Representantes das entidades envolvidas na organização (Foto: mediotejo.net)

“Mente sã em corpo são” foi o lema da iniciativa “Vila Saúde” que decorreu na sexta feira, dia 11, na escola D. Maria II em Vila Nova da Barquinha e que envolveu toda a comunidade escolar.

Durante um dia inteiro, houve workshops, rastreios, palestras e exposições sobre a temática da vida saudável, numa iniciativa do Agrupamento de Escolas, com o apoio da Câmara e da Junta de Freguesia e o envolvimento das quatro Associação de Pais, alunos, professores, educadores e funcionários, a quem Ana Santos, da direção do agrupamento, agradeceu.

Para esta dirigente, é importante que, “para além do saber enciclopédico, os alunos têm de saber sentir”. Por isso, há que “otimizar os processos de aprendizagem”, “abrir a escola à comunidade”, “incutir nos alunos os vários saberes e potenciar o autoconhecimento de si próprios e do mundo que os rodeia, para torna-los cidadãos em pleno no séc. XXI”.

Por lapso, referimos no vídeo a presença do “corpo de paraquedistas” o que não corresponde à verdade. Na verdade, trata-se do “corpo de fuzileiros”. Pedimos desculpa pelo erro.

Durante a manhã, entre outras atividades, realizou-se uma palestra sobre “Violência no namoro”, com intervenção de uma representante da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, “desligue o Piloto Automático” por Rosa Garrett, e uma mesa redonda com Fernando Nobre, Presidente da AMI, irmã Cândida e Fernando Freire, Presidente da Câmara de VN Barquinha.

Já da parte da tarde, Sabino Soares, candidato a professor do ano, veio de Olhão e conseguiu pôr a plateia a fazer exercícios de respiração e de meditação para mostrar como é possível estimular a concentração dos alunos, com resultados no sucesso educativo.

Mais aguardada e a gerar maior participação foi a mesa redonda com os ex-futebolistas Paulo Futre e Fernando Mendes, moderada por Carlos Anjos, comentador da CMTV.

Logo à chegada, os três convidados foram calorosamente saudados pelos alunos que pediam autógrafos e selfies.

Os dois atletas, ambos do Montijo, jogaram nos três grandes clubes e alcançaram carreiras internacionais. Foi esse percurso desde que saíram da sua terra com 11, 12 anos que relataram como forma de exemplo para os pequenos jogadores que assistiam entusiasmados na plateia.

“Nós nunca deixámos de sonhar, por isso, sonhem e lutem sempre pela concretização dos vossos sonhos”, disse Paulo Futre, 52 anos.

O moderador, comentador da CMTV, Carlos Anjos, nasceu e viveu em Vila Nova da Barquinha e foi o “intermediário” para que os dois jogadores participassem na iniciativa.

A maior parte da sessão foi preenchida com perguntas dos alunos e de alguns adultos dirigidas a Paulo Futre e Fernando Mendes. Estes relataram as suas experiências nos clubes por onde passaram em Portugal e no estrangeiro e na seleção, não escondendo as dificuldades que tiveram de ultrapassar.

Num momento mais emocionante, uma professora mostrou um autógrafo que Paulo Futre lhe enviou em 1984. Na altura, Vanda, fã do jogador, escreveu para o FC Porto a pedir um autógrafo de Futre, e ele respondeu “com humildade” satisfazendo o pedido. Trinta e quatro anos depois, a professora ainda guarda o autógrafo que mostrou à plateia.

A sessão terminou com a oferta aos três convidados de caricaturas de cada um dos oradores e de t-shirts da UDA – União Desportiva Atalaiense, cujos dirigentes também participaram na sessão.

Seguiu-se uma sessão sobre quiroprática por Neil Violante.

“Saber quem somos” era o tema de uma mesa redonda marcada para o fim da tarde com intervenções de Fernando Pádua, médico do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, Rita Mendes, Counseling do «Encontra-te», Magda Serras, nutricionista, e Francelina Costa, médica.

O desafio “Parar para pensar: afinal de contas o que é que eu sou?” foi lançado pela conselheira Rita Mendes, a abrir a sessão.

A nutricionista Magda Serras deixou dicas para uma alimentação equilibrada, onde o sal e o açúcar são os principais inimigos. “Diversidade e bom senso na alimentação” foi o conselho que deixou.

A médica Francelina Costa falou sobre a importância da genética na formação física e psicológica e deixou dicas para sermos felizes e estarmos bem connosco próprios.

O último a intervir foi o cardiologista Fernando Pádua que começou por dar os parabéns pela iniciativa. Relatou o seu percurso de vida e como chegou a cardiologista, apesar de ter começado por ser um mau aluno.

Lembrou os tempos em que viveu no Tramagal onde aprendeu a ler e a escrever. O seu pai trabalhava na Metalúrgica Duarte Ferreira e pediu transferência para a filial da empresa em Lisboa. Estimulado por um professor, Fernando Pádua acabou por ser o melhor aluno do liceu conseguindo uma bolsa para prosseguir os estudos.

Ganhou projeção nos primórdios da televisão em Portugal onde dava conselhos sobre o coração e o combate ao tabagismo.

“Somos o que comemos”, “a saúde é demasiado importante para estar só na mão dos médicos”, “Temos um melhor serviço nacional de saúde do que os Estados Unidos”, “Temos de tratar dos sub-20 para chegar aos 120 (anos)”, foram algumas das suas frases mais marcantes naquela mesa-redonda.

Terminou, com uma brincadeira, baseada nas vogais, que faz com os seus netos.

No AEIOU, o “A”, é de Alimentação, “E” de exercício, “I” de inibição de fumar, “O” de omitir o sal da mesa e reduzir o açúcar, “U” de uma visita por ano ao médico. Às cinco vogais acrescentou um ‘s de Stress, “uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos”.

Com os seus 90 anos, foram estes os conselhos que deixou “para estarmos vivos, ativos, alegres e saudáveis”.

A mesa-redonda terminou com um apontamento musical alusivo à alimentação saudável pelas crianças dos jardins de infância, momento que foi muito aplaudido.

O evento “Vila Saúde” terminou com uma mostra de “Sopas do Mundo” e um momento musical por Pedro Dyonysyo e Ricardo Costa.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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