A terceira edição do seminário “Conversas 3.0 – Residências Artísticas” teve lugar no Centro Cultural este sábado, dia 7, e juntou os oito criativos que fizeram residências artísticas em Vila Nova da Barquinha durante 2017. Um dia de sol dedicado à arte inspirada no concelho e que terminou com a “Viagem à Sombra” proposta por Gil Heitor Cortesão na Galeria do Parque.
As “Conversas 3.0 – Residências Artísticas” arrancaram com a sessão de abertura na presença de Fernando Freire, presidente da autarquia, à qual se seguiram as apresentações de João Seguro, Rafaela Nunes, Bárbara Bulhão, Carlos Lérias, a dupla Francisca Valador e Eduardo Fonseca e Silva, Filipa Nunes e Luís Nobre. Alguns artistas despediram-se há dias e regressaram para partilhar o resultado das viagens realizadas no concelho entre os meses de junho e setembro.

O calor atípico no outono puxou nova viagem artística, mas desta vez “à sombra” com a inauguração da exposição de Gil Heitor Cortesão na Galeria do Parque. A mostra “Viagem à Sombra” fica patente até 14 de janeiro de 2018 e tem como comissário João Pinharanda da Fundação EDP, entidade parceira do município, e do Instituto Politécnico de Tomar no Programa de Arte Pública que integra as residências artísticas.
As suas palavras podem ler-se na entrada galeria, caraterizando as obras expostas como a exploração de “alguns exemplos extremos: de apropriação cultural, de relação entre o homem e a paisagem humanizada; exemplos de controlo do mundo pelo homem ou da sua desregulação e perda de controlo. Ou seja, Gil Heitor Cortesão, tenta aproximar-se e aproximar-nos de algumas possibilidades/modalidades de habitar o mundo, demonstrando a precariedade de cada solução mas também a persistência do trabalho do pintor e de quem vê”.

O coordenador do projeto ligado ao Parque de Escultura Contemporânea Almourol (PECA) esteve ladeado na Galeria do Parque pelo pintor nascido em Lisboa no ano de 1967, cujos trabalhos percorreram o mundo em exposições e integram coleções da Fundação ARCO (Madrid), EDP – Eletricidade de Portugal (Lisboa), Mudam – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean (Luxemburgo) ou Fundação de Serralves (Porto).
Entre as intervenções do final de tarde, Gil Heitor Cortesão destacou o lado “algo” íntimo do conjunto de obras “mais ou menos recentes”, com uma dimensão menor quando comparada com o resto do seu trabalho e no qual se inclui o tema do Ribatejo. Fernando Freire, por seu lado, destacou a forte ligação de Vila Nova da Barquinha à cultura que o município pretende “incentivar” devido à “folga financeira” perspetivada para os próximos tempos.

O coordenador do Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) também esteve presente na inauguração e falou com o mediotejo.net já com o programa do dia fechado. Segundo Carlos Vicente, as residências artísticas representam uma “mais-valia” pois estimulam os projetos ligados “à parte estética do nosso concelho”, a par de promoverem a troca de experiências entre criativos que acabam por criar elos com a terra e as gentes.
Uma “formação em artes” que, na sua opinião, conseguiu envolver a comunidade não numa “questão de vaidade, mas de nós sentirmos a coisa como nossa. O nosso rio, as nossas margens, a vila cada vez mais bonita”. Para Carlos Vicente, as pessoas “estão mais contentes com o que a Barquinha hoje é em comparação com aquilo que foi outrora”, exemplificando com os visitantes que vão ao parque ribeirinho “simplesmente pela arte”.
