“Um sorriso para Pemba” é o nome do projeto solidário que está a unir o Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha de forma a ajudar na alimentação, matrículas, uniformes e material escolar de jovens moçambicanos de Pemba em dificuldades devido aos ataques em Cabo Delgado. Para já os alunos já estão a vender rifas, sendo que está ainda previsto um jantar solidário a ser realizado em novembro.
A iniciativa surgiu através do pedido do padre Ricardo Marques, pároco na diocese de Pemba e ex-aluno do Agrupamento barquinhense, que desafiou à implementação desta iniciativa que visa ajudar os jovens provenientes de famílias carenciadas, deslocadas de guerra devido aos ataques em Cabo Delgado. Até ao momento – com o apoio da diocese de Pemba e de outras organizações – a paróquia de Maria Auxiliadora já ajudou mais de 200 jovens nesta iniciativa, revela o Agrupamento em comunicado.
Este projeto pretende assim alcançar quatro objetivos bem definidos, nomeadamente em ajudar os(as) jovens carenciados, provenientes de famílias deslocadas, nas suas necessidades educativas, ajudar à promoção da dignidade humana (com programas e atividades complementares), acompanhar e estimular as famílias na sua formação integral e estimular as famílias no crescimento e na transmissão dos valores humanos, morais, éticos e cívicos.
A comunidade educativa de Vila Nova da Barquinha já se encontra a angariar fundos, tendo sido pedida a colaboração de todos os alunos, através da venda de um bloco de dez rifas com o valor de um euro cada. O Agrupamento irá ainda promover um jantar solidário “imbuído no espírito Natalício de Amizade, Solidariedade e Bem Fazer” no dia 25 de novembro, sendo que entretanto serão divulgados mais pormenores.
Numa fase inicial, o Agrupamento Escolar barquinhense pretende tentar chegar aos 50 jovens beneficiados, mantendo em aberto a possibilidade de alcançar números superiores a este. Segundo os dados apresentados pelo agrupamento, a ajuda a cada um dos jovens estudantes moçambicanos tem o custo de 48€, montante repartido entre o valor da matrícula, do uniforme e do material escolar.
“Pretende-se, por outro lado, que este não seja somente um donativo, mas uma forma de ajudar pedagogicamente a comunidade educativa, principalmente os alunos deste agrupamento, na construção e edificação de valores humanos, éticos, morais e cívicos e na construção de um mundo mais fraterno e solidário”, refere ainda a informação enviada ao nosso jornal.
A iniciativa decorre até junho 2023.
Os jovens a serem beneficiados serão sinalizados com base nos seguintes critérios:
a. Famílias deslocadas, vítimas dos ataques em Cabo Delgado (critério obrigatório);
b. Famílias sem fontes de rendimento ou com rendimentos baixos;
c. Famílias cujas lideranças são pessoas idosas;
d. Famílias cujas lideranças são pessoas doentes;
e. Famílias cujas lideranças são viúvas ou mulheres grávidas;
Haverá assim uma equipa designada para, em articulação com as lideranças locais, sinalizar os jovens a beneficiar com base nestes critérios, sendo que será a Cáritas a responsável pela aquisição dos tecidos e materiais escolares em mercados locais e, nalguns casos, fora de Pemba. Será também a Cáritas a entidade que fará o controlo e a gestão dos donativos, bem como irá produzir relatórios trimestrais com todos os documentos justificativos necessários, como extratos bancários, faturas, relatórios de acompanhamento mensais, ou outros.

