Foto: mediotejo.net

Quando chegamos, o tema a ser desenvolvido é o da distribuição populacional. Os convites à participação dos alunos só são superados pelos constantes braços no ar, intercalados com alguma resposta não contida e proferida na ânsia de também participar.

É assim que decorre um laboratório do CIEC (Centro Integrado de Educação em Ciências), em Vila Nova da Barquinha, no qual todos os dias participam três das 12 turmas de ensino primário do concelho, onde os aluno são convidados a pensar e intervir de forma critica, identificando não só problemas como também soluções.

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Complementarmente, ao dispor estão cinco salas temáticas com 40 módulos interativos e relacionados com realidade do concelho de Vila Nova Barquinha, como a sala “Explorando o Tejo” (onde o tema inspirador é este rio de extrema importância na vida e história da Barquinha), “Explorando o Castelo” (sobre o monumento ex-libris do concelho) ou “Explorando o Voo” (tendo em conta a instalação da Unidade de Aviação Ligeira do Exército, do Aeródromo Militar de Tancos e do Regimento de Paraquedistas).

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Nestes módulos as crianças são desafiadas a descobrir a fauna e flora da região, a perceber a convexidade e concavidade dos espelhos ao verem os seus reflexos, a como evitar uma inundação numa zona onde existe uma barragem, a perceber a ajuda de roldanas no emprego de força muscular ou a “pensar com as mãos” no módulo Tink.

“O CIEC está realmente de parabéns porque ao longo de uma década formou em ciência várias gerações”, diz-nos Paula Pontes, vereadora com o pelouro da educação da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e presidente do CIEC, que considera este estabelecimento “único” no concelho e na região.

“É único porque realmente os alunos têm a oportunidade de experienciar, de pensar, de desenvolver o seu raciocínio lógico, não lhes é imposto, eles têm essa oportunidade de tentar, de ver se funciona, se não funciona, porque é que funciona, porque é que não funciona, e é realmente essa dinâmica que nos torna diferentes”, considera a autarca.

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Com uma década decorrida desde a sua inauguração, para Paula Pontes já é comprovável em como o CIEC é uma “mais valia” para os alunos, tendo em conta os resultados das provas externas e do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos), onde é demonstrado “que estamos acima da média da região e às vezes até da média nacional, temos bons resultados”, afiança.

Além das turmas do 1º ciclo, também os alunos dos jardins de infância são incluídos nestes projetos, de forma a despertar as crianças cada vez mais cedo para a ciência e a sua aprendizagem, com os jardins de infância a irem ao CIEC e com o CIEC a ir aos jardins de infância.

No entanto, esta ampla oferta educativa e panóplia de atividades é também aberta a outros alunos e agrupamentos de fora do concelho. Embora a maioria das escolas visitantes sejam de municípios afetos à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, o CIEC também recebe escolas de outros concelhos, como o de Lisboa. 

Atualmente, além da visita à exposição permanente, e de forma complementar, os alunos visitantes podem contar com a realização uma atividade a desenvolver no laboratório, algo que “capta muito mais a atenção porque eles querem vir aqui mesmo é para mexer, pôr em prática, não é só visitar”, daí haver escolas que voltam todos os anos, revela ao nosso jornal Ana Lúcia, professora do primeiro ciclo, integrada no Centro Integrado de Educação em Ciências.

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A docente revela ainda que, tendo em conta que os alunos barquinhenses são despertos para a ciência ainda no jardim de infância, que se nota que as crianças “quando chegam aqui já trazem alguns conceitos a nível das ciências experimentais”, pelo que “quando recebemos crianças novas vindas de outras escolas e agrupamentos nota-se bastante essa diferença, dos nossos alunos que já têm contacto com as ciências desde o pré-escolar daqueles que não têm”.

Para Ana Neves, jovem professora do CIEC com quem o nosso jornal também conversou, a “grande diferença” reside nas capacidades mais do que apenas nas ciências: “eles no laboratório são incentivados a formular questões, a pensar criticamente sobre os temas, a refletir em conjunto, a respeitar a opinião dos outros, e então as capacidades, as atitudes e os valores são muito trabalhadas na prática em laboratório”.

“O que também acontece em sala de aula, mas ali há um ambiente privilegiado em que se trabalha muito as capacidades que lhes vão ser úteis para depois serem adultos mais confiantes, mais ativos na sociedade e com um papel também mais crítico e que lhes vão pensar sobre o que lhes é proposto e em função disso também procurar soluções, não vão só identificar problemas mas ser adultos ativos na procura de soluções, é isso que trabalhamos muito em laboratório também”, considera Ana Neves.

O feedback dos alunos, esse é notoriamente positivo, tanto que além de chegarem sempre muito entusiasmados, depois “nunca querem sair do laboratório, porque aquela é a sessão da semana em que eles têm a oportunidade de trabalhar temas da atualidade”, notou.

“Por exemplo, no meu caso estávamos a trabalhar a questão da distribuição populacional, é um tema que faz parte das aprendizagens essenciais do quarto ano e é trabalhado de uma forma mais dinâmica, mais ativa, em que são eles os protagonistas de toda a ação. E acho que isso é o mais diferente que nós temos para oferecer, aliar as ciências experimentais à parte da metodologia de ensino ativa, em que são eles os protagonistas da sua própria construção de aprendizagem”, explica Ana Neves.

Uma educação diferenciada é, alias, outra das formas para captar gente para o território, como o comprova um caso relatado ao nosso jornal de um casal que queria para o filho uma escola onde este se sentisse bem e que, sem conhecer e apenas pesquisando, acabou por se fixar no concelho de Vila Nova da Barquinha, tendo em conta a oferta educativa com que se depararam na pesquisa efetuada.

Com o casal e o filho, vieram também viver para o concelho os avós do aluno, passando o município barquinhense a contar com cinco novos residentes.

Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, considera o projeto como “muito interessante” e garante que este “é para continuar”, realçando também o papel da Universidade de Aveiro, parceira no projeto, e o seu aconselhamento e acompanhamento técnico, até mesmo ao nível dos alunos desta instituição de ensino que realizam os seus estágios no CIEC.

“De facto é um ensino diferenciador, uma oferta diferenciadora que também tem recolhido e cativado alguns alunos para a frequência do ensino no nosso concelho, como é público e notório com o aumento em dois anos de 200 alunos”, defende ainda o presidente da autarquia.

Para além das comunidades escolares, o CIEC está também aberto à comunidade, para que também esta possa visitar e experienciar este equipamento educativo, num encontro de gerações, com eventos periódicos como workshops, “cafés com ciência”, “trilhos com arte e ciência” ou até mesmo festas de aniversário com direito a uma atividade de laboratório “à medida”.

Para mais informações basta consultar a página de Facebook do Centro Integrado de Educação em Ciências, constantemente atualizado e onde são dadas a conhecer todas as novidades.

Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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