Regimento de Engenharia. Foto: DR

Todos os anos no dia 13 de julho juntam-se no Regimento de Engenharia nº 1, instalado em Tancos, Vila Nova da Barquinha, militares de todo o país para comemorar o Dia da Engenharia Militar. Mas este ano, devido à pandemia, as cerimónias do 373º aniversário tiveram de ser canceladas e privadas de público, havendo apenas referências nas redes sociais. Este ano, a unidade tem desempenhado um papel de relevo no combate à pandemia com ações de descontaminação em vários locais do país.

“É um dia com um significado muito especial porque estamos habituados a que haja uma cerimónia militar com outro protocolo, onde se juntam militares das diversas unidades de engenharia – Nº 1 em Tancos, nº 3 em Espinho e da companhia de Engenharia de Santa Margarida – mas é também um dia de convívio e de reencontro dos militares e funcionários civis da arma de engenharia”, disse ao mediotejo.net o Comandante do Regimento de Engenharia n.º 1, Coronel Leonel Martins, que lamenta não poder repetir o evento este ano.

A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha também não deixou passar em branco esta data e enviou um ofício onde se associa às comemorações e “reconhece todos aqueles que contribuíram, e contribuem, com o seu mérito, o seu percurso pessoal e profissional para a dignificação da arma de Engenharia e do Regimento que superiormente dirige, das Forças Armadas e do Estado Português”.

No documento assinado pelos Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal, António-Augusto Ribeiro e Fernando Freire, respetivamente, os autarcas sublinham que aquela unidade militar “mantêm magníficas relações institucionais com este Município relevando no contexto social a cooperação na construção de infraestruturas, no turismo e no corrente ano com a celebração do protocolo para a intervenção no Centro de Negócios de Vila Nova da Barquinha (CDN) e no Campo Escutista deste concelho”.

“O trabalho que essa unidade, sobre o seu distinto Comando, vem desenvolvendo em prol do desenvolvimento nacional em missões de interesse público, bem visível nas últimas intervenções no âmbito da pandemia, e no apoio que tem dado às autarquias locais têm-lhe granjeado muitos e rasgados elogios que importa relevar”, destacam os autarcas.

Coronel Leonel Martins, Comandante do Regimento de Engenharia nº 1. Foto: mediotejo.net,

O Regimento de Engenharia nº 1 define como sua missão “aprontar o Comando de Batalhão de Engenharia, a 1ª Companhia de Engenharia de Apoio Geral, a Companhia de Pontes, a Companhia de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, o Grupo de Equipas de Inativação de Engenhos Explosivos, a Companhia de Engenharia de Combate Ligeira e a Companhia de Engenharia de Apoio Militar de Emergência”.

A história da unidade remonta a 24 de outubro de 1812 quando é criado o Batalhão de Artífices Engenheiros, raízes do atual Regimento que se afirma “legítimo herdeiro das gloriosas tradições da primeira Unidade de Engenharia do Exército Português”.

O Batalhão de Artífices Engenheiros deu lugar, em 1834, ao Batalhão de Sapadores e, em 1869, ao Batalhão de Engenharia.

Em 31 de outubro de 1884 Fontes Pereira de Melo criava o primeiro Regimento de Engenharia que incluía uma Companhia de Caminhos de Ferro, antecessora do Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro que, até à sua extinção em 1977.

Em 1911 o Regimento é transformado no Batalhão de Sapadores Mineiros e dois anos depois em Regimento de Sapadores Mineiros, unidade que, juntamente com o Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro, toma parte ativa na 1ª Grande Guerra (1914-1918).

Nos anos 40 deu origem ao Regimento de Engenharia Nº 2 que depois se passa a designar Regimento de Engenharia N º 1.

No historial da unidade refere-se que “durante as campanhas de África este Regimento foi mobilizadora da quase totalidade das Companhias de Engenharia que participaram na guerra na Guiné, Angola e Moçambique”.

Foi neste regimento que no dia 25 de abril de 1974 esteve localizado o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.

A partir de 1985 o RE1 inicia trabalhos de apoio às Autarquias, seja a abrir estradões, a fazer movimentação de terras ou outras tarefas, com base em protocolos celebrados entre o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério do Planeamento e Administração do Território.

Mais recentemente militares do Regimento de Engenharia Nº 1 têm participado em missões de cooperação técnico militar com os PALOP e em Forças Nacionais Destacadas, nomeadamente nos Balcãs, Timor Leste, Afeganistão e Líbano.

Desde 2013 está constituído o Polo Permanente do Prédio Militar 001 Vila Nova da Barquinha no aquartelamento da ex-EPE. No ano seguinte o Regimento transferiu-se da Pontinha para as instalações em Tancos.

Atualmente, no Regimento de Engenharia Nº 1 em Tancos, continuam-se a formar especialistas dos três ramos das Forças Armadas, Forças de Segurança e de entidades civis ligadas à Defesa Nacional e à Proteção Civil de Portugal, e de Exércitos de Países Amigos, nomeadamente em sapadores, explosivos, demolições, minas e armadilhas, inativação de engenhos explosivos, operação de embarcações, NBQR, construções e instalações e vias de comunicação.

A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha também não deixou passar em branco esta data e enviou um ofício onde se associa às comemorações. Foto arquivo: CMVNB

Este ano, a unidade tem desempenhado um papel de relevo no combate à pandemia com ações de descontaminação em vários locais do país.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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