Idoso morre após queda não reportada em Unidade de Cuidados Continuados de Vila de Rei. Imagem ilustrativa: Pixabay

O mediotejo.net tomou conhecimento da morte de um idoso, de 88 anos, que ocorreu após “uma queda” na Unidade de Cuidados Continuados (UCC) de Vila de Rei, e não reportada. A situação foi posteriormente confirmada por Valdemar Joaquim. O idoso “foi para o Hospital mas acabou por falecer”, deu conta o responsável. Após o incidente, a instituição abriu um inquérito “de natureza disciplinar” para apurar responsabilidades, tendo “o colaborador sido colocado em casa”. Contudo, adiantou, o trabalhador da instituição “pediu demissão”.

O utente da UCC encontrava-se em tratamento, até dezembro, que “estava a progredir bem”, referiu o responsável, mas a 14 de outubro “caiu e o colaborador que estava a tratar do idoso não reportou a quem de direito a queda, desvalorizou, infelizmente”, admitiu Valdemar Joaquim, acrescentando que “só mais tarde a colega percebeu que algo não estava bem”.

Uma denúncia que chegou à redação do nosso jornal indica que a queda resultou na morte “derivado a negligência por ocultação e prestação de auxílio imediato”. E vai mais longe: “o responsável pelo idoso naquela instituição deixo-o cair e não chamaram auxílio, não o socorreu e ocultou propositadamente”.

É referido igualmente que o idoso “fraturou a anca, nem teve tempo de ser operado, faleceu do traumatismo craniano que a queda originou, pela indicação que referiram como a causa do óbito”.

Lamentando a morte do utente, Valdemar Joaquim explicou ao nosso jornal que, de facto, o idoso encontrava-se na UCC “a recuperar de uma queda anterior. Já tinha estado hospitalizado” e, quando questionado, confirmou que, após a queda na instituição, apresentava um hematoma na cabeça, “na zona da testa”, especificou.

No entanto, afirmou que a instituição “não está em condições de assumir” se o idoso faleceu ou não da queda uma vez que “só a autópsia o poderá confirmar”, sendo que a instituição “não tem conhecimento da causa da morte”, até ao momento.

Tendo em conta a informação que chegou ao nosso jornal, o idoso foi internado na UCC derivado a um internamento, por vários problemas de saúde, durante três meses, em unidade hospitalar, tendo perdido a mobilidade pelo que necessitava de fisioterapia.

Após o incidente, a instituição abriu um inquérito “de natureza disciplinar” para apurar responsabilidades no caso, tendo “o colaborador sido colocado em casa”, explicou o responsável. Contudo, o trabalhador da instituição “pediu demissão”.

Questionado ainda sobre as consequências que este caso poderá ter para a instituição, na eventualidade da autópsia confirmar que a queda causou a morte, por falta de prestação de auxílio imediato, Valdemar Joaquim disse que “fica nas mãos da família e daquilo que entender fazer”.

Quanto à questão de atribuição de culpabilidade “só o tribunal poderá decidir”, disse, sublinhando que a administração da UCC de Vila de Rei “mune as nossas valências de tudo o que é necessário para que não haja problemas, mas infelizmente aconteceu”.

A haver essa causa efeito estabelecida, Valdemar admite que “à posteriori” possa ser imputada “responsabilidade ao colaborador” que entretanto deixou de trabalhar na instituição. “A família fará as diligências que entender. Teremos de aguardar”, concluiu.

Recorde-se que a UCC de Vila de Rei é fruto de uma parceria entre a Santa Casa da Misericórdia e a Câmara Municipal tendo contado com o apoio técnico e financeiro do Ministério da Saúde.

A UCC de Vila de Rei, inaugurada em dezembro de 2010, apoia os utentes dos hospitais de Castelo Branco e do Centro Hospitalar do Médio Tejo – Abrantes, Tomar e Torres Novas – assegurando a prestação de cuidados integrados de saúde e apoio social a pessoas que se encontram em situação de dependência e necessitam de cuidados especiais.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados foi criada em 2006 pelos ministérios da Saúde e do Trabalho e da Solidariedade Social, com o objetivo de permitir aos utentes recuperarem a autonomia para as atividades da vida diária e reduzirem o seu grau de dependência.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

Deixe um comentário

Leave a Reply