Casa Xavier na Fundada. Foto: CM Vila de Rei

A ‘Casa Xavier’, propriedade do município de Vila de Rei, vai ser objeto de concurso para atribuição de direitos de exploração para fins turísticos, no âmbito de um contrato celebrado, em fevereiro deste ano, com o Fundo Revive Natureza, ao qual o município afetou o seu imóvel para a sua revitalização e gestão, numa linha de valorização do património imobiliário.

Assim, “brevemente”, segundo o município, será aberto o concurso para a atribuição de direitos de exploração turística da ‘Casa Xavier’, possibilitando, a atribuição deste imóvel, por um período de 26 anos, a um terceiro, para realização de obras em infraestruturas, manutenção e exploração para fins turísticos.

O município de Vila de Rei pretende, com este medida, proporcionar o desenvolvimento turístico do concelho, concretizando diversas políticas de interesse público, como a criação de emprego, a dinamização da economia, o fortalecimento das redes de oferta locais, a utilização de produtos locais, a recuperação do imobiliário e a sustentabilidade do território, nas vertentes ambiental, social e económica.

A casa da família Xavier, na localidade da Silveira – freguesia da Fundada e concelho de Vila de Rei – é uma casa rural de uma família de proprietários também rurais, que iniciou construção em meados de setecentos.

Apresenta em maior escala traços de arquitetura erudita de finais do século XIX e inícios do século XX, indícios estes mais evidentes na proporção e desenhos dos vãos, nos pés direitos, no desenvolvimento da compartimentação com corredor central, nos tetos estucados e seus desenhos, nas paredes acabadas e pintadas a imitar cantaria; nas carpintarias pintadas a imitar madeiras nobres, nas bandeiras da porta com vidro colorido, nos desenhos das serralharias, entre outros elementos.

O anexo tem menos pormenores, logo será mais difícil de datar. Todavia deverá ser igualmente do início da construção da casa principal. O arrumo de alfaias agrícolas é de uma arquitectura popular, sem elementos datáveis, mas possivelmente mais antigo, atendendo ao seu pé-direito diminuto.

O início da sua construção, cre-se, tem data anterior a 1700, altura em que o 2º Capitão da Relva, João António Baptista, herdou de seu pai aquele terreno de cultivo, junto ao qual disponibilizou a seu primo de mesmo nome, sacerdote e pároco da Fundada, espaço para construir uma casa de habitação simples, com o intuito de acolher jovens rapazes que quisessem empreender uma caminhada na Fé que os conduzisse ao serviço na Igreja Católica, sob o lema “In verbo autem tuo laxabo rete” – “pois na tua Palavra verdadeira repousarei com retidão”.

Ainda que mais tarde tivesse sido mudada para um outro espaço, a ‘Casa dos Padres’, como sempre fora conhecida, foi sem dúvida o baluarte da formação humana e teológica de quantos por ela passaram, bem assim um fomento às vocações religiosas e sacerdotais no concelho de Vila de Rei.

Tendo falecido sem deixar herdeiros, os seus muito bens ficaram para os primos Silva (Relva), Braz (São João do Peso) e Xavier (Fundada), à exceção da ‘Casa Grande’ da Fundada, que ficou sob administração do seu protegido e feitor José Joaquim da Silva, o qual, mais tarde, comprou aos Silva algum do terreno envolvente que tinham herdado do tio.

Como o seu filho, José Joaquim, casara com Luísa de Oliveira, foi a estes que calhou em herança terrenos e casa na Relva e também a ‘Casa Grande’ e seu terreno. Viveram então nesta Casa a Sr.ª D. Luísa, o marido e a filha Rosa Eulália; alguns dos seus irmãos, nomeadamente João d’Oliveira Xavier e família, assim com D. Mateus de Oliveira Xavier que esteve ao serviço por terras das Índias Orientais, como Arcebispo Primaz de Goa, Bispo de Cochim e Patriarca das Índias Orientais, e o seu irmão e secretário, Mons. Sebastião de Oliveira Xavier.

No início do século XX mais de uma dezena de pessoas habitavam aquela casa, que à altura sofria novas obras de ampliação. Estes foram, decerto, os tempos áureos daquele espaço, dinamizado a partir dos anos 20 pela atividade médica do Dr. Mateus Tavares Xavier.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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