A notícia caiu que nem uma bomba. O novo aeroporto, tantas vezes admirado e tantas vezes odiado, vai ser construído. Mas em que lugar? Os intelectuais, pensadores e comentadores, foram profícuos em opiniões, identificando causas económicas, politicas ou sociais, para a construção do novo aeroporto.

Cada um, até aqui, parecia uma ilha isolada prestes a ser submersa. Porém, tudo mudou e é vê-los aos gritos, às ordens, envoltos em diálogos perpétuos, todos excitados e com um frenesim de que é tudo uma questão de amor e consciência. Danem-se!

Eles olham só para si e vêm no mundo exterior o espírito que alimenta a sua existência. Quem ousa apoiar a cultura, a arte? – muito poucos!

Nunca podemos esquecer que é pela arte que começamos a amar a natureza.

É preciso entender que a autoridade, a posse e até a violência em qualquer forma, não pode perturbar a harmonia dos movimentos e da espontaneidade de todos os seres. O papel de cada um é igual ao do outro, a ação dos grandes e dos pequenos confunde-se no resultado.

O Homem tem que estar ao lado da natureza, numa postura humilde e servil. A nossa região é uma terra poderosa e opulenta que abriga com brandura e carinho, muito conhecimento e saber. É uma terra que sabe tomar decisões. Mas não podemos resmungar. É que a Humanidade é livre, depois de várias lutas conquistou o direito ao sufrágio universal.

Meus queridos Homens públicos. Não nos manchem nos fumos do combustível, não nos embruteçam no barulho das máquinas. Queremos conservar toda a frescura da alma de gente que faz parte da grandeza da nossa colectividade, que quer atingir um desígnio que tenha um coração singular e crescente.

Parece que poucos se dão conta de que, afinal, o que é novo não é o atraso nem a doença, que são milenares, mas a estatística. O novo é que, pela primeira vez na história dos homens, estamos hoje em condições de medir problemas antigos e de começar a remediá-los, embora como se vê, muito desajeitadamente. É que além de teimosa, a natureza não confia no juízo dos homens.

Esta epifania global e simbiose múltipla embaraça quem quer participar num processo colectivo endógeno que tenha o objectivo de contribuir para um desenvolvimento sustentável, com criatividade e inovação. As devastações começam onde nós queremos. Temos de ter um projeto esperança que crie uma nova textura social alicerçada na democracia participativa, que abra novos horizontes, onde a sombra do presente seja um vaporoso adormecimento que acabe numa volúpia casta e subtil.

Que as máscaras que hoje usamos sejam o prenúncio de um tempo em que a invisibilidade das forças visíveis seja metamorfoseada em forças rituais, cujo objectivo seja produzir energia que responda às nossas angústias, aos nossos desejos, às nossas esperanças. A natureza é extraordinariamente bela.

Olhem os rios cheios de palavras, de sensações e ofegantes silêncios, que caminham entre pedras estaladiças, cobertas de mistérios. E a tristeza do castelo, a nossa segunda habitação erguida no silêncio da água, humilde como as que transportam a simplicidade do coração e nos fazem engrandecer a alma. Deixem a criança ser criança para abraçar o tempo da esperança e crescer em liberdade a brincar, a amar, a ser feliz.

Carlos Alves

É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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