Vila de Rei não tem um único médico de família e recorre ao projeto Bata Branca. Foto: CM VR

“Já alertámos há mais de dois anos e meio” que a falta de médicos de família “ia chegar a Vila de Rei”, disse Ricardo Aires lamentando que “as entidades que tutelam a saúde não tenham precavido esta situação”. Sendo que “mais uma vez para mitigar a solução dos médicos, terá de ser agora o Município de Vila de Rei, nos termos do projeto Bata Branca”.

Neste sentido foi assinado um protocolo entre o Município de Vila de Rei, ULS do Médio Tejo, Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei e uma médica que atualmente presta cuidados no Centro de Saúde da Vila, para à luz do projeto Bata Branca, financiado pelo Município, aumentar o número de horas ao serviço de toda a comunidade.

Paralelamente, segundo o PSD, “estão a ser estabelecidos contactos com outros médicos para também eles prestarem serviços no nosso Centro de Saúde, mais uma vez à luz do projeto Bata Branca e bem assim cofinanciado pelo município, assim como a possibilidade de mesmo após a aposentação, possa a drª Glória Santos vir a prestar serviços”. Isto porque os dois médicos de família que exerciam atividade no Centro de Saúde de Vila de Rei aposentaram-se.

Ricardo Aires, atual presidente da Câmara de Vila de Rei, eleito pelo PSD, é também o presidente da Comissão Política Concelhia.

Lamentando, o também presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei afirmou esperar que “este Governo faça uma reforma séria e tem de haver um pacto entre os partidos políticos na Assembleia da República para que esta situação se resolva o mais depressa possível”, uma vez que a solução de “médicos tarefeiros” não se apresenta “perfeita”, ainda que minimize o problema.

De acordo com Ricardo Aires “há muitos anos” que a população das freguesias de Vila de Rei têm de se deslocar à Vila para ter cuidados médicos, “visto que a sede de concelho fica no meio do concelho e por isso, essa solução está descrita há muito tempo”.

Questionado, o autarca revela, no entanto, “não ver” os seus munícipes de madrugada a aguardar por uma consulta à porta do Centro de Saúde. “Vão cedo, sim, mas não é de madrugada”, afirma.

Em comunicado o PSD refere assistir hoje à “necessidade atroz de médicos de família por todo o País, fruto de décadas de desinvestimento, décadas de fraco ou inexistente planeamento, levando a que praticamente todos os concelhos tenham necessidade de mais médicos de família. Perante a falta de médicos, e as necessidades de cuidados das suas populações, debatem-se todos os municípios por encontrar formas alternativas de dotar os seus concelhos de médicos que satisfaçam as necessidades das suas populações, assistindo-se a um leilão de quem dá mais para arrebatar os médicos com disponibilidade para assegurar serviços”.

Mais uma vez, critica, “são os municípios, e os seus orçamentos, a procurar encontrar soluções para problemas que deveriam ser resolvidos pelo poder central. Também o Município de Vila de Rei, seja através de comparticipação direta, seja através da atribuição de residência gratuita, o faz, procurando salvaguardar e atender às necessidades dos vilarregenses”, lê-se ainda no comunicado.

Considerando ser este “o caminho errado”, contudo, “face às necessidades da população é aquele que mais rapidamente pode vir a solucionar, mesmo que temporariamente, as necessidades existentes”.

Acrescenta o PSD que “resultou de reunião com a ULS do Médio Tejo o reforço dos cuidados médicos através da realização de teleconsultas, suprindo assim um conjunto de necessidades mais básicas e de fácil resolução”.

Resultou igualmente da referida reunião que “é prioridade da ULS do Médio Tejo, estando aberto um concurso para o efeito, de atribuição de um médico de família em permanência para o concelho, sendo este, a nosso ver, o caminho certo e estruturado para resolver um problema também ele estruturante”.

O PSD de Vila de Rei manifestou-se “bastante apreensivo perante a falta de respostas estruturantes, tendo vindo a alertar para o efeito há anos”.

Sendo um problema transversal a todos os territórios do País que “se debatem com o problema da escassez de médicos” mas, considerando “a estrutura etária” da população vilarregense, bem como “a distância aos serviços da ULS do Médio Tejo, julgamos de todo pertinente e urgente soluções duradouras que preservem o superior interesse das nossas populações”.

Para Ricardo Aires, “sendo ou não uma população envelhecida, é sempre mau os concelhos chegarem a este ponto, por isso é que o Município de Vila de Rei propôs o projeto Bata Branca para mitigar esta situação”, esperando por uma solução “o mais depressa possível”, disse, opinando que “dois médicos a tempo inteiro e mais um a meio tempo” seria o número razoável para as necessidades do concelho.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CONCELHIA DO PSD DE VILA DE REI, RICARDO AIRES

Autarquia comparticipa médico para o Centro de Saúde de Vila de Rei

O executivo de Vila de Rei aprovou, em reunião extraordinária realizada a 23 de dezembro, a proposta de acordo de cooperação na área da saúde que envolve o município vilarregense, a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei (SCMVR) e a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo (ULSMT) e que, no âmbito do projeto Bata Branca, pretende reforçar o acesso à prestação de cuidados de saúde da população vilarregense.

Este acordo de cooperação prevê assim que as três entidades se comprometem a assegurar, em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde, a prestação de serviços e cuidados de saúde aos utentes com inscrição na Unidade de Cuidados de Saúde Primária de Vila de Rei.

Segundo a proposta de protocolo, o Município de Vila de Rei compromete-se a comparticipar financeiramente a realização de consultas, a prestar por médicos com vínculo à SCMVR. A verba assumida pelo Município destina-se a suportar parcialmente os custos inerentes a estas prestações de saúde, com um complemento de até oito euros por hora, dos quais dois euros por hora são destinados à SCMVR. O Município assume ainda a disponibilização de um apartamento de tipologia T2 ao médico a afetar.

Vila de Rei não tem um único médico de família e recorre ao projeto Bata Branca. Foto: USF

Estes cuidados de saúde, prestados em 40 horas semanais, serão fornecidos a utentes sem médico de família atribuído ou a utentes sem acesso a cuidados médicos por ausência do seu médico de família e as consultas serão fornecidas nas instalações das unidades funcionais da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Vila de Rei.

Esta ação vai permitir que os utentes tenham assim acesso a consultas de rotina, acompanhamento de doenças crónicas e outros serviços, garantindo cuidados de saúde mais próximos e acessíveis.

O vice-presidente do Município de Vila de Rei, Paulo César Luís, refere que “é de extrema importância garantir que a comunidade vilarregense tenha acesso à melhor prestação de cuidados de saúde possível. Neste sentido, e face ao considerável número de munícipes que, atualmente, não têm médico de família atribuído, este protocolo assume um peso ainda mais relevante e apenas é possível graças à estreita colaboração entre todas as entidades. Este é mais uma forte aposta deste Executivo na área da Saúde, que consideremos como um pilar essencial para o bem-estar da população do nosso Concelho”.

Considerando o máximo de 40 horas semanais, com o complemento de 10euros por hora, o valor do presente acordo de cooperação pode configurar uma despesa de até 16.640,00 euros anuais.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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