A23 esteve cortada ao trânsito entre Atalaia e Constância. Foto: DR

Em declarações aos jornalistas, em Abrantes, Manuel José Soares, porta-voz do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo (MUSPMT) disse que os utentes enviaram uma missiva aos deputados da AR, na qual explicam que se encontram numa região servida pelas autoestradas A23 e A13, nas quais “foram introduzidas portagens em toda a sua extensão”.

“Estas vias eram ‘scuts’ [vias sem custos para os utilizadores] (nos troços entre a A1 e saída de Abrantes, isto na A23 e na A13 entre a Atalaia e a saída Note de Tomar). A introdução de portagens veio prejudicar toda esta região, as populações e as suas atividades”, fez notar.

Manuel José Soares, Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo.

De acordo com os utentes, as portagens afetam a “economia regional” e até os bombeiros, “que nas suas viaturas VTDT [viaturas destinadas ao transporte de doentes não urgentes] também são obrigados a pagar portagens quando transportam doentes entre os três hospitais”, Tomar, Abrantes e Torres Novas, que compõem o Centro Hospitalar do Médio Tejo.

“Salientamos que a maior parte do trânsito pesado não utiliza aquelas vias por razões de economia, mas utilizam sim as vias urbanas e a Nacional 3 de Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Constância e Abrantes”, em alternativa à A23, explicam no comunicado.

Já em alternativa à A13, os utentes referem a utilização da EN10 e as vias urbanas do Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Tomar, “com prejuízo absoluto paras os municípios que todos os dias veem o seu património degradado por esse tal trânsito pesado que foge às portagens”.

“Há ainda a registar o abandono do combate à coesão territorial e à promoção das zonas menos povoadas, como os concelhos de Mação e Ferreira Zêzere”, explicam.

Por outro lado, os utentes criticam o facto da Autoestrada 23 (A23), por estar cortada ao trânsito desde as 8h00 de sábado (22 de outubro) e a próxima sexta-feira (28 outubro), no sentido Torres Novas–Abrantes, entre os nós de Atalaia e Constância Oeste, por questões de segurança, segundo anunciou a Infraestruturas de Portugal (IP), estar a obrigar a circular por dentro das localidades.

“30 mil carros/camiões por dia, durante uma semana (se o prazo for cumprido) a passar por dentro da Barquinha e de Tancos”, observam, em tom crítico, tendo questionado se, e “definindo rigorosas medidas de circulação, porque não funcionam os dois sentidos na via Abrantes-Torres Novas?”. A medida, segundo a nota informativa da IP, poderá ser mesmo implementada na próxima semana, após introdução de separadores.

A A23, também identificada por Autoestrada da Beira Interior, liga Guarda a Torres Novas.

A A13 ou autoestrada do Pinhal Interior, liga Coimbra à Marateca, ligando as sub-regiões de Coimbra, Leiria e Médio Tejo.

Plataforma marca para novembro buzinões e marcha letra contra portagens na A23 e A25

A Plataforma P’la Reposição das Scut A23 e A25 anunciou que em novembro vai realizar buzinões e uma marcha lenta contra o pagamento de portagens naquelas vias.

Em comunicado, esta entidade que agrega várias instituições e associações de luta contra as portagens nas antigas Scut [vias sem custo para o utilizador] explicou que a decisão de avançar com novas ações surge depois de a reunião realizada recentemente com membros do Governo ter sido “inconclusiva” e porque a proposta do Orçamento do Estado para 2023 é “omissa” sobre a matéria.

Nos fundamentos, a Plataforma vincou ainda que “as declarações do Governo sobre esta matéria são genéricas, imprecisas e contraditórias quanto às medidas concretas e quanto ao momento da sua implementação”.

De acordo com a decisão, a primeira ação a sair à rua decorrerá no dia 07 de novembro, com buzinões em várias localidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, nomeadamente no Fundão (Zona do Mercado, às 09:00), Castelo Branco (Rotunda Europa, às 09:00), Covilhã (Rotunda das Oliveiras, às 16:30), Guarda (Rotunda da Central de Camionagem, às 17:30), Seia (Rotunda do Pingo Doce, às 08:45) e Vilar Formoso (na antiga fronteira, às 11:30).

Para dia 18 de novembro, com início às 16:00, está marcada uma marcha lenta com colunas de veículos, que partem de várias localidades em direção à rotunda norte do Fundão, na saída da A23.

As colunas de Castelo Branco e Guarda partem às 16:00, enquanto a coluna de Belmonte parte às 16:30, juntando-se aos veículos que seguem desde a Guarda e, por fim, às 17:00 junta-se a coluna da Covilhã.

A Plataforma P’la Reposição das Scut A23 e A25 integra sete entidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda, nomeadamente a Associação Empresarial da Beira Baixa, a União de Sindicatos de Castelo Branco, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, o Movimento de Empresários pela Subsistência pelo Interior, a Associação Empresarial da Região da Guarda, a Comissão de Utentes da A25 e a União de Sindicatos da Guarda.

Além destas, há várias outras entidades que estão representadas no Conselho Geral, que é um órgão consultivo.

A A23, também identificada por Autoestrada da Beira Interior, liga Guarda a Torres Novas (A1).

A A25 (Autoestrada Beiras Litoral e Alta) assegura a ligação entre Aveiro e a fronteira de Vilar Formoso.

C/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 Comentário

  1. Não tornem a A23 (Torres Novas – Guarda) totalmente gratuita novamente.
    Ser gratuita estava a contribuir para o desenvolvimento do interior do país, e não é isso que os políticos pretendem actualmente.

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