Os Juízes de 2017 e 2018 no cortejo final. Foto: mediotejo.net

Na chegada à localidade de Limeiras, freguesia de Praia do Ribatejo, esta segunda-feira, dia 7, encontrámos o recinto das festas quase vazio e os crentes partilhavam os últimos momentos da missa reservada para o último dia, do programa de três dias, das Festas em honra de S. João Baptista e Nossa Senhora da Conceição. Finda a cerimónia religiosa ficaram pelo adro da Igreja e a eles começaram a juntar-se o resto da população em número significativo.

Não é um concerto que esperavam, ainda que os instrumentos tradicionais do Grupo “Patos Bravos” acompanhassem os instantes que se seguiam: a passagem de testemunho entre os Festeiros de 2017 e os de 2018. Mais do que um ato simbólico, tratou-se de um costume local secular que alguns defendem remontar à época dos Templários e os registos históricos conhecidos afiançam existir no início do século XVIII.

Elementos da nova Comissão de Festas. Foto: mediotejo.net

Após a bênção do pároco, trocaram-se as bandeiras dos dois oragos e as capas vermelhas e brancas que têm o peso próprio da tradição (veja o momento aqui). O lanche partilhado entre todos os elementos, já com as funções definidas para o ano que se segue, marcou o final de um dia que começou com a “ronda” pela aldeia em que os novos Festeiros deixaram as suas casas na companhia dos antigos. De cada lar saíram, igualmente, as fogaças que integraram a procissão do dia anterior, preparadas e custeadas por cada família.

Às esposas dos elementos masculinos cabe a tarefa de preparar o presente oferecido aos santos, que será mais tarde leiloado, e a cozinha. Função que não mudou com o avançar do tempo, tal como a dos elementos da Comissão de Festas, ficando os homens encarregues da montagem e as mulheres da decoração e recolha dos objetos para a quermesse, cuja origem flamenga (“kerk” – igreja e “messe” – feira) denuncia a ligação aos festejos religiosos.

Outra ligação entre a festa e a religião é a colocação dos nomes dos novos Festeiros no quadro que ladeia a porta da Igreja. Não há como enganar se quiser saber a que portas bater para tratar de assuntos relacionados com as Festas das Limeiras pois os nomes são seguidos das respetivas moradas. Apenas o local, nada de números ou códigos-postais, desnecessários numa terra em que todos se conhecem.

Momento da passagem das capas entre os Festeiros. Foto: mediotejo.net

Ali ficamos a saber que a tradição será perpetuada em 2018 por um Juiz de S. João Baptista (Fernando Garcia), um Juiz de Nossa Senhora da Conceição (José Marques Grácio), um secretário (João Lourinho), um tesoureiro (Pedro Matos) e 11 vogais (José Silva Grácio, Sérgio Capitão, Ricardo Oliveira, João Fernandes, João Grácio, Fernando Garcia, Ludgero Aleixo, Daniel Rodrigues Garcia, Eugénio Varela, Nuno Moleiro e Miguel Garcia).

À semelhança da troca de capas, as Festeiras surgem de seguida na lista com a indicação de Cátia Silva como Juíza de S. João Baptista, Salomé Duarte como Juíza de Nossa Senhora da Conceição e Micaela Grácio, Carina Machado, Carolina Pereira, Leila Duarte, Inês Coelho e Daniela Henriques como vogais. Separação entre os lados masculino e feminino da aldeia, unidos pela diversidade de idades que prova a assunção desta responsabilidade secular por parte dos habitantes mais novos.

 

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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