Foto: Fundação Dr. Francisco Cruz

Foi rodeada de familiares e amigos que Dina Branco celebrou 100 anos de vida, na festa de aniversário promovida pela Fundação Dr. Francisco da Cruz, instituição da freguesia de Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha. O momento festivo decorreu no domingo, 20 de novembro, e contou com a animação do Grupo Folclórico “Os Pescadores de Tancos” e um momento religioso com o diácono Miguel Esteves.

Outros utentes, funcionárias, familiares (como a filha, o genro, a cunhada, duas sobrinhas e uma sobrinha-neta de Dina Branco), elementos do grupo folclórico da freguesia vizinha, elementos da direção e corpos sociais da instituição, todos ajudaram a cantar os parabéns, soprar as velas e comer o bolo, a propósito do centenário de Dina Branco, que não contava com tal surpresa.

“Gostei muito da festa. Estranhei porque eu não contava. Contava sim com um jantar ou um almoço, ou uma coisa qualquer, mais uma pessoa conhecida ou outra, mas foi além daquilo que eu pensava, mas agradeço, agradeço muito a Deus, que fui muito bem recebida”, diz ao nosso jornal, com os olhos a marejarem-se de lágrimas de gratidão.

Muito feliz e emocionada, Dina Branco diz ao mediotejo.net que nunca tinha pensado chegar aos 100 anos, recordando desde logo a primeira prova de fogo da sua vida quando “ainda era rapariga”: sofreu de pneumotórax, doença complicada, principalmente na altura, mas à qual sobreviveu (e longamente) para contar a história.

Desde aí, além de uma breve passagem por uma fábrica de camisas onde se empregou, Dina Branco foi dona de casa, repartindo a sua vida entre Lisboa e Santa Margarida. Os anos e datas são mais difíceis de recordar, mas as moradas que marcaram a sua vida ainda as sabe na ponta da língua, pelo que ao recordar determinadas fases do seu percurso logo diz o nome da rua, número e andar condizente.

“Tratava toda a gente bem que se abeirasse de mim, mas namoro só tive um. Namorei-o durante três anos, depois morreu, não tive mais namoros nenhuns. É assim a vida”, recorda. Em Santa Margarida viveu na casa que era dos avós, lá ficou e “ia orientando aquilo que sabia fazer”, como renda.

“Olhe, fiz este xaile a aprender”, diz enquanto levanta a peça de cor roxa que lhe cobre os ombros e as costas – sítio onde tem sempre frio, sequelas da pneumotórax – tendo-o feito na altura sem pensar no jeito que lhe iria fazer no futuro. Quando o fez achava-o grande, agora parece-lhe sempre pequeno. Diz que se soubesse o teria feito maior.

Em retrospetiva, desde esses tempos de mocidade até ao auge de um centenário, Dina Branco não se queixa: “Passei sempre bem, graças a Deus. Fiz amigos e conhecidos, de maneira que olhe, foi assim a minha vida”.

Quanto à sensação de ser já centenária, diz não pensar nisso e que 100 é só um número. Para as pessoas novas tem apenas um conselho: o de que pelo menos conservem o juízo que ela conservou até esta idade.

Dina Branco disse-nos que nunca foi muito de festas além daquelas organizadas pelo Atlético de Queluz, a que foi quando era nova, mas esta foi uma que adorou. E não é caso para menos. Afinal, não é todos os dias que se celebram 100 anos.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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