotejo.net, o Presidente da Câmara, Fernando Freire, agradeceu a adesão dos voluntários e classificou a iniciativa como “extraordinária”. “Temos tratado muito mal a floresta”, afirmou, lamentando o problema recorrente dos fogos florestais que tem fustigado também o seu concelho.
Aproveitou para realçar a importância deste tipo de ações e da necessidade de “pensar o território e ordená-lo”, com recursos a espécies mais resilientes.
