Durante a visita inaugural da Feira do Tejo 2019. Foto: mediotejo.net

Durante seis dias, o Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha ganha nova vida com mais uma edição da Feira do Tejo, organizada pela Câmara Municipal e que constitui o principal evento anual do concelho.

Por estes dias (de 8 a 13 de junho), milhares de pessoas aproveitam o bom tempo para visitar este evento no qual as coletividades têm um papel fundamental, como reconhece o presidente da Câmara em entrevista ao mediotejo.net, minutos antes da visita inaugural.

“Temos tudo pronto para receber quem nos queira visitar e para partilhar as nossas alegrias e vivências, o que é nosso, o que é genuíno do nosso território”, afirma Fernando Freire.

O autarca destaca um programa com “muita arte, muito teatro de rua, muita música, muita participação da comunidade e das associações” mas faz uma referência especial à exposição sobre o Divino Espírito Santo no Médio Tejo a inaugurar na tarde deste domingo, dia 9.

A exposição orientada pelo curador Manuel Gandra apresenta elementos representativos do culto do Divino Espírito Santo, um tema transversal a todo o território da região do Médio Tejo, em que a Festa dos Tabuleiros, de Tomar, assume maior relevância.

O presidente da Câmara faz questão de frisar o papel que as coletividades têm na Feira do Tejo. “São essenciais, são a alavanca deste evento”, onde mostram “aquilo que fazem ao longo do ano com entrega e denodo”. São as associações que garantem o funcionamento das oito tasquinhas.

Ao longo da Alameda dos Plátanos e espaço envolvente estão cerca de 60 stands representativos de instituições, artesãos, escolas e coletividades.

Do programa de animação, além dos espetáculos no palco principal, a aposta vai mais uma vez para o teatro de rua numa interação permanente com os visitantes.

As duas rodas marcam uma forte presença no certame, seja através do grupo motard de Limeira Trilha Milhas que explora uma tasquinha e organiza um passeio, seja através do Vespa Clube de VN Barquinha que tem o seu stand e organiza a 17ª concentração Vespalmourol com cerca de 200 participantes.

O programa dos seis dias da Feira do Tejo procura agradar aos públicos de todas as idades. Por exemplo, a pensar nas crianças existem várias atividades desde ateliers a insufláveis.

A primeira noite da Feira do Tejo foi animada pelo HNB. Segue-se, este sábado, dia 9, a grupo INSOMNIO, que apresenta o seu espetáculo de teatro de rua, no dia 10 realiza-se um espetáculo com artistas da terra denominado “Carlos Barquinha e os 100STRESS” e que passa pela poesia, música e dança.

ALIVE – Tributo a Pearl Jam é o espetáculo anunciado para a noite de 11 de junho, regressando o teatro de rua, no dia 12, com os Absurdium Custom Circus e o seu teatro de rua diferenciador. A fechar, no dia 13, atua a Orquestra Ligeira do Exército.

António Luís Roldão, investigador da história de VN Barquinha. Foto: mediotejo.net

Uma feira com origens no séc. XVI

Há registos da existência, no séc. XVI, da Feira de Santo António em Tancos que depois passou para a Praia do Ribatejo (Payo de Pelle) numa altura em que se pagava portagem para atravessar de Tancos para o Arripiado (Chamusca). A referência histórica é feita pelo octogenário António Luís Roldão, figura emblemática de Vila Nova da Barquinha que, como autodidata, dedicou a sua vida a investigar a história do Concelho.

Essa feira primitiva acabou por desaparecer mas já no séc. XIX foi iniciada outra feira, também de Santo António, mas na vila. E nessa altura chegou a haver uma feira em junho e outra em julho, esta organizada pela associação hospitalar do Concelho da Barquinha que tinha por principal objetivo lutar pela construção de um hospital na vila. O desiderato concretizou-se em 1921 altura em que o hospital ficou pronto e foi fundada a Santa Casa da Misericórdia.

A memória prodigiosa de António Luís Roldão faz-nos recuar no tempo e lembrar as festas organizadas nesses tempos (já no séc. XX) e que traziam à vila os principais artistas de variedades nacionais. O historiador refere nomes como a orquestra Columbia, Simone de Oliveira e Shegundo Galarza.

Com a mudança de regime, nos anos 70, a feira de Santo António desapareceu para dar lugar nos anos 80 à atual Feira do Tejo.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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