Exército assinalou 377.º aniversário da Arma de Engenharia. Foto: Exército

O Exército assinalou em Tancos, Vila Nova da Barquinha, na sexta-feira, 12 de julho, no Regimento de Engenharia N.º 1, o 377.º aniversário da Arma de Engenharia. A cerimónia foi presidida pelo vice-chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General Maia Pereira, que destacou, no seu discurso, a importância da modernização, da preparação e do treino para fazer face aos desafios do presente.

“A conflitualidade contemporânea e a forma de fazer a guerra exige das Forças militares, nomeadamente da Engenharia Militar, uma enorme flexibilidade na organização, preparação e emprego”, disse o Tenente-General, tendo feito notar que, “neste sentido, importa apostar na inovação e modernização, procurando novas tecnologias e formas de emprego, em linha com a evolução da técnica, da doutrina e das operações terrestres, não descurando a importância dada à formação, individual e coletiva, de todos os militares de Engenharia”.

Exército assinalou 377.º aniversário da Arma de Engenharia. Foto: Exército

A memória, o treino, os novos desafios – Vice-Chefe do Estado Maior do Exército

“Comemoramos hoje os 377 anos da Arma de Engenharia, criada e desenvolvida por ilustres militares, cujos nomes não me cabe referir, porque é o dia de celebrar o esforço coletivo de todos quantos, ao longo da história, tiveram a honra de servir a sua pátria numa Unidade de Engenharia.

Recordar e prestar homenagem a estes militares, heróis ou simples anónimos, é uma obrigação de todos nós, e que nos deve encher de orgulho.

Muitos deles, sem dúvida os melhores de todos nós, foram até ao limite na sua dádiva, cumprindo, aliás, o que um dia haviam jurado, dando a sua vida pela pátria.

Hoje reconhecemos os relevantes serviços dos “soldados de Engenharia” que sempre, e em toda a parte, respondem “pronto”, quando Portugal os chama, seja para a sua defesa, seja para apoiar o desenvolvimento e bem-estar do seu povo, encarnando o verdadeiro significado da virtude militar – Servir.

A Arma de Engenharia foi, e continua a ser um importante vetor de transformação e modernização do Exército, que decorre da quantidade e diversidade das suas valências, sem nunca perder a sua matriz identitária de Arma Combatente.  É esta matriz que constitui o seu verdadeiro éthos e que deve continuar a ser a base da formação dos militares de Engenharia.

O conflito na Ucrânia tem demonstrado que, na evolução do ambiente estratégico internacional, nada deve ser dado como adquirido. Surgem novas ameaças, antigas ameaças reemergem e as formas de fazer a guerra são continuamente atestadas.

A guerra de trincheiras, mas também o apoio à mobilidade e à contramobilidade têm tido particular destaque neste conflito, em paralelo com a utilização massiva de drones e respetivos sensores, perante a qual a contravigilância volta a ter um papel fundamental e novos desafios.

A conflitualidade contemporânea e a forma de fazer a guerra exige das Forças militares, nomeadamente da Engenharia Militar, uma enorme flexibilidade na organização, preparação e emprego.

Neste sentido, importa apostar na inovação e modernização, procurando novas tecnologias e formas de emprego, em linha com a evolução da técnica, da doutrina e das operações terrestres, não descurando a importância dada à formação, individual e coletiva, de todos os militares de Engenharia.

Mas a formação, por si só, não assegura um desempenho eficaz. O treino, que permite preparar e organizar as nossas Unidades, complementa este vetor, culminando com o emprego operacional.

Permitam-me, a propósito da formação e do treino, uma referência especial aos quadros da Arma – Oficiais e Sargentos, detentores de saberes e conhecimento, formadores por excelência, aos quais se exige uma liderança atenta, próxima, firme e exigente.

Sois vós o pilar da Arma de Engenharia que, em conjunto com subordinados especializados e devidamente organizados e treinados, ireis cumprir todas as missões com eficiência e eficácia, cultivando o espírito do “Soldado de Engenharia”, conhecido pelo brio, responsabilidade, abnegação, bravura e engenho.

Dirijo agora umas palavras de reconhecimento aos militares de Engenharia que, neste preciso momento, se encontram no exterior do território nacional, longe das suas famílias, cumprindo missões em prol da segurança e do bem-estar coletivos, como é o caso do Módulo de Route Clearance, que integra a 15.ª Força Nacional Destacada no âmbito da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana.

