Em setembro do ano passado, a Assembleia Municipal de Vila de Rei aprovou uma moção, por unanimidade, através da qual reivindicou a colocação de um médico de família na Unidade de Cuidados de Saúde Primários (UCSP), onde 30% dos utentes não têm clínico atribuído.
Naquele momento a UCSP de Vila de Rei dispunha de dois médicos de família, um deles a desempenhar funções de diretor executivo do ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) do Pinhal Interior Sul, não estando por isso a desempenhar funções a tempo inteiro, e a outra médica de família desempenha a função de coordenadora da UCSP, “retirando tempo disponível para o atendimento aos utentes”, refere-se num documento da Assembleia Municipal.
Perante a possibilidade de Vila de Rei ficar sem médico de família a curto prazo, na terça-feira, 11 de abril, a deputada municipal do Partido Socialista, Diana Lucas, quis saber se, entretanto, o executivo municipal estabeleceu incentivos para o recrutamento de um médico de família para a UCSP.
Em resposta, o presidente da Câmara considerou “muito mau quando um governo de Portugal não faz o seu planeamento em relação aos médicos que se vão reformar”, frisando: “Toda a gente sabia há sete anos que ia haver uma debandada de médicos no nosso país e não houve um planeamento.”

Segundo Ricardo Aires, citando a coordenadora da UCSP de Vila de Rei, “o dr. Fernando neste momento já se encontra em reforma, por isso é ela e a dr. Cira, que vem duas vezes por semana a Vila de Rei”, diz o presidente de Câmara, garantindo que “o governo foi avisado, tal como a ULS de Castelo Branco a ARS do Centro foram bastante avisados”, reforçou.
Através da moção apresentada em setembro pelos deputados municipais do PSD e aprovada com os votos dos restantes deputados municipais (do PS) salientava-se que, segundo os dados disponibilizados pelo ACES Pinhal Interior Sul, “cerca de 30% dos utentes da UCSP de Vila de Rei encontra-se sem médico de família atribuído”.
“Pese embora a colocação temporária e a tempo parcial de uma médica de família, a mesma já foi recolocada a tempo inteiro na UCSP da Sertã”, sustentaram os deputados municipais.
Adiantaram ainda que o concelho de Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, tem uma população residente de cerca de 3.500 habitantes, “maioritariamente idosa e que necessita de cuidados permanentes de saúde”.
A juntar a todas estas preocupações “verifica-se que os dois médicos de família colocados na UCSP de Vila de Rei se encontram perto da idade da reforma, sem que se afigure visível a colocação de novos médicos de família nesta UCSP”, acrescentaram.

Neste âmbito, a Assembleia Municipal de Vila de Rei reivindicou junto das entidades gestoras do Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente ACES Pinhal Interior Sul, Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, Administração Regional de Saúde do Centro e Ministério da Saúde, a colocação de um médico de família na UCSP, “seja através de contratação direta, através de recurso a médico tarefeiro ou contratualizando o serviço com o setor social ou privado”.
A moção seguiu também para conhecimento da Assembleia da República mas com o cenário de reforma dos dois médicos colocados na UCSP de Vila de Rei a verificar-se e sem solução à vista Ricardo Aires critica o facto de serem os Municípios a resolver o problema lembrando que “não estamos em 1980. Estamos em 2023 e é muito mau os municípios andarem a fazer coisas que em 1980 se calhar era necessário, era mau estar no interior do país. Hoje estamos a uma hora e pouco de Lisboa a três horas e meia de Madrid e por isso o planeamento do governo central deveria ter sido muito melhor não só na Saúde mas também em outras áreas”.

Também a concelhia do PSD, em novembro do ano passado, manifestou “preocupação” com prestação de cuidados de saúde no concelho tendo referido, em comunicado, a atual “incapacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde em dotar o concelho de médicos de família para todos”.
No mesmo comunicado lembrava-se que havia “cerca de 900 pessoas no concelho sem médico de família”, alentando, ainda, para o facto de “os dois médicos atualmente em funções no concelho estarem com idade muito próxima da reforma, o que originará no prazo de pouco mais de um ano a inexistência de médicos de família” em Vila de Rei.
