Valamatos diz que prioridade é “um Tejo vivo” antes de candidatura a Património da Humanidade. Foto: Tagus

A questão foi levantada pelo vereador do PSD, João Morgado, na última reunião do executivo municipal, pedindo um ponto de situação sobre o processo que, em 2020, Abrantes se dispôs a liderar. Valamatos (PS) explicou que a candidatura implica uma articulação internacional e uma maioria alargada de municípios portugueses e espanhóis, algo que considera difícil de alcançar.

O autarca recordou que a proposta surgiu inicialmente no seio da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, mas sublinhou que, apesar do interesse, o processo esbarrou “num grau de complexidade muito elevado”, em especial por envolver múltiplos territórios com diferentes prioridades em relação ao rio.

“O Tejo como Património da Humanidade foi algo que eu próprio lancei como possível, mas começámos logo a perceber a complexidade. É um rio internacional, envolve muitos municípios em Portugal e Espanha, e nem todos têm a mesma vontade ou ligação ao Tejo.”

“A CIM mantém a possibilidade de voltarmos ao assunto, mas é muito difícil de implementar. O Tejo não é só nosso, é muito mais do que só nosso. Ainda assim, acredito que haverá notícias em breve”, declarou.

“O que nós precisamos, mais do que ele ser Património da Humanidade, é que seja um Tejo vivo, dinâmico e capaz de responder às expectativas das pessoas.”

Valamatos destacou ainda o papel central do rio no desenho da nova região Oeste e Vale do Tejo (OVT), cuja programação já foi aprovada pela Comissão Europeia. “No programa da nova OVT, um dos elementos centrais é o Tejo. Existem gavetas de oportunidades para valorizar este recurso extraordinário.”

“Acreditando que um dia poderá ser Património da Humanidade, mais importante do que o rótulo é o trabalho que fazemos até lá: puxar pelo rio, valorizá-lo e dar-lhe dinâmica”, afirmou o autarca.

Valamatos diz que prioridade é “um Tejo vivo” antes de candidatura a Património da Humanidade. Foto: CMA

O município de Abrantes disponibilizou-se em dezembro de 2020 para liderar um processo de candidatura para que o rio Tejo venha a ser considerado Património da Humanidade da Unesco, com o objetivo de proteger um património coletivo ibérico.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, “com o rio Tejo como Património da Humanidade abrir-se-iam outras portas, outros olhares e outro pensamento, porque o Tejo faz parte da história coletiva da região, do país e da Península Ibérica”.

Com a classificação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), haveria “outras condições para tratá-lo melhor e olhar para ele ainda com mais atenção e com mais cuidado”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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