A reunião de câmara desta terça-feira, em Vila de Rei, foi atípica: cerca de uma dezena de populares da aldeia de Milriça estiveram presentes no público para reclamar soluções e ações de melhoria na sua terra, no que toca à pavimentação de estradas e acessos, corte de ervas, limpeza de contentores do lixo e recolha de resíduos, bem como de abrigos de transportes públicos situados junto à EN2.

Ana Pedro, que não é natural de Vila de Rei mas se assumiu enquanto porta-voz do grupo, referiu que “os pais possuem uma segunda casa, de férias, como muitos dos habitantes de Vila de Rei. São poucos os eleitores, mas muitas das casas são de segunda habitação”.

“As pessoas estão bastante descontentes por gastarem algumas das economias a fazer segundas habitações devido a vários constrangimentos que existem na aldeia que em comparação com outras aldeias que não se encontram no concelho”, começou por contextualizar.

Ana Pedro, em primeiro plano, manifestou enquanto porta-voz o desagrado dos populares de Milriça em sessão de executivo camarário. Foto: mediotejo.net

Uma das queixas prende-se com a falta de limpeza dos caixotes do lixo, que segundo Ana, não acontece. “No verão o cheiro é insuportável, quase, e as pessoas vêm de férias, trazem os seus amigos, para conhecer o concelho e a aldeia, e trazer pessoas de fora com um cheiro – ainda para mais os caixotes do lixo estão perto das habitações – não é um bom presente para trazer as pessoas para cá”, referiu.

Os habitante também reclamam a retirada dos caixotes do lixo da via pública, uma vez que “muitas das ruas da Milriça não estão alcatroadas”, e isso dificulta a deslocação na mesma. “Todos os concelhos estão a ser alcatroados, acho que há mais de 20 anos que não se faz uma reparação na Milriça, exceto quando existe um problema de águas”, queixou-se Ana Pedro, portadora de uma imagem de satélite da aldeia, com marcação de todas as estradas alcatroadas em Vila de Rei e as que não estão pavimentadas em Milriça.

A porta-voz acabou por mencionar também que as pessoas da aldeia de Milriça, na sua essência população envelhecida, faz regularmente caminhadas em grupos numerosos, mas como as estradas da aldeia não são alcatroadas e não existe limpeza de ervas daninhas nas laterais, as pessoas vão caminhar para a EN2.

“A EN2 ao domingo à tarde é um problema” pela quantidade de carros que passa ali e pela velocidade, e “é um risco muito grande”. De qualquer modo, as “as pessoas querem continuar a fazer as suas caminhadas, e de alguma maneira isto tem de ser resolvido. É o que as pessoas pedem”, retorquiu.

Ana Pedro recordou ainda uma situação pessoal. “No meu caso em particular, escrevi um e-mail ao Sr. Presidente da CM Vila de Rei em 2008, na altura a D. Irene Barata. Sempre que chove existe uma inundação da via pública por águas pluviais, porque quem conhece a Milriça, não é só as casas que estão na EN2, existe um grande declive de estrada, desde o início da localidade até ao final, não existe nenhum sítio onde exista escoamento de água, e a água vai pela rua abaixo”, levando a preocupações e constrangimentos na entrada da sua propriedade.

“No meu caso, às vezes preciso de botas de borracha para entrar em casa, e eu estou à espera, muitas das vezes, em Lisboa, quando é que a água me entra em casa. As pessoas para passar de casa para casa, muitas das vezes metem blocos na estrada com madeiras para tentarem passar para a casa da vizinha. Não é possível passar com os sapatos normais”, afirmou.

Também uma das habitantes interveio, referindo ter investido em casas para alugar, e tem em mente investir mais, pois adquiriu uma casa antiga para reconstrução, mas acredita que “não há condições” porque “os carros chegam lá a baixo e têm de vir de marcha-atrás até cá acima. Isto é inadmissível nesta altura do campeonato”. Foto: mediotejo.net

“Nós não podemos lá passar, porque é só buracos. Não podemos entrar para a minha casa, não posso ir àquilo que é meu do lado de cima, quero que a estrada esteja boa para mim, para os inquilinos e para os meus irmãos e vizinhos”, protestou.

Ricardo Aires, autarca vilarregense, respondeu abertamente a todas as reclamações e queixas, tendo contrariado os populares quanto ao facto de há 20 anos não se fazer intervenções na aldeia. “Não é verdade. Aquilo que lhe posso dizer é que as estradas que estão lá em terra batida, paralelamente à Estrada Nacional 2, é das Infraestruturas de Portugal. Há documentação no município e de população da Milriça, de termos feito várias reuniões, não só sobre estes mas de vários problemas da EN2 quando foi feita, como por exemplo o acesso à Associação de Caça e Pesca, o acesso à Bica da Milriça, o acesso à Fundada…”.

“Continuamos a alertar a IP para estes problemas (…) há documentação na CMVR e a IP diz que ‘estão a analisar’, mas estão a analisar há anos. Mas não somos donos da IP nem da EN2”, disse Ricardo Aires.

O autarca deixou um apelo aos habitantes para fazerem um abaixo-assinado e que o fizessem chegam àquela entidade, quer diretamente, quer através do Município. “É um conselho que vos dou”, referiu Ricardo Aires, pedindo também que lhe fizessem chegar “o e-mail para a CM ir averiguar” as questões relacionados com as águas pluviais e inundações da via pública. “Eu não tenho conhecimento disso”, afirmou.

Os habitantes de Milriça deslocaram-se à Câmara para se queixar sobre situações não resolvidas na aldeia e que se têm vindo a arrastar. Foto: mediotejo.net

No que toca às restantes estradas no interior da aldeia, entre as quais a Rua dos Garcias, a autarquia já está a proceder ao projeto para a sua requalificação, tendo-se deslocado ao local técnicos da CMVR, segundo o presidente da Câmara.

Em 2006, lembrou Ricardo Aires, a autarquia já quis alcatroar algumas das estradas indicadas nas queixas dos habitantes nesta sessão. “Como nós não temos cadastro, na altura não deixaram alcatroar”, dizendo que é questão de se ver de quem são os terrenos. Quanto ao corte de ervas a competência é da Junta de freguesia, e quanto aos caixotes do lixo o autarca referiu que a CMVR vai averiguar.

Ricardo Aires aproveitou a ocasião para relembrar a importância de os habitantes fazerem o seu recenseamento no concelho de Vila de Rei, sendo que em 13 pessoas apenas 4 assumiram estar recenseadas. “Se gostam, e eu acho que gostam, tanto da Milriça e do concelho de Vila de Rei, faço um apelo a vocês – aos que podem – façam o vosso recenseamento no concelho de Vila de Rei porque vem mais dinheiro para o Fundo de Equilíbrio Financeiro da Câmara e também da respetiva Junta de Freguesia. Peço-vos isso”, disse acrescentando que “só com receitas é que conseguimos fazer obras”, sendo que por recenseamento a autarquia recebe entre 12 a 15 mil euros por ano, e o o FEF depende do número de recenseados e da área do concelho, explicou Ricardo Aires.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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