A vedação instalada pela Renova junto à nascente do rio Almonda não vai ser retirada e será mantida por “questões de segurança” informou o presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas. No entanto, para permitir que a população possa desfrutar desta paisagem natural, a Renova informou que irá proceder à redução da altura da mesma, estando previsto que tal suceda ainda durante este mês de janeiro. José Trincão Marques informou ainda que a Renova não irá “impedir o acesso a ninguém” à nascente.
Na última reunião da assembleia torrejana, José Trincão Marques, presidente deste órgão, deu conta de que havia estado presente numa segunda reunião com o CEO da Renova, Paulo Pereira da Silva, a 29 de novembro de 2024. Recordando a moção aprovada em 2022, que pretendia a requalificação e o livre acesso à nascente do rio, José Trincão Marques afirma que “uma parte já está cumprida”, nomeadamente a sinalização da nascente e a melhoria do caminho público.
Recorde-se que a colocação da vedação junto à nascente do rio Almonda tem dado origem a diversos momentos de manifestação de protesto por parte da população torrejana. Em 2023, a empresa Renova instaurou mesmo uma participação criminal contra vários cidadãos que passaram o ‘Dia da Espiga’ junto à nascente. Posteriormente, a empresa afirmou estar a “trabalhar diligentemente para permitir que a nascente do rio Almonda seja mais acessível” e que proporcionasse uma “visita segura”.
Durante a sua intervenção, José Trincão Marques informou ainda que a Renova não irá “impedir o acesso a ninguém” à nascente. “O acesso livre e público à nascente pelo caminho público é um compromisso verbal, é certo, mas está assegurado”.

“A questão agora mais premente, era a questão da vedação”, vincou. “A vedação que já lá existe (…) há mais de 20 anos, pelo menos, tal e qual como está, com mais de 2 metros de altura, tira dignidade ao local e até alguma dignidade devido aos valores quer ambientais, quer históricos, ecológicos e simbólicos que o local tem”, defende.
“Foi assumido o compromisso de a manterem lá como uma salvaguarda de segurança. (…) Foi-nos garantido que iria ser rebaixada a vedação para uma altura quase de metade, de maneira a proteger, eventualmente, uma queda de alguém ou qualquer coisa do género, porque aquilo tem lá zonas com mais de dois metros de altura, em cimento e pode haver ali um acidente”.
O objetivo da vedação passa assim por garantir a segurança dos visitantes, mas a sua redução vai permitir uma visualização desobstruída da nascente e das grutas. De acordo com José Trincão Marques, tal redução deverá acontecer ainda durante o mês de janeiro.
O presidente da assembleia torrejana afirma ser um local “importantíssimo do ponto de vista simbólico e natural, classificado como zona húmida”, mas sublinha que este “não tem condições para banhos (…) desde logo devido à profundidade do tanque, força da cascata e perigo de derrocada de pedras”. Para ser utilizado como zona balnear, seria necessário “fazerem-se obras”.
“A nascente do Almonda tem enormes potencialidades e merece enriquecimentos de propostas no sentido de valorizarmos aquele local. Há margem para se poder fazer mais que isto”, concluiu.
