Vale das Mós sem resposta sobre desagregação ameaça protesto em Lisboa. Foto: mediotejo.net

O Grupo de Apoio à Criação da Freguesia de Vale das Mós exigiu uma resposta da Assembleia da República relativamente ao processo de reposição da freguesia, aprovado por unanimidade no passado dia 1 de abril pela Assembleia da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, no concelho de Abrantes.

Em comunicado, o movimento refere que, “passado mais de um mês da expressiva aprovação” da continuação do processo de desagregação, continua sem existir qualquer resposta por parte da Assembleia da República, apesar do pedido de reunião já enviado pelo grupo de apoio.

“O Grupo de Apoio considera inaceitável o silêncio perante uma reivindicação justa e amplamente apoiada pela população”, pode ler-se na nota divulgada.

O movimento admite agora avançar com uma ação de protesto em Lisboa. “Caso não exista qualquer resposta até ao final do mês [de maio], o Grupo de Apoio, juntamente com toda a população que se queira associar, deslocar-se-á à Assembleia da República para exigir esclarecimentos”, indica o comunicado.

O grupo sublinha que a população de Vale das Mós tem demonstrado “determinação e unidade” na defesa da reposição da freguesia, extinta em 2013 no âmbito da reorganização administrativa do território.

Entre as iniciativas promovidas estiveram a recolha de centenas de assinaturas, concentrações públicas e a mobilização popular nas assembleias de freguesia.

A decisão de avançar com o processo de desagregação foi aprovada por unanimidade numa sessão extraordinária da Assembleia da União de Freguesias realizada em Vale das Mós, no dia 1 de abril, afastando a hipótese de realização de um referendo local que tinha sido anteriormente defendida pela presidente da Assembleia da União de Freguesia e pela maioria dos eleitos.

Na ocasião, foi entregue um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas a favor da reposição da freguesia.

Manuel Vitória, porta-voz do Grupo de Apoio à Criação da Freguesia de Vale das Mós, classificou a deliberação unânime como “uma vitória do povo e a única posição digna a tomar”.

Também a presidente da Assembleia da União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós, Marta Canha, confirmou que a decisão foi aprovada por unanimidade e admitiu que a forte presença da população e o abaixo-assinado tiveram influência na alteração do sentido de voto e na retirada da proposta de referendo.

Movimento popular garante aprovação unânime da desagregação de Vale das Mós. Foto: MV

Vale das Mós foi criada como freguesia autónoma em 1985, por desanexação de São Facundo, tendo sido agregada em 2013 na União das Freguesias de São Facundo e Vale das Mós.

O processo de desagregação já tinha sido aprovado em 2022 pelos órgãos autárquicos locais, mas não chegou a dar entrada em tempo útil na Assembleia da República ao abrigo do regime simplificado então em vigor.

O grupo de apoio garante agora que “a luta continua até à concretização deste objetivo legítimo da população”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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