Lote nº 1 na Zona Industrial do Carrascal, onde antigamente funcionou a Frutinatura Foto: CM Vila de Rei

A empresa fitofarmacêutica Cann10-Portugal, com sede em Alcabideche, Cascais, vai instalar uma unidade no concelho de Vila de Rei, prevendo atingir a criação de 100 postos de trabalho num prazo de 3/4 anos. Esta unidade servirá a “transformação e, quando a lei o permitir, a produção de fitofarmacêuticos feitos à base de medical cannabis sativa. O investimento, segundo Ricardo Aires, autarca vilarregense, será de “muitos milhões” e é considerado “uma boa notícia para o concelho e para a região”.

As propostas de aquisição do lote nº1 na Zona Industrial do Souto, com 4,5 hectares pelo valor de 0,01 euros, e o arrendamento com opção de compra do antigo lote da Frutinatura (pavilhão do lote nº 1 desativado desde que a empresa faliu, há cerca de 10 anos) por 374 mil euros da Zona Industrial do Carrascal foram aprovadas por unanimidade pelo executivo camarário na reunião pública desta sexta-feira, dia 16 de novembro.

A Cann10-Portugal considerou este arrendamento com opção de compra do pavilhão da Frutinatura no sentido de potenciar a breve prazo, havendo autorização do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. e dando o Estado luz verde através de emissão de licença administrativa para a produção e transformação industrial, a concretização do investimento/compra e início da atividade.

A renda mensal será de 2000 euros, pelo prazo de 4 anos, sendo o valor das rendas pagas incluído no valor final a pagar. Entendem os promotores que “embora tenha sido pensada para exportação, na sua totalidade, as recentes alterações legislativas e a sua previsível evolução, colocam em cima da mesa o próprio mercado nacional e não apenas a produção do extrato”, lê-se na proposta a que o mediotejo.net teve acesso.

Quanto ao lote da Zona Industrial do Souto, os promotores apenas exigem que “esteja garantido o fornecimento de eletricidade e de água, bem como a acessibilidade rodoviária”, sendo estes fatores suficientes para a concretização da compra.

A empresa estima ainda chegar aos 100 postos de trabalho num prazo de 3 a 4 anos, esperando necessitar de mão de obra qualificada, a maioria “com título académico superior dadas as exigências técnicas”.

A empresa adquiriu ainda, por alienação, o lote 1 da Zona Industrial do Souto. Foto: mediotejo.net

Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei, mostrou-se visivelmente agradado por o seu concelho ser pioneiro no acolher deste tipo de indústria, referindo ser do seu conhecimento a existência de apenas uma empresa do setor instalada em Portugal, mais precisamente em Cantanhede. Até chegar a acordo, houve “um processo que demorou cerca de um ano” entre deslocações e negociações de ambas as partes, referiu o presidente de Câmara.

“É uma boa notícia para o concelho e para a região, é muito importante. É um balão de oxigénio para muitos jovens qualificados que podem vir a fixar-se na nossa região”, fez notar. Quanto ao investimento total, Ricardo Aires referiu tratar-se de “muitos milhões”, não indicando números concretos, algo que é provável que sejam os promotores a fazer “em conferência de imprensa”.

O autarca admitiu que houve uma “empatia” entre a CM Vila de Rei e os promotores da empresa de Israel. “São pessoas que gostam de honestidade, e que se trate das coisas como são na realidade, verdadeiras. São pessoas para quem a verdade é fator muito importante e viram neste concelho essa verdade”, afirmou, acrescentando que a autarquia acompanhou sempre de perto o processo, dando apoio aos promotores “quando tiveram algumas dúvidas e eles sentiram que podiam confiar em nós, porque acreditam na nossa equipa. E nós acreditamos neles”, disse.

O autarca não escondeu o entusiasmo perante este grande e inovador investimento no concelho, que entende vir dinamizar não só a economia local como também a regional. Foto: mediotejo.net

Por outro lado, este investimento é motivo de congratulação por se tratar de “uma empresa inovadora, diferenciadora e é [para este tipo de investimentos] que andamos a «semear»”, justificou, aludindo às intervenções da autarquia por forma a manter funcionais e atrativas as zonas industriais do concelho, bem como os benefícios regulamentados, com vista à atração de novos investidores.

Quanto ao facto de a maioria da mão de obra necessária ser qualificada, Ricardo Aires confirmou que a empresa garantirá a formação a nível interno e “caso necessitem de estabelecer parcerias ou apoio por parte de uma Universidade ou Politécnico, a CM Vila de Rei está já a estabelecer contacto junto dos Institutos Politécnicos de Portalegre e de Tomar”.

Recorde-se que, segundo indicação da presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, a 9 de novembro, está previsto que até ao final do ano esteja concluída a regulamentação da lei do uso da canábis para fins medicinais, incluindo o seu cultivo e a dispensa dos medicamentos em farmácia em Portugal.

Em junho, através de uma comissão parlamentar de saúde constituída pelos projetos de lei do Bloco de Esquerda e do PAN, foi aprovado pelo Parlamento o uso de medicamentos ou substâncias à base de canábis para fins medicinais, tendo sido promulgado pelo Presidente da República em julho.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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