Ana Rodrigues nas "Palavras Soltas" do CEAC. Foto: mediotejo.net

A última sessão das “Palavras Soltas” juntou duas áreas marcantes do concelho, arte e ciência, ao receber Ana Rodrigues no Centro de Estudos e Arte Contemporânea (CEAC). A diretora do Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) da Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha foi a convidada desta quinta-feira, dia 2, e soltou palavras sobre o início de vida em Estarreja, a vocação pelo ensino, o gosto pela ciência e o “amor” pelo CIEC e a vila barquinhense.

As luzes da sala estúdio do Centro de Estudos e Arte Contemporânea (CEAC) voltaram a incidir em duas caras durante a última sessão de “Palavras Soltas”. Uma dela foi a de Carlos Vicente, coordenador do CEAC e moderador da iniciativa, outra foi a de Ana Rodrigues, diretora do Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) da Escola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha desde 2012.

A professora auxiliar no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro trouxe a ciência ao centro dedicado à arte, assim como as recordações da infância e da adolescência passadas em Estarreja, a terra natal, onde nasceu em 1978. Foi nesses primeiros anos que descobriu a vocação pelo ensino, inspirada pela dona Joaninha, a professora primária que a marcou “para a vida” e faz com que Ana Rodrigues defenda que o “valor dos professores” deve ser repensado.

Valor acrescido, na opinião da investigadora, quando falamos de professores primários. Aqueles que “criam as bases” dos futuros cidadãos numa fase do ensino que marca as pessoas e integra diversas áreas de forma “quase mágica”, sem deixar de ter “a sua ciência”. A multidisciplinaridade é essencial para o desenvolvimento “holístico” dos alunos, segundo a docente que se assume como “a mulher da integração”.

Fotos: mediotejo.net

Ana Rodrigues teve a oportunidade de materializar esta convicção na viragem do milénio, em 2000, quando foi colocada em Famalicão (Anadia), e mantida nos três anos em conciliou as aulas com as crianças do colégio durante a manhã e as aulas dos adultos adultos da Universidade de Aveiro à noite. Os mais crescidos conheciam-na desde 1999, ano em que aceitou o convite para trabalhar na universidade.

A sua orientadora de mestrado e doutoramento, professora Isabel Martins, outra fonte de inspiração, esteve presente nesse momento, assim como no da decisão por trabalhar na universidade a tempo inteiro. A docente universitária que é caraterizada como “uma orientadora pela vida fora” também supervisionou a tese de doutoramento em Didática e Formação intitulada “A Educação em Ciências no Ensino Básico em Ambientes Integrados de Formação”, que contribuiu para a génese do CIEC e da Escola Ciência Viva.

É neste ponto do percurso de vida de Ana Rodrigues que passa a ser possível aplicar uma interpretação literal do tema da conversa desta quinta-feira, “A Ciência leva-nos mais longe”, uma vez que foi a ciência que a trouxe para Vila Nova da Barquinha. No caso da diretora do CIEC leva-a a percorrer regularmente mais de 150 quilómetros entre o lar que partilha com os seus “três homens” (o marido e os dois filhos) e a vila ribeirinha que a faz sentir em casa.

Fotos: mediotejo.net

O CIEC, assume, é “mais do que uma amizade” e mais do que o projeto pioneiro a nível nacional tornado realidade no momento da inauguração, a 17 de Abril de 2012, seis anos depois do primeiro contacto feito pelo então presidente da Câmara Municipal, Miguel Pombeiro. O CIEC é o local onde Ana Rodrigues diz ter nascido o seu “amor” pela Barquinha.

“Amor” que não se consegue criar em laboratório e foi mais tarde confirmado pela cientista ao mediotejo.net devido ao “contexto particular” do concelho onde as comunidades política e educativa dão “valor” à educação, as pessoas são “amigas” e as crianças “fantásticas”. Fatores que a motivam a querer dar mais, destacando que numa relação de amor se dá sem querer receber, mas “se recebermos, acabamos por alimentar esse sentimento”. Estas emoções têm “a sua ciência” e “justificação científica” e são, igualmente, associadas à investigação e à docência, encaradas como a “missão” que a trouxe até à margem do rio Tejo.

A “química” estende-se à população barquinhense que considera ser uma peça fundamental no trabalho que desenvolve no espaço de educação não formal em ciências e é convidada a entrar nas inúmeras atividades desenvolvidas ao longo do ano. Aos habituais cafés e jantares com ciência, ateliers e workshops poderão juntar-se, brevemente, iniciativas intergeracionais que promovem a partilha de saberes e a construção de projetos em família. No futuro também se prevê o alargamento do conceito do ensino experimental das ciências desenvolvido no CIEC a outros municípios do Médio Tejo com o apoio dos fundos comunitários do PT2020.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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