A muito próxima edificação do European Union Battle Group 25-2/26-1, para o qual Portugal se irá constituir como Framework Nation, irá exigir Forças de Engenharia Militar, para o qual a experiência colhida em Forças Nacionais Destacadas, será determinante para mobilizar militares aptos a desempenharem as tarefas orgânicas da sua “especialidade de combate” e a possuírem, também, uma aptidão técnica na área das “construções”.

É usual apregoar que a sorte dá trabalho! Mas a sorte não é mais do que a conjugação da oportunidade com a preparação. Por isso, confio na preparação dos “Soldados de Engenharia” para não deixarem escapar as oportunidades e atingirem o mais exigente limiar de proficiência, superando de forma assaz os desafios a enfrentar, continuando a fazer jus à vossa reconhecida “ubiquidade”.

Exército assinalou 377.º aniversário da Arma de Engenharia. Foto: Exército

Oficiais, Sargentos, Praças e Trabalhadores Civis que servem na Engenharia Militar,

Esta Arma, habituada por formação e por atitude plurissecular a abrir e a percorrer novos caminhos no Exército, granjeia o meu otimismo e confiança na resposta positiva perante os desafios do futuro, alicerçando-a em espírito de missão, competência e solidez de valores.

O Exército Português e, particularmente, a Engenharia Militar, têm história feita ao longo dos séculos, na diversidade das mais variadas geografias e circunstâncias.

Desse património moral e histórico, inteiramente ligado à nacionalidade e ao percurso pátrio, saberão os militares e os trabalhadores civis que servem na Arma de Engenharia, retirar referenciais e exigências que, associados às suas capacidades morais, técnicas, militares e humanas, os constituam como obreiros preciosos da ideia de futuro que, por convicção e dever, temos como referência para o nosso Exército.

Reafirmo, pois, a minha plena confiança na Arma de Engenharia para continuar a cumprir e a servir em todas as circunstâncias, por mais difíceis e complexas que sejam, constituindo-se num valioso contributo para a consolidação de um Exército que evidencie força, determinação e capacidade, que irá dignificar as Forças Armadas e honrar Portugal”, concluiu o vice CEME, Tenente-General Maia Pereira.

Engenharia militar – Da história à abrangência da atividade atual

“A história da Engenharia Militar Portuguesa é um testemunho de inovação, de resiliência, de adaptabilidade e de serviço abnegado pelo país. A capacidade, versatilidade e o seu alcance, características exclusivas desta Arma, permitem assegurar as condições físicas para a manobra, para a sobrevivência e para a logística militar e, simultaneamente, convertê-la num parceiro credível no apoio civil, tornando-a na melhor intérprete da presença do Exército entre as populações, ajudando a reerguer comunidades e restaurar a esperança em situações de catástrofe.

Alguns dos exemplos de trabalhos passam por construções de emergência (vias de comunicação, estruturas e acampamentos de emergência); limpeza de itinerários e desobstrução de vias de comunicação; estabilização de taludes, remoção de escombros e escoramentos de emergência; avaliação estrutural de infraestruturas; planeamento e execução de demolições; travessia de cursos de água; prevenção de inundações, e deteção, identificação e inativação de engenhos explosivos (convencionais ou improvisados).

Dentro das suas possibilidades e inserido no apoio à sociedade civil, ao longo do último ano a Engenharia Militar conduziu inúmeros apoios, por motivos de intempéries ou detetadas problemas nas infraestruturas, através da montagem e disponibilização de pontes nos Municípios de Chamusca, Ponte de Sor, Montemor o Velho, Baião e Abrantes (Bemposta); prevenção de inundações, através da desmatação, limpeza e desassoreamento da Ribeira da Seiça; regularização dos areais das praias nos Municípios de Mira e Espinho, e ainda a recuperação de margens e limpeza de infestantes no Município de Mira.

De destacar ainda a disponibilização de três Destacamentos de Engenharia com Tratores de Lagartas, inseridos no âmbito da prevenção e apoio ao Dispositivo Especial de Combate aos Fogos Rurais, com a finalidade de eliminar o material combustível existente na zona evitando a sua combustão e em simultâneo, permitir o estabelecimento ou a ampliação de faixas de contenção (aceiros e/ou arrifes) que possibilitem o  acesso a outro tipo de equipamentos destinados ao combate.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply