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Quero começar o ano a escrever uma coisa diferente do habitual. Algo mais do foro pessoal do que da esfera profissional ou empresarial. Entrei neste novo ano com uma certeza que só a idade nos traz: à medida que passa o tempo, temos cada vez menos pessoas à nossa volta, tendo cada vez mais pessoas boas à nossa volta. Temos menos pessoas mas pessoas maiores – o que quer que isso seja para cada um de nós.

Senti isso na pele pelo punhado de amigos verdadeiramente próximos que me restam – bons, mesmo bons, daqueles com que falamos sem palavras. Com que nos encontramos sempre que nos dá na real gana mesmo a milhares de km’s de distância.

Menos do que nunca, melhores do que nunca; mais afastados uns dos outros do que nunca, mais próximos uns dos outros do que nunca – porque a distância física não passa disso mesmo: mera distância física.

“Então como está tudo?”, “Também chove por aí?”, “E a patroa, está boa?”, “O respetivo, como está?”, “Quando vais à terra?”, “Já recuperaste da lesão?”, “Como tem corrido a época?”, são as coordenadas de que precisamos para transformar milhares de km’s em sorrisos de orelha a orelha. Para transformar um dia dia de merd* em que tudo parece perdido, na certeza de que o barco está seguro porque o porto estará sempre lá.

O ponto nevrálgico de tudo isto? Na minha opinião, a característica mais importante e subvalorizada de todos os tempos: ser boa pessoa. Ser genuinamente bom. Querer fazer bem e acrescentar aos outros. Querer deixar os outros melhor do que os encontrámos. De melhor humor, com melhor cara, arrancar-lhes uma gargalhada, “fazer-lhes” o dia.

Só quero pessoas dessas à minha volta pois de crápulas, vingativos, egocêntricos, armalhões e maldosos está este mundo cheio.

Com isto, inadvertidamente (ou talvez nem tanto), chegámos uma vez mais às empresas e ao mundo corporativo. É que aqueles crápulas, vingativos, egocêntricos, armalhões e maldosos que pululam por este mundo fora, infelizmente, também têm trabalhos, também são chefes (não líderes), também são donos de empresas (não empresários).

É por isso que, cada vez mais, para mim, sermos boas pessoas é a característica mais relevante que podemos aportar a qualquer organização com que colaboremos. Logo seguida, de muito perto, pela humildade e pela capacidade de fazer acontecer (“problem-solver”, “doer”, ou o que lhe quiserem chamar). Este é o meu top-3 absoluto no que toca a soft skills, não sendo somente características-chave naquilo que procuro quando faço recrutamento seja para que posição for, mas também – e principalmente – naquilo que procuro ser todos os dias enquanto profissional.

Todos nós podemos aprender gestão, contabilidade, finanças, fiscalidade ou marketing. É possível ficarmos craques nas redes socias ou em SEO. Podemos evoluir muito no Excel e na análise de dados. Mesmo no domínio das engenharias, com mais tempo e muito estudo, é possível chegar lá. Com mais ou menos dificuldade, todos podemos aprender competências técnicas, pelo que, nesse âmbito, todos somos substituíveis – ponto final. Há que encará-lo com toda a humildade e com a tranquilidade possível. Com o advento das ferramentas de IA, negá-lo é não querer ver o mundo como ele é e será.

Já no que toca a ser boa pessoa, a música é outra. Não há escola que possa ensinar quem não o é a sê-lo. Por um motivo simples: ser má pessoa é uma decisão. Consciente e premeditada. Querer provar-se à custa de diminuir os outros, as suas competências e o seu trabalho não é limitação, é falta de confiança crónica e pequenez.

Pior: dificultar – propositada e maquiavelicamente – o dia-a-dia, as tarefas e, em última instância, a vida dos outros, é falta de carácter e de espinha dorsal. É não prestar para nada. É, acima de tudo, por mais experiência que se tenha ou que se ache ter, estar na vida sem dela ter percebido coisa alguma. Nada. Absolutamente nada.

Pessoas genuinamente boas são a estirpe que mais vai rareando nos diversos contextos por que tenho passado. Ou é um mal geral ou sou uma pessoa de azar; não posso confirmar nenhum dos cenários com absoluta certeza, mas posso, isso sim, escolher aqueles de que quero fazer parte.

É como com os amigos: cada um guarda os que quer.

Rossiense e Abrantino, tem 33 anos. Nascido e criado no Fojo, o lugar rossiense das três ruas paralelas que é porta de entrada para a floresta encantada que triangula com a Concavada e com São Facundo. Apaixonado por viagens, cultura e associativismo. Viciado em conhecimento: como eterno aluno mas, também, mais recentemente, no papel de docente e formador. Licenciado em Relações Internacionais, Pós-Graduado em Economia e em Negócios Internacionais, Mestre em Gestão (Estratégia e Internacionalização), está atualmente a terminar o MBA na Prague University of Economics and Business (Praga, República Checa).
Diretor Comercial e de Marketing, é um gestor experiente, especializado em estratégia e internacionalização de empresas, com projetos desenvolvidos na Europa, América Latina e Médio Oriente.

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