Valdemar Joaquim é o candidato do PS à Câmara Municipal de Vila de Rei. Foto: mediotejo.net

Já está escolhido o candidato do PS à Câmara de Vila de Rei. O protagonista da candidatura socialista será Valdemar Joaquim, de 71 anos, uma figura por demais conhecida no concelho, por ter sido desde 2017 diretor-geral da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei (SCMVR), e por ser filho de Irene Barata, que irá liderar a lista do PS à Assembleia Municipal, com vasta experiência autárquica uma vez que foi presidente da Câmara de Vila de Rei durante 24 anos, sempre eleita pelo PSD, e provedora da SCMVR durante 26 anos.

Segundo Valdemar Joaquim, o fator fundamental para a decisão de se candidatar pelo PS, prendeu-se com a incapacidade do atual executivo municipal de fixar pessoas no concelho, nomeadamente na criação de postos de trabalho, sendo que “sem emprego não há pessoas, e sem pessoas não há emprego”.

Portanto, “após o convite do Partido Socialista”, não sendo político, decidiu avançar convencido que tem “a equipa certa para fazer a diferença”.

Dedicar-se à política, assume, “não estava nos meus objetivos. Mas fruto do convite que foi endereçado pelo Partido Socialista e ter-me apercebido que o concelho não tem tido o desenvolvimento que deveria ter, nestes últimos anos, nestes três últimos mandatos do executivo”, optou por avançar com uma candidatura, confirmou ao nosso jornal Valdemar Joaquim.

Embora reconheça que o executivo municipal “tem conseguido uma boa imagem exterior do concelho, essa boa imagem não se traduz no desenvolvimento”, que considera relevante para Vila de Rei.

“Muitas das medidas que o executivo municipal preconizou não geraram postos de trabalho consideráveis. Quem realmente criou postos de trabalho que se vissem foi a Santa Casa. Apesar de todas as dificuldades, foi fazendo investimentos e criou postos de trabalho substanciais que veio, de certa forma, dinamizar, contribuindo para a dinamização e engrandecimento do concelho”, afirmou, opinando que a Zona Industrial, onde o município investiu, não teve “muita aceitação” por parte de empresários que ali poderiam e podem instalar as suas empresas.

De 1989 a 2013 Irene Barata esteve no poder em Vila de Rei, tendo cumprido o sexto mandato consecutivo eleita pelo PSD. Concorre agora pela PS. Créditos: mediotejo.net

Valdemar Joaquim indica o emprego e a habitação como dois problemas a resolver no concelho embora admitindo que “se esgotou a mão-de-obra para trabalhar”.

Defende, no entanto, a necessidade de instalação de “mais empresas para o concelho se desenvolver. Para continuar na senda do progresso tem de ter mais gente. Para ter mais gente temos de criar mais postos de trabalho”, defendeu.

Ou seja, para o candidato do PS, as medidas empreendidas pelo atual executivo, de maioria PSD, “não deram os frutos desejados”, entendendo Valdemar Joaquim que a aposta na atração de investimento empresarial deverá ser feito de forma “sustentável” porque só assim atrairá população.

Questionado se acredita no sucesso da sua candidatura, liderando uma corrida por um partido de centro esquerda num concelho que sempre votou na direita, desde que há eleições livres, Valdemar Joaquim manifesta-se otimista, acreditando que, para o eleitor, “tem mais peso a pessoa do que a cor política. Claro que vamos lutar pela vitória e vamos apresentar um programa que fará a diferença”, afirma o candidato.

O cabeça-de-lista do PS à câmara é um estreante na corrida política, mas concorrendo à liderança da autarquia leva consigo uma veterana, como candidata à Assembleia Municipal: Irene Barata, que durante 24 anos foi presidente da Câmara de Vila de Rei. Eleita pelo PSD, agora candidata-se pelo PS.

Valdemar Joaquim sublinha a relevância que a ex-presidente da Câmara teve no desenvolvimento do concelho, desde logo na construção da variante à Estrada Nacional 2 e na construção da ponte sobre o rio Zêzere, que liga o concelho de Vila de Rei ao concelho de Ferreira do Zêzere.

Três milhões de euros e 80 postos de trabalho diretos foi o resultado da construção do “Centro Geriátrico Nossa Senhora Esperança” de Vila de Rei – Estrutura Residencial para Pessoas Idosas”, inaugurado em maio de 2017. Na foto, Irene Barata, ex-provedora da SCM Vila de Rei, Pedro Santana Lopes, então Provedor da SCM de Lisboa, e Valdemar Joaquim, à altura diretor geral da instituição. Foto: CMVR
ÁUDIO | VALDEMAR JOAQUIM, CANDIDATO DO PS À CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DE REI

Irene Barata ficou no poder até 2013 tendo cumprido seis mandatos consecutivos, data em que Ricardo Aires se candidatou à presidência da Câmara pelo PSD, tendo sido seu vice-presidente, e é o atual presidente da autarquia, agora em final de mandato, não podendo recandidatar-se ao cargo devido à lei de limitação de mandatos, após ter ganho três eleições autárquicas seguidas.

O presidente da Comissão Política Distrital do PS, Vítor Pereira, disse ter dado total liberdade à concelhia do partido e elogiou a indigitação de Valdemar Joaquim à Câmara e de Irene Barata à Assembleia Municipal de Vila de Rei, “dois nobilíssimos candidatos”.

“Quer o nosso candidato à Câmara Municipal, quer a nossa candidata à Assembleia Municipal, são pessoas que conhecem profundamente o concelho. Duvido que alguém conheça melhor do que eles a realidade de Vila de Rei”, enfatizou à Lusa Vítor Pereira.

 O presidente da distrital socialista, também presidente da Câmara da Covilhã, onde cumpre o último de três mandatos, considerou os dois candidatos a Vila de Rei “cidadãos notáveis, exemplares, entusiasmados” e afirmou estar certo de que” vão ter ganho de causa”.

O PSD venceu as eleições autárquicas em 2021, para a Câmara Municipal de Vila de Rei, conquistando quatro mandatos e o PS um.

As eleições autárquicas, ainda sem data definida, deverão decorrer entre setembro e outubro.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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