Foto: Cann10

Já surgiu luz ao fundo do túnel quanto ao processo para instalação de unidade da multinacional Cann10, que pretende produzir farmacêuticos à base de medical cannabis sativa no concelho de Vila de Rei. O investimento, anunciado em novembro de 2018, conseguiu assim o primeiro parecer positivo por parte do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, no sentido de permitir o cultivo, importação e exportação. Aguarda-se um segundo parecer para permitir a fase de transformação da cannabis em produtos farmacêuticos.

Para já, Ricardo Aires, autarca vilarregense, congratula-se com este que é um “passo importantíssimo” de “um investimento com enorme peso no desenvolvimento económico, atração de mão-de-obra qualificada e fixação de população”.

O anúncio foi feito na terça-feira, dia 17 de março, pela Câmara Municipal de Vila de Rei, referindo que graças a este parecer a multinacional Cann10 “pode assim avançar para a implementação de uma unidade fabril em Vila de Rei”, na Zona Industrial do Souto, aguardando um último parecer quanto ao “pedido para a transformação de cannabis em produtos farmacêuticos, a implementar igualmente na mesma unidade”, parecer que se encontra em fase de análise.

Prevê-se que “dentro de seis meses” o Infarmed vá “realizar as devidas vistorias às novas instalações da farmacêutica, a instalar no Lote 1 da Zona Industrial do Souto, de forma a garantir o cumprimento das Boas Práticas Agrícolas e de Colheita (GACP) e demais requisitos decorrentes da atividade, para a concessão da autorização para cultivo, importação e exportação da espécie vegetal Cannabis Sativa L”, lê-se em nota de imprensa da autarquia.

Obtendo os dois pareceres positivos e reunindo as futuras instalações os requisitos no decorrer da fiscalização pelo Infarmed, a multinacional israelita Cann10, através da Cann-10 Portugal, consolida assim um investimento total na ordem dos 10 milhões de euros.

Recorde-se que da parte da autarquia está tudo pronto a receber este investimento, tendo sido efetivada a proposta de aquisição do lote nº1 na Zona Industrial do Souto, com 4,5 hectares pelo valor de 0,01 euros, e o arrendamento com opção de compra do antigo lote da Frutinatura (pavilhão do lote nº 1 desativado desde que a empresa faliu, há cerca de 10 anos) por 374 mil euros da Zona Industrial do Carrascal, questões que foram aprovadas por unanimidade pelo executivo camarário na reunião pública de 16 de novembro de 2018.

A renda mensal será de 2000 euros, pelo prazo de 4 anos, sendo o valor das rendas pagas incluído no valor final a pagar.

A empresa estima chegar aos 100 postos de trabalho num prazo de 3 a 4 anos, esperando necessitar de mão de obra qualificada, a maioria “com título académico superior dadas as exigências técnicas”.

Os promotores já haviam reconhecido que “embora tenha sido pensada para exportação, na sua totalidade, as recentes alterações legislativas e a sua previsível evolução, colocam em cima da mesa o próprio mercado nacional e não apenas a produção do extrato”.

Para Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, este parecer positivo representa “um passo importantíssimo naquele que será um investimento com enorme peso no desenvolvimento económico, atração de mão-de-obra qualificada e fixação de população no interior do país e, especificamente, no concelho de Vila de Rei”.

O autarca congratula-se com este facto, tendo em crer que tal se deve “ao forte investimento” que a autarquia tem realizado nas zonas industriais vilarregenses, que têm por isso “capacidade e potencial para atrair novas empresas e, com isso, contribuir para o desenvolvimento social e económico de Vila de Rei”.

Ricardo Aires sublinhou ainda o “empenho, até pessoal, da Presidência e da equipa que a apoia” para conseguir captar este grande investimento, referindo que surge da estratégia de promoção e internacionalização da “marca Vila de Rei” junto das empresas nos mais diversos fóruns de divulgação, como feiras internacionais, e da assinatura de protocolo com a Câmara do Comércio e Indústria Franco-Portuguesa “que permite também mostrar as potencialidades do Município de modo a atrair investimento”.

“O Município tem, assim, o grato prazer de, neste tempo de incerteza, dar aos vilarregenses a demonstração de confiança no nosso Futuro Comum”, termina o autarca.

Recorde-se que o autarca vilarregense já havia mostrado esperança quanto a um desfecho favorável no início deste ano para este investimento.

A nível nacional, o Infarmed já autorizou cinco empresas para cultivar, importar e exportar a planta da canábis, numa área total de cultivo de 120 hectares, segundo informação divulgada pela agência Lusa, em balanço do primeiro ano da legalização do uso de canábis para fins medicinais, que foi publicada em Diário da República em 15 de janeiro de 2019 e entrou em vigor a 1 de fevereiro.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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