Esta sexta-feira, dia 10 de março é inaugurada em Torres Novas a 1º Feira de Artes Visuais realizada com a colaboração da Câmara Municipal e a associação Taacto, na Praça do Peixe.

É a primeira e por isto não sei exatamente o que será e como será, mas com certeza é um exemplo de que o Médio Tejo está em evolução em artes visuais, poesia, musica e outras artes.  Sei que haverá pintura ao vivo, leitura de poesia e muito mais, Um facto é que muitos estão interessados a mostrar o que sabem fazer (alguns o que “acham” de saber fazer, mas esta é outra historia), mas é verdade que há uma grande evolução seja em pessoas como em certames, feiras, festivais e concursos.

Do meu ponto de vista, é positivo, visto trabalhar nesta área e sobretudo ter incentivado há mais de 20 anos este caminho, pelo que fico feliz ao ver que a população possa ter uma visão alargada do que acontece em muitas casas e ateliers. Agora podemos dizer que a arte está a sair a rua.

Quando eu cheguei a Portugal, no longínquo ano de 1986, poucos eram os atrativos culturais e menos ainda exposições e concursos de pintura e alguns deles fechados a uma elite ou outros mal organizados, com responsáveis que, às vezes, eram postos obrigatoriamente pelos municípios a fazer algo que não conheciam.

Hoje em dia não. Há concursos de pintura e poesia que já têm anos de atividade, exposições com curadores e pessoas profissionalmente capazes e organizadas. A gráfica dos cartazes, a divulgação e as galas de entrega de prémios são sempre melhores, e isto é reconfortante.

Agora falta só uma coisa. Muito Importante, a educação dos que visitam estes eventos, não que sejam mal-educados, nada disto, mas deveriam ser educados pelo que andam a ver ou ouvir. Deveriam ser mais formados e aproximar-se mais aos artistas, fazer perguntas, tentar perceber.

Quantas vezes me aconteceu que, ao pintar ao vivo, as pessoas se aproximam com cautela para ver mas, quando tento interagir com eles para responder a eventuais perguntas ou duvidas….já está, fugiu. Quantas vezes durante uma exposição, pessoas se aproximam da porta para ver e quando os convidas a entrar…já está, fugiu.

Isto acontece sempre, mas porquê? Porque não somos devidamente informados, criados, educados do que é uma exposição ou um concurso de pintura. A nossa sociedade, escola, e/ou família, obriga-nos a pensar que DEVEMOS comprar um carro, as sapatilhas de marca, o relógio suíço, aquele tablet ou o incontornável smartphone ultimo modelo, mas não uma obra de arte, não um desenho único e original, não um livro de poesia do nosso vizinho. Para quê? e pensam: “se os outros vizinhos não compram e eu também não compro”.

Mas ..meus senhores, desculpem, se gastam 60.000 € num carrão, 200.000 € na vivenda, 5.000€ na férias na Tailândia, porque não comprar uma obra de arte para decorar a sua sala? Porque não encomendar uma decoração para o quarto do seu filho? Únicos, originais. Porque não desenvolvem o gosto de coleccionar desenhos originais.

É este tipo de educação ou raciocínio que deveria ser agora desenvolvido para a comunidade poder gostar e saborear mais todos os eventos culturais que temos à disposição.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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