Exposição ARTEJO. Foto: mediotejo.net

O projeto ARTEJO trouxe a arte pública ao Médio Tejo e os postos de transformação (PT) da EDP nas quatro freguesias de Vila Nova da Barquinha acolheram a criatividade de artistas de renome internacional, nacional, regional e local. Do mundo chegou a arte de Vhils, do país a de Manuel João Vieira, da região a de Violant e do concelho a de Carlos Vicente. No total, são 11 obras que integram o guia lançado no sábado, dia 18, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha.

O programa do dia incluiu visitas ao PECA – Parque de Escultura Contemporânea Almourol e às obras do ARTEJO e culminou com a inauguração da exposição que partilha na Galeria do Parque como o processo se desenvolveu ao longo de mais de um ano. Período marcado pelas assembleias comunitárias em cada freguesia, que tornaram as obras em reflexos dos sítios, tradições e gentes barquinhenses.

Na freguesia de Vila Nova da Barquinha, o roteiro integra as obras “Nau Catrineta” e “Adolescências”, criadas por Carlos Vicente em conjunto com os alunos do CEAC – Centro de estudos de Arte Contemporânea e Escola D. Maria II, respetivamente. A arte de Violant surge com “Sophia”, “Mayday” e “Vertigo” e a de Manuel João Vieira em “Quase banda desenhada”.

Lançamento do guia ARTEJO. Foto: mediotejo.net

A freguesia de Atalaia revelou-se a Vihls como uma “Vila de Oleiros” e a de Praia do Ribatejo a Carlos Vicente como “O Campo” e a Violant como “Ausência”, com a colaboração dos alunos da Universidade Sénior da Praia do Ribatejo. Tancos inspirou as “Mãos de Arraiais” a Carlos Vicente que, também nesta freguesia, pintou “Noah, o barqueiro”, em conjunto com Violant.

Conversámos com Carlos Vicente entre o lançamento e a inauguração. Um trajeto curto, ao contrário do longo processo em que dividiu o tempo entre a criação artística e a organização. Uma vez guardadas as tintas em que foi pegando entre telefonemas e emails, revela que o dia é encarado como o início de um período mais calmo e tem expectativa de que a exposição motive nos visitantes “vontade de ir visitar as obras”, metade delas com a sua assinatura.

Pormenor da obra “Nau Catrineta”, de Carlos Vicente, em Vila Nova da Barquinha. Foto: Pérsio Basso / CM VN Barquinha

Apesar de estar habituado a telas mais pequenas, os PT foram encarados com naturalidade. Para o artista, “é uma questão de tempo”, acrescentando que “o gozo de se pintar um PT, uma grande tela, é muito maior do que pintar uma pequena tela”. Sempre com o objetivo de surgir “uma obra de arte”, acrescenta, e no ARTEJO são dez que representam uma “mais-valia” para o concelho, traduzindo a essência dos locais e dos encontros entre artistas e habitantes.

O guia do Médio Tejo é um dos lançados pela Fundação EDP no âmbito do projeto que alia a inovação social e a cultura, assente numa ótica de inclusão e com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento económico de territórios de baixa densidade. A materialização deu-se nos PT e nos armários de distribuição da EDP, que revelaram o seu potencial como “a maior tela ao ar livre de Portugal”, como caracterizou Margarida Pinto Correia.

Desenhos dos artistas ARTEJO de Vila Nova da Barquinha na exposição. Foto: mediotejo.net

A diretora de Inovação Social da Fundação EDP foi uma das presenças no lançamento, tal como João Pinharanda, curador do Programa Arte Pública, e Jorge Santos, da EDP Distribuição, assim como os participantes no instameet que decorreu no fim-de-semana. A primeira partilhou com o mediotejo.net que o ARTEJO surgiu uma pintura num PT durante outro projeto. O momento de “revelação” deu lugar aos contactos com os artistas e a arte pública reforçou a sua vertente social, podemos dizer, com outra energia.

O caso barquinhense, confirmou, é “batota da boa” neste projeto uma vez que, ao contrário das outras regiões abrangidas de norte a sul do país, o concelho tinha características diferenciadoras. A ligação já existente à arte, nomeadamente através do PECA – Parque de Escultura Contemporânea Almourol, é uma delas.

Outra foi o contexto local encontrado, sem indícios de “desagregação social”, “abandono” e desinteresse da população levando, em outras regiões, a trabalhar-se com associações sociais.

Ambiente geral da inauguração da exposição. Foto: mediotejo.net

Em Vila Nova da Barquinha, o município assumiu o papel de ativador local e é a ele que (também) compete assegurar a continuidade do projeto uma vez que a Fundação EDP deixa de ter intervenção direta.

Um desafio que Fernando Freire, presidente da câmara municipal, assume, dizendo que o ARTEJO “é um processo de crescimento, tal como foi com o parque de escultura e outros que virão. Um projeto “fabuloso”, refere, nomeadamente porque “envolveu toda a comunidade” e “tenta descentralizar a cultura” no concelho.

O novo roteiro de arte urbana assume-se como meio de potenciar o desenvolvimento local de forma direta e indireta, abrangendo áreas como o turismo, o comércio e a regeneração urbana.

Uma “riqueza para o território”, diz o autarca, “mas tem que ser uma riqueza que privilegie a questão do bem-estar, da qualidade de vida e da harmonia. É isso que que queremos transmitir aqui, em Vila Nova da Barquinha”.


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Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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